Economia Pessoal

Análise de Crédito: o que avaliam os bancos antes de concederem um crédito

6 Setembro, 2019

A análise de crédito é uma questão fundamental para quem está a pensar financiar-se junto de uma instituição bancária. Descubra quais os fatores que podem influenciar a concessão de crédito e esteja preparado para quando solicitar um empréstimo ao banco.


Risco de crédito: o que é?

Sempre que um banco concede um crédito fica sujeito ao risco de o cliente não conseguir honrar os seus pagamentos e saldar a sua dívida. A este risco é dado o nome de risco de crédito. Trata-se, portanto, de um risco associado à possibilidade de a instituição ter perdas financeiras ao conceder um empréstimo a um determinado cliente. Torna-se por isto fundamental proceder a uma análise de crédito exaustiva, de modo a determinar com um certo grau de segurança se é possível aquele cliente pagar o valor que está a pedir e perceber se a concessão de crédito é viável.

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Seis fatores determinantes na análise de crédito

Nesta análise de crédito que as instituições bancárias realizam, alguns fatores assumem particular protagonismo e tornam-se determinantes na tomada de decisão. Atualmente, são seis os fatores que os bancos privilegiam: caráter do cliente, taxa de esforço, património do cliente, garantias hipotecárias, capacidade de gestão e relação entre o banco e o cliente.

O caráter do cliente é, normalmente, o primeiro fator que a instituição tem em conta quando faz esta análise. É fundamental perceber qual o comportamento do cliente perante os seus compromissos financeiros, se existem dívidas ou se o cliente é pontual nos pagamentos. Para verificar a reputação do cliente e avaliar a sua solvabilidade, os bancos recorrem, normalmente, ao Mapa de Responsabilidades de Crédito, um documento disponível na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, onde estão registadas todas as informações sobre todos os créditos que já contraiu, assim como possíveis incumprimentos ou valores em dívida.

A taxa de esforço é outro dos fatores mais importantes na análise de crédito, uma vez que permite às entidades perceberem se ainda existe margem de manobra nos rendimentos do cliente para realizar os pagamentos nos prazos devidos. A taxa de esforço permite calcular qual o peso dos encargos de créditos contraídos no orçamento familiar mensal. Se esta taxa de esforço for elevada indica ao banco que existe uma menor probabilidade de o empréstimo vir a ser pago na sua totalidade e no período definido, o que pode levar à recusa do crédito.

O património do cliente é outro indicador que as instituições financeiras também usam nesta análise, pois permite-lhes averiguar quais as fontes de rendimento do cliente, assim como os seus bens, e se estes serão suficientes para assegurar o pagamento da dívida. Ao investigarem este património, os bancos procuram sempre por garantias hipotecárias – outro fator determinante na análise de crédito -, para que, em caso de incumprimento, possam reaver o valor em dívida através destes bens. A existência destas garantias hipotecárias confere ao cliente uma credibilidade acrescida e, consequentemente, maior probabilidade de garantir a concessão do crédito.

A análise de crédito considera também a capacidade de gestão e adaptação do cliente como um fator determinante nesta avaliação, sendo que as instituições bancárias necessitam de perceber como o cliente reagirá perante situações adversas, como uma situação de desemprego ou a diminuição do orçamento mensal. Para a avaliação deste critério, os bancos utilizam não só os fatores anteriores, mas também outros dados pessoais como a posição profissional, o nível de escolaridade ou a estabilidade no emprego.

Também a relação entre o banco e o cliente é relevante para a tomada desta decisão. A existência de uma relação anterior ao pedido de concessão de crédito com a instituição poderá ser uma mais-valia. A instituição bancária conhece o cliente que faz o pedido e isso transmite maior segurança e confiança ao conceder o empréstimo, para além de também ser essencial para traçar o perfil do cliente.

Por último, fatores como a idade ou o número de titulares no pedido de crédito também poderão pesar nesta decisão. Relativamente à idade, os bancos tendem a recusar o crédito a pessoas com menos de 25 e mais de 45 anos, uma vez que, no primeiro caso, consideram que não existe ainda estabilidade financeira e profissional para assumir um compromisso destes, e, no segundo, receiam que não exista tempo suficiente para que lhes seja pago o montante em dívida. Já em relação ao número de titulares, é sempre preferível que exista mais do que um titular a assumir o compromisso, pois a instituição sente-se mais confortável e confiante em relação aos pagamentos. Desde o passado mês de julho, também critérios ambientais e de sustentabilidade começaram a ser tidos em conta por alguns bancos nas análises de crédito.

Novas restrições à concessão de créditos à habitação

As análises para a concessão de créditos à habitação são umas das mais exigentes, uma vez que os montantes pedidos tendem a ser bastante elevados e, por isso, os bancos precisam de mais garantias. Por esta razão, em 2018, o Banco de Portugal criou novas restrições para a concessão deste tipo de créditos. Neste sentido, é recomendado que a taxa de esforço de todos os créditos contraídos – habitação e consumo – não ultrapasse os 50% do total de rendimentos obtidos mensalmente; que o valor emprestado não corresponda a mais de 90% do valor do imóvel dado em garantia; e, ainda, que o limite de duração do empréstimo seja, no máximo, 40 anos. 

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