Radar económico

Portugal conquista cada vez mais investimento estrangeiro

9 Setembro, 2019

O investimento estrangeiro em Portugal tem estado em destaque e muitos defendem a necessidade de medidas que aumentem a sua captação, mas qual a importância deste indicador para a nossa economia?


Investimento estrangeiro: um fator de peso no desenvolvimento económico nacional

O investimento direto estrangeiro (IDE) é considerado um dos principais motores das economias, uma vez que permite aos países desenvolverem-se e tornarem-se mais competitivo. E o que caracteriza este tipo de investimento? Falamos de Investimento estrangeiro quando os investidores escolhem colocar fundos fora da sua economia de origem, no nosso caso, em Portugal. Quando falamos em IDE, não nos referimos apenas à entrada de capital estrangeiro em Portugal, mas também à entrada de novas tecnologias, novos conhecimentos, novos mercados externos ou novos métodos de trabalho.

Em Portugal, os últimos anos têm registado um crescimento do investimento estrangeiro, embora com um ritmo mais lento do que seria esperado. Segundo o Inquérito de Atratividade da consultora EY, em 2018, Portugal contou com o desenvolvimento de 74 novos projetos de IDE, num total de 118,6 mil milhões de euros, e a criação de 6 100 novos postos de trabalho. No entanto, estes valores são inferiores aos do ano anterior, representando uma redução de 22% face aos 95 projetos conseguidos em 2017 e uma perda de 1% da quota de mercado. Para esta desaceleração do investimento estrangeiro em Portugal muito contribuíram fatores como o Brexit e a guerra comercial EUA-China, ao criarem um elevado nível de incerteza nos mercados europeus, e também a nova reforma fiscal dos EUA que prevê benefícios fiscais para as empresas norte-americanas que repatriem os lucros de filiais estrangeiras para a sede nos EUA.

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No entanto, a atratividade de Portugal permanece forte e os planos de investimento de curto prazo no país estão entre os mais elevados da Europa. Os investidores inquiridos neste estudo  apontam como principais fatores da atratividade de Portugal: a qualidade de vida, a estabilidade do clima social, a infraestrutura de telecomunicações, o nível de competência de mão-de-obra local e o custo da mesma. Um outro fator de atratividade prende-se com a facilidade de investir em Portugal, uma vez que não existem restrições ou condições especiais para o investimento estrangeiro.

Segundo os dados mais recentes, a Grã-Bretanha ocupa o primeiro lugar no ranking dos países que mais investem em Portugal, com um investimento de 896 milhões de euros. Este pódio do investimento estrangeiro em território nacional fica completo com o Luxemburgo e a China. A China tornou-se mesmo o país externo à UE que mais investe em Portugal, com a entrada de 381 milhões de euros.

Em 2019, as previsões são para que o IDE volte a aumentar. “No ano passado foram celebrados contratos de investimento de mais de mil milhões de euros. Aquilo que, neste momento, temos de intenções que estão a ser discutidas com a AICEP, a nossa Agência de Investimento e Comércio Externo, são intenções de investimentos à volta dos dois mil milhões de euros”, explicou Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto e da Economia.

Porto e Norte de Portugal: a capital nacional do investimento estrangeiro

Segundo o estudo “Porto & Northern Portugal: A Magnet for Investment” também da EY, a região do Porto e Norte de Portugal assume um papel privilegiado na captação de investimento estrangeiro. Só no ano passado, esta região do país recebeu 24 projetos de IDE, que permitiram a criação de 2 754 novos empregos, o que se traduziu numa taxa média de crescimento do investimento direto estrangeiro de 11,4%.

Alguns dos fatores que levam os investidores estrangeiros a eleger esta região de Portugal em detrimento de outras são: a mobilidade, o talento e o crescimento do mercado local. Estes investidores estrangeiros são maioritariamente da Europa, nomeadamente França, Alemanha, Espanha e Suíça, mas há cada vez mais investimento a vir de países como os Estados Unidos, o Canadá e o Japão. Em relação aos setores-chave onde se centram estes projetos de IDE é de destacar a indústria transformadora, o digital e o agroalimentar.

O passado, o presente e o futuro do investimento estrangeiro em Portugal

O primeiro grande investimento estrangeiro em Portugal realizou-se em 1991 quando a Volkswagen decidiu investir para criar a Autoreuropa. Com um investimento inicial de mais 1,7 mil milhões de euros, a Autoeuropa teve um grande impacto na economia nacional, contribuindo para a criação de milhares de postos de trabalho e de diversas empresas fornecedoras e prestadoras essenciais ao seu funcionamento e atraindo algumas das principais empresas estrangeiras do setor automóvel para o nosso país. Atualmente, a empresa conta com cerca de 4 000 trabalhadores e tem um impacto de 1% no PIB e de 4% nas exportações nacionais. Trata-se, portanto, ainda hoje, do maior investimento estrangeiro em Portugal.

Atualmente, são vários os projetos de IDE que se têm desenvolvido em Portugal, desde a criação de startups à expansão de grandes empresas internacionais. É possível destacar duas delas pelo impacto que têm tido na economia nacional: a Bosch e a Claranet.

A marca alemã Bosch conta já com 3 fábricas em Portugal e a sua prioridade continua a ser o investimento no nosso país. Só este ano, a multinacional alemã conta investir 80 milhões de euros nas suas instalações de Braga e Ovar. Até 2022, a Bosch tenciona investir cerca de mais 90 milhões de euros em Portugal em parcerias com universidades e expansões das fábricas. Também ao nível do emprego, a empresa tem tido um impacto significativo, uma vez que conta já com cerca de 5 300 colaboradores e espera ainda contratar mais 300.

A Claranet é um exemplo de uma empresa mais pequena, mas que tem tido um significativo impacto na economia nacional, graças ao elevado investimento que a multinacional britânica tem feito no nosso país. Desde que veio para Portugal, a empresa especialista em serviços de armazenamento, cloud e segurança informática já procedeu a operações de aquisição de 6 empresas tecnológicas que exerciam em Portugal e inaugurou ainda um centro de segurança informática, canalizando assim um avultado investimento para o nosso país. Este grande investimento também tem sido canalizado para a contratação de vários profissionais, sendo que emprega já mais de 600 pessoas e prevê contratar até ao final do ano mais 100 funcionários.

Mas nem só de indústrias se fará o futuro do IDE em Portugal. Para muitos, a aprovação da nova lei dos REIT, ou SIGI – sociedades de investimento e gestão imobiliária -, abre horizontes e novas oportunidades a um maior investimento estrangeiro no imobiliário português. De acordo com a nova lei das SIGI, Portugal vai cobrar um imposto de apenas 10% neste tipo de investimento, de forma a incentivar, promover e aumentar o IDE no nosso país.

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