Radar económico

Como tem sido o desempenho da economia portuguesa em 2019?

26 Julho, 2019

Entre incertezas e riscos, como tem sido o desempenho económico de Portugal desde o início do ano? E o que é que podemos esperar para o futuro?


A evolução da economia em Portugal desde o início de 2019

Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia portuguesa tem vindo a crescer desde o início do ano, tendo obtido um aumento de 1,8% do PIB em relação ao período homólogo. Embora este crescimento seja baixo – apenas 0.5% em relação ao último trimestre do ano anterior – trata-se de uma aceleração no crescimento da economia nacional e, consequentemente, uma boa notícia para o mercado nacional.

Depois de, no final do ano passado, a economia ter sofrido um abrandamento sobretudo por causa da diminuição do volume de exportações, 2019 começa com um crescimento da economia impulsionado pela procura interna, particularmente ao nível do investimento. No entanto, as exportações continuaram a contribuir de forma negativa para a evolução do PIB. De acordo com o Ministério das Finanças, o “aumento mais pronunciado da procura interna e, particularmente, do investimento, mais do que compensou a diminuição do contributo para o crescimento proveniente do comércio internacional”.

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Durante os primeiros meses deste ano, o investimento obteve um aumento de 17,8% em relação ao período homólogo. O significativo aumento deste indicador prende-se sobretudo com o crescimento de 12,4% da construção e ainda mais da componente de máquinas e equipamentos, que acelerou para 16,8%.

Outro dos indicadores económicos que também aumentou foi o consumo privado, que contou com uma subida de 2,5%, enquanto que o consumo público cresceu 0,4%. Embora ambos os indicadores tenham registado um aumento em relação ao período homólogo, estes valores traduzem um abrandamento do crescimento do consumo.

Também as importações estão a crescer mais do que as exportações, uma vez que se registou um aumento de 9,4% nas importações e apenas uma subida de 3,4% nas exportações. Estes valores acabam por contribuir para uma balança comercial deficitária. Segundo o INE, a procura interna deu um contributo de 4,8% para o crescimento da economia, compensando o abrandamento das exportações, e consequentemente da procura externa líquida, cujo contributo para o crescimento da economia foi negativo em 3,1% em termos homólogos.

A inflação é outro dos indicadores económicos a ter em conta nesta análise. Em junho, o valor da inflação situava-se nos 0,7%, significativamente abaixo da média da UE, de acordo com a Comissão Europeia. A inflação está a ser atenuada pelos preços mais baixos do petróleo e também pelas “restrições regulatórias” nos preços da energia e do transporte público.

Brexit e guerra comercial: as ameaças externas ao desempenho da economia nacional

São vários os riscos que têm sido apontados como possíveis ameaças a uma evolução positiva da economia mundial e, consequentemente, da economia nacional. No entanto, entre todos estes riscos, é de salientar o Brexit e a guerra comercial entre os EUA e a China, sendo que são dois dos principais temas da atualidade mundial, assim como duas questões com resultados e efeitos imprevisíveis.

Embora os efeitos não se façam sentir de forma significativa já este ano, o Banco de Portugal estima que, se o Reino Unido avançar para um Brexit sem acordo, a economia nacional apenas cresça 1% em 2021, cerca de menos 0,6%. No caso de o Brexit avançar com acordo, tal como previsto, a instituição não prevê nenhuma alteração no valor estimado para o crescimento deste ano (1,7%), apenas um ligeiro abrandamento em 2020 para 1,6%.

A guerra comercial entre os EUA e a China é outra das grandes ameaças que têm vindo a pairar sobre a economia mundial e a causar um grande clima de incerteza nos mercados internacionais. Neste sentido, Portugal não conseguirá escapar a qualquer oscilação do mercado provocada por esta guerra comercial. No entanto, segundo alguns especialistas, Portugal poderá ser um dos países mais beneficiados com esta situação, uma vez que ambas as economias terão de procurar outras opções comerciais e o nosso país surge na linha da frente do comércio com ambas as superpotências.

O que esperar para o futuro da economia nacional?

Durante este e os próximos anos espera-se um abrandamento do crescimento económico nacional, acompanhando assim a tendência prevista para as economias da UE. Ainda assim, o Governo espera que o crescimento total de 2019 fique nos 1,9%, acima dos 1,7% previstos pela Comissão Europeia, pelo FMI e pelo Banco de Portugal e também acima dos 1,6% antecipados pelo Conselho das Finanças Públicas. Quanto a 2020 e 2021, a projeção do Banco de Portugal é de um crescimento de 1,6% em ambos os anos. O Banco de Portugal aponta ainda para a manutenção do crescimento das exportações, mas a um ritmo mais moderado do que nos últimos anos, o que contribuirá para o desequilíbrio da balança comercial.

Num relatório publicado no passado mês de julho, o FMI projetava o futuro da economia nacional. Entre alguns aspetos mencionados, o organismo apontava para a possibilidade de estarmos perante um excedente orçamental já em 2020 e alertava o Governo para a necessidade de apostar no investimento público. Além do mais, o FMI previa ainda a diminuição da dívida pública, alcançando a meta dos 100% em 2024, e uma subida ligeira da inflação durante os próximos anos.

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