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Economia da Partilha: o futuro da economia portuguesa?

13 Setembro, 2019

A Economia da Partilha está a crescer em todo o mundo e já faz parte do estilo de vida de muitos Millennials. Portugal não ficou para trás e é já um dos países da Europa onde a economia colaborativa tem um maior impacto. Será este o caminho para o desenvolvimento económico nacional?


Economia da Partilha: o novo rosto da poupança e da sustentabilidade

A Economia da Partilha – ou economia colaborativa – assenta no princípio da partilha, com o objetivo de poupar dinheiro enquanto garante a sustentabilidade ambiental e financeira. Não há um conceito fixo que traduza este fenómeno, mas existem alguns elementos que devem estar presentes sempre que se fala em sharing economy, nomeadamente a disponibilização do serviço numa plataforma digital, acessível a partir de qualquer dispositivo móvel; o estabelecimento de uma relação entre pares, sejam eles indivíduos ou empresas; o caráter temporário desta relação; e a existência de um intercâmbio de ativos, recursos, tempo ou capacidades, de forma muito flexível e dinâmica. Assim, sempre que ocorrer a combinação destes quatro elementos, podemos dizer que estamos perante um fenómeno da Economia da Partilha.

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Nos últimos anos, em Portugal, têm vindo a surgir diversas empresas assentes no conceito da Economia Partilhada, desde empresas de partilha de trotinetes, bicicletas ou carros – como a Uber, a Lime ou a BlaBlaCar -, a empresas de aluguer de bens – como o Airbnb ou a Uniplaces -, ou até empresas de venda de artigos em segunda mão – como o OLX. A rápida expansão deste fenómeno deve-se, sobretudo, a três fatores: a digitalização da economia e acesso generalizado à internet e às tecnologias móveis; o aumento do desemprego em vários países e consequente diminuição do rendimento disponível; e a maior relevância dada à sustentabilidade social e económica.

De acordo com o estudo da PWC para a Comissão Europeia, são cinco os setores principais da economia colaborativa na Europa: alojamento de pares ou utilizadores, transporte entre utilizadores, serviços a famílias por pedido, serviços profissionais por pedido e financiamento colaborativo. Às empresas que trabalham estes setores são apontados vários benefícios económicos entre os quais o investimento e promoção da inovação e do empreendedorismo, a rentabilização de bens que não estavam a ser utilizados, a aposta numa melhor utilização dos recursos e na melhoria da eficiência económica e, ainda, a criação de serviços personalizados que permitem aumentar o consumo privado.

A partilha já gera milhões na Europa e em Portugal

A rápida e forte expansão da Economia da Partilha leva a que se assista a um significativo aumento das receitas que daí resultam. Segundo os últimos dados da Comissão Europeia (CE), é esperado que, até 2025, as receitas da sharing economy na Europa atinjam os 83 mil milhões de euros, com a economia colaborativa a crescer 20 vezes. No que diz respeito a Portugal, os dados mais recentes da CE sobre o impacto económico da Economia da Partilha  revelavam que em 2016 este mercado já valia 265 milhões de euros para a economia nacional, representando assim 0,14% do PIB.

As potencialidades da economia da partilha são muitas, já que esta está em significativa expansão e que pode vir a gerar milhares de milhões de euros em receitas a nível global. Só entre 2013 e 2015, as transações triplicaram e as receitas quadruplicaram e a tendência era para que este ritmo de crescimento acelerasse significativamente nos anos seguintes. Em Portugal, esta tendência é evidente nos últimos dados da plataforma digital de reserva de alojamento Airbnb, que, sozinha, registou no último ano um impacto de 2 mil milhões de euros na economia portuguesa, o equivalente a 1% do PIB nacional.

Mais economia da partilha, mais empregos

Também ao nível do emprego, o impacto da economia colaborativa tem sido significativo. Segundo o mesmo estudo da CE, em 2016, havia em Portugal cerca de 8400 pessoas a trabalhar em setores da economia colaborativa , representando 0,17% do total de emprego no país. Nesta altura, a maioria dos postos de trabalho pertenciam aos setores do alojamento – com quase 5000 trabalhadores – e transporte – 2161 trabalhadores.

Num estudo de 2018 também da CE, sobre o emprego ao nível das plataformas digitais, onde estão incluídas a maioria das empresas da sharing economy, Portugal possui um dos valores mais elevados da Europa, quase 11% do total de emprego no país. Neste valor não estão incluídas apenas empresas que sigam a filosofia da economia colaborativa, mas é um dado que nos dá uma ideia da importância que este modelo tem ganho na economia e do impacto que poderá ter no emprego nos próximos anos.

A mobilidade partilhada é um dos setores da Economia da Partilha que mais se destaca ao nível do emprego em Portugal. Atualmente, as empresas de partilha de veículos já criaram pelo menos 574 postos de trabalho. É de realçar que este número pode não corresponder à totalidade dos trabalhadores destas empresas, uma vez que muitos são colaboradores subcontratados ou que apenas trabalham de vez em quando. São as empresas de partilha de trotinetes as responsáveis pela criação de mais postos de trabalho, com a alemã Circ a empregar 220 pessoas a tempo inteiro em 11 cidades portuguesas.

Lisboa: a cidade da mobilidade partilhada

A mobilidade partilhada é mesmo um dos setores da sharing economy que está mais desenvolvido em Portugal e Lisboa é uma das cidades do país onde este desenvolvimento e expansão é mais visível. Segundo Miguel Gaspar, vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, este é um mercado que, só na capital, já “vale mais de 50 milhões de euros” com 17 operadores a trabalhar na cidade, entre trotinetes, bicicletas, motos e automóveis partilhados.

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