Economia Pessoal

Investir em ouro: tudo o que precisa de saber

28 Novembro, 2019

O ouro é um metal precioso e visto por muitos como um ativo-refúgio em momentos de crise financeira. Mas na hora de investir será o ouro um bom investimento? E como se pode investir em ouro?


Ouro: um ativo-refúgio

Ao longo dos séculos o ouro foi utilizado como garantia de valor reconhecido em qualquer parte do mundo, mas o surgimento da economia de mercado levou a que este metal precioso deixasse de ser utilizado nas transações diárias e consequentemente, passasse a ter um valor quase que simbólico. Porém, em épocas de crise financeira ou de maior instabilidade dos mercados, o ouro é para muitos investidores um ativo-refúgio.

Assim, podemos ver que o valor do ouro é muito influenciado pela evolução da economia, numa relação inversa, ou seja, quando a economia está forte o preço do ouro, normalmente, está em queda. Já quando a economia está fraca ou existem muitas dúvidas sobre o seu futuro – como neste momento em que existem preocupações sobre o fraco desempenho económico global e muita instabilidade provocada pelo Brexit e pelas tensões comerciais entre EUA e China , o preço do ouro sobe.

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É o que tem acontecido em 2019. Desde o início do ano, a cotação do ouro já aumentou cerca de 17% e no final de agosto a cotação do metal atingiu um máximo histórico de 1392,64 euros por onça e cerca de 45 euros por grama. No entanto, e apesar do entusiasmo de muitos, é preciso ter atenção: a verdade é que o ouro tem alguns pontos fortes, mas não é um ativo cem por cento seguro e, tal como outros produtos, pode significar perdas para o investidor. Aliás, comprar ouro como salvaguarda em épocas de crise não é sinónimo de segurança e pode representar um investimento sem rendimento.

De que forma investir em ouro?

Para muitos portugueses, a maneira mais tradicional de investir em ouro é comprar o metal preciso em forma de joalharia. No entanto, também é possível comprar lingotes ou barras de ouro e moedas de ouro, isto para quem quer investir em ouro físico. E existem outras formas de investir no metal precioso. Por exemplo, é prática comum investir na cotação ouro/dólar em que a cotação do ouro é negociada face à cotação do dólar, funcionando mais ou menos como o mercado cambial. Depois é possível investir em produtos financeiros com exposição ao ouro e em fundos de investimento conhecidos como ETF – Exchange Traded Funds – de ouro. Já para investir de forma indireta em ouro, basta comprar ações de empresas do setor mineiro que explorem ouro.

Comprar ouro físico: o que precisa saber

Para os pequenos investidores, quando falamos de investir em ouro, a questão prende-se sobretudo com o metal físico. Já sabemos que é possível comprar ouro sob a forma de joias, barras ou moedas, mas o que caracteriza cada uma?

  • Jóias em ouro: Ainda que o valor do ouro físico evolua de forma muito próxima à cotação internacional do mercado, quando falamos de joias e outros objetos decorativos é preciso ter em conta que estes têm, além do seu valor em ouro, um valor artístico que é muito subjetivo. Isto significa que, se quiser revendê-los, a sua desvalorização pode ser enorme. Assim, é possível comprar hoje um colar ou anel de ouro por 300 euros e vendê-lo por muito menos de metade do valor pago inicialmente. Em último caso pode mesmo só receber o valor correspondente ao seu peso e até isso vai depender do grau de pureza do metal – note que nem todas as joias são de 24 quilates.
  • Barras ou lingotes de ouro: Dependendo do valor a investir, é possível adquirir barras ou lingotes com um peso que oscila entre as 2,50 gramas e os 12,50 quilos. As barras são, normalmente, constituídas quase na totalidade por ouro puro. Em Portugal, o preço do ouro expressa-se em euros por grama e o seu valor deriva das cotações em Londres onde o preço é fixado diariamente em dólares por onça – 31,1 gramas. Os preços podem ser consultados diariamente nas publicações do Banco de Portugal.
  • Moedas em ouro: É também possível adquirir moedas de ouro. Em todo o mundo existem milhares de moedas de ouro, como a libra esterlina ou os reis portugueses, e conhecer a sua cotação implica recorrer às informações disponibilizadas pelos especialistas em numismática.

Em todo o caso, quem compra ouro deve fazê-lo junto de entidades acreditadas. No caso das barras de ouro o ideal é recorrer a uma instituição bancária para poder salvaguardar-se no momento da compra e de venda.

O ouro é ou não um bom investimento?

Uma das principais vantagens apontadas ao ouro é o facto de este não ser afetado pela inflação, ao contrário do que acontece com as moedas, uma vez que o seu preço é sempre fixado com base no dólar americano. Outra é a sua elevada liquidez, já que, por ser um ativo valioso em qualquer parte do mundo, é muito fácil de transacionar. Contudo, como diz o ditado, “nem tudo o que luz é ouro” e a segurança que muitos veem neste ativo pode ser ilusória.

Ao contrário do que muitos pensam o ouro não é um ativo que não desvaloriza. Como já vimos, ainda que não esteja sujeito às flutuações da inflação, o ouro está cotado no mercado o que significa que amanhã o seu valor pode ser inferior ao de hoje. Daí que a sua elevada liquidez não seja assim tão certa, afinal pode ser fácil comprar e vender ouro, mas isto não significa que o investidor que se veja obrigado a vender o ouro por necessidade não tenha pesadas perdas em relação ao investimento inicial.

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