Radar económico

Star Market: o novo índice da bolsa de Shangai

4 Setembro, 2019

Para continuar a apostar no desenvolvimento científico e tecnológico e dar resposta ao índice tecnológico norte-americano, a China acaba de estrear o STAR Market. Mas como funciona? E quais são os requisitos necessários para as empresas pertencerem a este índice bolsista?


STAR market: como funciona?

Esta iniciativa ocorreu na sequência do conflito comercial entre os EUA e a China, funcionando como uma chave para proteger a indústria tecnológica da China que tem vindo a sofrer golpes por parte dos norte-americanos ao longo dos anos. Assim, a chegada do STAR market, também conhecido por Sci-Tech Innovation Board, é a resposta da China ao Nadasq, sendo considerado uma plataforma de investimento com o objetivo de potenciar startups chinesas com vista a promover o seu crescimento tecnológico. Além disso, outro dos objetivos deste índice bolsista passa também por convencer os investidores e as empresas tecnológicas chinesas a financiarem-se na China e não nos EUA ou em Hong Kong.

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Inicialmente composto por 25 empresas, há a possibilidade de o número vir a aumentar já que existem mais de 140 pedidos de companhias para negociar as suas ações no Star market com o objetivo de angariar 16,6 mil milhões de euros. O interesse não é de espantar já que, só durante a estreia registaram-se valorizações até 520% de diversos setores, desde a fabricação de chips, organizações ligadas à biotecnologia ou inclusivamente à inteligência artificial. A verdade é que estas empresas logo na primeira semana de negociações reuniram 37 mil milhões de yuan, o que significa que já ganharam 4,8 mil milhões de euros. Por exemplo, a fabricante de módulos de células solares Anji e a fabricante de chips, Montage Technology subiram até 520% e 285%, pois beneficiaram da ausência de limites na oscilação de preços, durante os primeiros dias das negociações.

Made in China 2025

Todas estas empresas estão alinhadas com a iniciativa Made in China 2025, impulsionada pelo Estado chinês e com o plano quinquenal que tem como propósito transformar a China numa superpotência industrial que domine as áreas da alta tecnologia, nomeadamente setores que pertençam à inteligência artificial, energia renovável, robótica ou aos carros elétricos. No entanto, muitos investigadores referem que é importante esperar para ver os resultados a longo prazo desta nova aposta da China, uma vez que esta superpotência já lançou outros mercados de ações noutros anos.

É importante referir que este índice é o único na China que permite vendas curtas e que pretende tirar partido da queda do valor das ações, pois a vantagem deste mercado está relacionada com o facto de os investidores pedirem ações emprestadas para as vendas no mercado e de seguida adquiri-las a um preço mais acessível. Já os EUA condenam a transferência de tecnologia por empresas estrangeiras, a atribuição de subsídios a empresas domésticas e obstáculos regulatórios que protegem os grupos chineses da competição externa.

Quais os requisitos para as empresas entrarem neste índice?

As empresas que pretendem entrar no Star Market devem saber que através de um sistema de pedido de registo para a oferta pública de venda, têm de especificar os ganhos e as suas operações. De seguida, o regulador de Shangai irá estudar os documentos e depois ficará à responsabilidade do mercado avaliar as respetivas empresas. As empresas que pretendam entrar neste índice não precisam de apresentar lucros se alocarem pelo menos 15% das receitas destinadas às áreas da investigação e de desenvolvimento ou na eventualidade de terem produtos tecnológicos em avançado desenvolvimento.

Além disso, é importante salientar que outro dos requisitos que as empresas devem satisfazer passa por alocarem pelo menos metade das suas ações para fundos mútuos e devem limitar a negociação a investidores com um saldo de pelo menos 500.000 yuan, isto é, mais de 64 mil euros, tendo no mínimo dois anos de experiência a negociar em bolsa. Relativamente à flutuação dos títulos cotados no Star Market, estes estão sujeitos a limites menos restritivos do que os que integram outros índices na bolsa de Shangai. Por exemplo, enquanto no Star market os títulos podem subir ou descer até 30%, e só acima desse valor o regulador impõe uma suspensão à negociação do título, para os outros títulos na bolsa de Shangai o regulador suspende a negociação por um dia se subirem ou descerem mais de 10%. 

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