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Golfe: uma tacada a impulsionar a economia nacional

5 Setembro, 2019

Muito mais que elitista e direcionado para os estrangeiros, o golfe é um dos desportos mais antigos em Portugal e é atualmente um dos que tem maior impacto na economia nacional. A sua democratização está nos planos futuros.


Golfe: uma modalidade com História

Muitas vezes é visto como um desporto trazido recentemente para Portugal pelos estrangeiros que passam férias no Algarve ou pelos empresários que por cá fazem negócios, mas o golfe já está presente no nosso país desde o século XIX. É verdade que foram os ingleses a trazer esta modalidade para Portugal, mas ainda no século XIX, em 1890, quando foi inaugurado o primeiro campo de golfe a nível nacional, o Porto Golfe Clube. Nas décadas seguintes, o golfe continuou a desenvolver-se e foram surgindo novos campos em Lisboa, Madeira e Açores. Em 1937, o golfe chegou ao Algarve, região onde a prática deste desporto se desenvolveu de tal forma que é hoje um dos principais destinos de golfe do mundo.

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Mesmo em relação à organização de provas internacionais, temos de recuar até meados do século XX para encontrar o primeiro torneio internacional de golfe organizado em Portugal. Em 1953 – 13 anos antes da Seleção Nacional de Futebol se estrear num Campeonato do Mundo – organizava-se o primeiro Open de Portugal, um dos torneios mais antigos e conceituados da Europa. O Open de Portugal conta já com 57 edições e, entre 1972 e 2017, fez parte do European Tour, a principal competição de golfe da Europa. Nos últimos 2 anos passou a fazer parte do calendário do Challenge Tour, a segunda competição mais importante no contexto europeu. No European Tour estão, no entanto, outros dois torneios realizados em solo nacional, o Portugal Masters e o GolfSixes Cascais.

Os portugueses que brilham no golfe

Para esta grande evolução do golfe nacional muito tem contribuído a presença e os bons resultados dos representantes nacionais nas mais importantes provas internacionais, nomeadamente nos últimos Jogos Olímpicos, onde participaram Filipe Lima e Ricardo Melo Gouveia. No passado mês de julho, Portugal voltou a dar um passo em frente na evolução e promoção do golfe nacional ao conseguir uma medalha de bronze na Segunda Divisão do Campeonato da Europa Amador de Equipas Masculinas, garantindo a subida à Primeira Divisão.

Os bons resultados dos atletas são por norma o indicador mais visível do desenvolvimento de um desporto num determinado país, conferindo-lhe maior protagonismo e atraindo praticantes da modalidade ao país. No caso de Portugal e do golfe nacional, as previsões são bastante favoráveis, uma vez que, atualmente,  contamos com dois participantes portugueses no European Tour, Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo. Esta representação lusa é fundamental para estabelecer Portugal como um país de golfe.

Além disso, Portugal foi eleito, pelo 5º ano consecutivo, como “Melhor Destino de Golfe do Mundo nos World Golf Awards de 2018. Também os “greens” (campos de golfe) nacionais foram distinguidos com o prémio de “Melhor Destino de Golfe da Europa” neste evento. Segundo o Turismo de Portugal, “aspetos como o clima, a cultura, a gastronomia e os vinhos, as praias, a história, a variedade das paisagens, e sobretudo, a hospitalidade do povo português, são, certamente, elementos diferenciadores que fazem de Portugal um destino de excelência para a prática da modalidade e o seu reconhecimento tem-se verificado através dos vários prémios conquistados ao longo dos últimos anos”.

A tacada de sucesso para a economia nacional

Com a crescente expansão deste desporto e o consequente reconhecimento de Portugal como um país de golfe, a modalidade tem um peso económico cada vez mais relevante no contexto nacional. Segundo um estudo da Associação de Turismo do Algarve, só no ano de 2017, o turismo de golfe  gerou na região receitas diretas no valor de 370 milhões de euros e um ganho global de 500 milhões de euros. Estes dados demonstram a sua importância estratégica para o turismo e economia nacionais. É importante realçar ainda que, de acordo com este mesmo estudo, se calcula que o golfe tenha sido responsável pela criação de 16,8 mil empregos, contribuindo assim para a diminuição da taxa de desemprego.

Um outro impacto fundamental do golfe na nossa economia passa pelo combate à sazonalidade, particularmente relevante em regiões muito marcadas pelo turismo de verão, como o Algarve. O facto de termos um clima bastante favorável à prática de golfe durante o ano inteiro, ajuda a que todo os meses cheguem vários turistas ao nosso país para praticar esta modalidade. E claro, de forma indireta, ativa diversas atividades económicas entre as quais a restauração, a hotelaria e os transportes, gerando elevadas receitas para estes setores.

O futuro do Golfe: mais praticantes

Embora muitas vezes visto como um desporto elitista, o grande objetivo da Federação Portuguesa de Golfe (FPG) é aumentar o número de participantes e acabar com este estereótipo, fazendo o golfe chegar a todas as crianças e jovens, de todos os estratos sociais e qualquer que seja a sua condição. Para o alcançar, a FPG tem apostado em diversas iniciativas que procuram levar o golfe de Norte a Sul do País e do litoral ao interior. Uma destas iniciativas passa por incluir o golfe no programa curricular de Educação Física ou surgir como hipótese nas atividades extracurriculares.

Para além disto, a FPG também tem vindo a apostar no desenvolvimento de infraestruturas para a prática da modalidade e a pensar na formação dos mais novos. Entre estes projetos é de realçar o Centro Nacional de Formação de Golfe do Jamor que forma crianças e jovens e que está preparado para receber treinos e provas de alta competição de golfe adaptado para atletas com deficiências motoras. A FPG também tem vindo a desenvolver protocolos com instituições que apoiam pessoas com doenças mentais para que possam usufruir deste espaço e dos benefícios do golfe. 

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