Economia Pessoal

Amortizar créditos: vale a pena ou não?

16 Setembro, 2019

Tem algum dinheiro de parte e está a pensar se vale a pena usá-lo para amortizar os seus créditos? Porque cada caso é um caso, neste artigo fique a saber tudo o que precisa sobre a amortização de créditos, as suas vantagens e as suas desvantagens, para tomar a decisão mais acertada.


Amortização de créditos: o que ter em conta?

Recebeu uma herança, uma indemnização ou tem algumas poupanças e está a pensar usar esse valor para amortizar os seus créditos, mas não sabe se compensa ou não? Não existe uma resposta linear para esta pergunta, tudo vai depender da situação de cada pessoa, que deve analisar as suas necessidades e as suas finanças pessoais. Por vezes, amortizar poderá ser uma boa opção, mas também poderá compensar mais investir em depósitos a prazo, ou noutros produtos financeiros que lhe permitam fazer crescer esse dinheiro. Mais tarde e com um valor maior, até poderá ter condições de amortização mais atrativas.

Ao amortizar os créditos, está a abater parte da sua dívida e a diminuir os juros e as prestações que paga mensalmente ao banco, mas pode também estar a pôr em causa a sua poupança e a sua capacidade de fazer frente a despesas e situações inesperadas e, em último caso, a sua estabilidade futura e a sua reforma. Antes de tomar uma decisão destas, deve, em primeiro lugar, analisar o valor que pretende amortizar e os custos de amortização, para perceber se compensa ou não. Quando o valor da amortização é pequeno, pode não compensar fazer uma operação destas, uma vez que os custos podem ser bastante elevados.

Ler Mais

Além disso, é preciso considerar todas as características dos créditos que se pretende amortizar e o tipo de amortização – total ou parcial – que se quer fazer. Deverá sempre analisar as taxas de juros inerentes a cada um dos créditos, sendo que, na maioria das vezes, se optar por amortizar o crédito com as taxas mais altas, terá uma poupança muito maior. Por outro lado, por vezes poderá não compensar amortizar o valor total que tem disponível num único crédito e ser mais vantajosos dividi-lo entre diferentes créditos, diminuindo mais do que uma prestação, ou até utilizar apenas uma parte do valor na amortização e o restante investir num produto financeiro com pouco risco como é o caso dos depósitos a prazo. Assim poderá rentabilizar o seu dinheiro e ter sempre uma almofada financeira para os imprevistos. Lembre-se que possíveis alterações no mercado financeiro podem levar à subida das taxas de juro e ao consequente aumento dos encargos mensais com os créditos.

Esta não é, portanto, uma decisão simples e isenta de vantagens e riscos. Se, por um lado, se pode pensar no alívio financeiro que a amortização trará, uma vez que fica com o empréstimo pago ou com prestações mais baixas e está a reforçar a confiança da instituição financeira na sua capacidade de cumprimento, por outro lado, também não nos podemos esquecer dos outros encargos adjacentes a esta operação. Outro aspeto negativo da amortização prende-se com o facto de poder perder todos os benefícios que tinha com os produtos associados ao seu crédito, o que poderá fazer com que as prestações mensais não diminuam. É necessário avaliar bem todos os pontos e assegurar-se de que essa é a melhor opção para si.

O que fazer para amortizar os créditos?

Se decidir amortizar os seus créditos, existem algumas questões às que deverá estar atento. Lembre-se que a instituição bancária deverá ser avisada previamente da sua intenção de amortização – cumprindo os prazos estabelecidos para o tipo de crédito em questão – e  recorde que estará sujeito às penalizações estabelecidas por lei.

No caso do crédito à habitação, se a amortização for total, deverá comunicar ao banco sete dias úteis antes de o fazer ou dez dias úteis se a amortização partir de uma venda da casa. Se se tratar de uma amortização parcial aplica-se apenas a regra de avisar a instituição bancária com pelos menos sete dias úteis de antecedência A lei estabelece que nos créditos à habitação o banco não pode cobrar uma penalização superior a 0,5% do montante usado se a taxa de juro for variável, ou superior a 2% se se tratar de uma taxa fixa. É importante referir também que a amortização deve coincidir com a data de vencimento da prestação e que, se o reembolso for motivado por morte, desemprego ou deslocação profissional, está isento de comissões. Os bancos não podem cobrar encargos adicionais ou aumentar a penalização para o máximo nos contratos que prevejam uma percentagem inferior ou a isenção.

Já no caso do crédito automóvel ou outros créditos pessoais, se quiser pagar o seu empréstimo antecipadamente, deverá notificar a entidade credora com pelo menos 30 dias de antecedência A instituição de crédito não pode cobrar qualquer comissão pelo reembolso antecipado se a taxa de juro do contrato for variável. No caso de a taxa de juro ser fixa, o banco pode exigir uma comissão no valor máximo de 0,5% do valor reembolsado se faltar mais de um ano para o fim do prazo previsto do crédito, ou de 0,25% se faltar um ano ou menos. A instituição de crédito também não poderá cobrar qualquer comissão se o reembolso antecipado resultar do acionamento de um seguro. 

Ler Menos