Economia Pessoal

Crédito malparado: o que é?

26 Novembro, 2019

O crédito malparado em Portugal está a diminuir. De acordo com os dados do Banco de Portugal, em maio, o crédito malparado das famílias caiu para 3,2% do total dos financiamentos concedidos. Mas afinal do que se trata quando falamos deste termo financeiro? E quais as soluções que podem ser implementadas para reduzir o crédito malparado?


O que é o crédito malparado?

Também conhecido como crédito vencido, diz respeito a um conjunto de créditos que estão vencidos há mais de 90 dias e de empréstimos em que há indícios de um incumprimento futuro. Em traços gerais, o crédito malparado é o valor que fica em falta num empréstimo que não foi pago até ao fim. O valor do crédito malparado existente num país é um indicador da “saúde” da sua economia. Quanto maior for a percentagem de crédito malparado, mais indícios de que existe um problema económico que leva as famílias e empresas a não cumprirem as suas obrigações. Para evitar esta situação, é extremamente importante que as famílias consigam gerir e fazer um controlo das suas finanças pessoais de forma a que não fiquem sobre-endividadas e que as empresas tenham planos de gestão bem implementados.

A  compra do crédito malparado aos bancos é um negócio que se encontra em crescimento. Quando a banca vende carteiras de crédito malparado vê o peso destas dívidas a diminuir nos seus balanços. De acordo com o Banco de Portugal, o crédito malparado atingiu, em maio de 2019, o nível mais baixo dos últimos nove anos, caindo para 3,2% do total de financiamentos concedidos às famílias portuguesas. Em geral, a redução do incumprimento ocorreu nos créditos à habitação. Já no caso das empresas, o incumprimento subiu e representa 9% do total dos empréstimos.

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Quais as situações que levam as famílias a entrar em incumprimento?

A crise financeira e o desemprego são dois dos principais fatores que levaram ao aumento do crédito malparado devido ao acumular de dívidas não só em Portugal, como também no resto do mundo. No entanto, também existem outras situações inesperadas, como, por exemplo, em caso de divórcio, doença ou invalidez que podem levar as famílias a não conseguirem cumprir com o pagamento das prestações mensais dos seus empréstimos. Situações inesperadas como estas podem colocar um enorme peso sobre o orçamento mensal disponível das famílias, sobretudo, se já se encontrarem em situações económicas frágeis ou em sobre-endividamento. É por isso que poupar e ter uma “almofada financeira” pode ser tão importante. Além disso, os consumidores devem reconhecer a tempo a sua situação e recorrer a instituições de apoio ao consumidor para encontrar uma solução antes de entrarem em incumprimento.

Como evitar situações de incumprimento?

No caso de estar com dificuldades em pagar as suas dívidas, uma das soluções passa por renegociar o crédito ou então apostar no crédito consolidado. Na eventualidade de pretender optar por esta via, o prazo de pagamento pode aumentar e a prestação mensal ficará mais baixa e assim torna-se mais fácil gerir as suas finanças. Além disso, pode ainda recorrer à PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento) com o objetivo de chegar a um acordo com a instituição bancária.

No entanto, saiba que seja qual for a solução que prefira, é sempre necessário negociar com a entidade credora. Contudo, pode evitar algumas situações de crédito malparado se, por exemplo, rever os seus empréstimos, analisando o seu orçamento de forma a renegociar com o banco. Além disso, também é importante que evite utilizar cartões de crédito, pois mesmo que não existam custos adicionais, o custo que terá por mês irá agravar o seu crédito malparado. E não se esqueça: controle com regularidade o seu extrato e reveja as taxas bancárias, verificando sempre se está a pagar taxas mensais que são desnecessárias.

 Crédito malparado em Portugal está nos 8,9%

Nos últimos três anos o crédito malparado em Portugal caiu cerca de 24 mil milhões de euros, contribuindo para que o crédito vencido na União Europeia continue em declínio. De acordo com os dados apresentados pelo Banco de Portugal, os bancos nacionais reduziram, nos primeiros três meses de 2019, o crédito malparado em 1,4 mil milhões de euros, isto é, 900 milhões nos créditos das empresas e 500 milhões nos das famílias. Assim, o rácio do malparado em Portugal é de 8,9%, o que representa uma descida de 9 pontos percentuais face ao ano de 2016. O país está assim mais próximo de alcançar a média da Zona Euro que no final de 2018 rondava os 5%.

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