Radar económico

Carros elétricos: será esta a aposta do futuro?

2 Julho, 2019

As vendas de carros elétricos em Portugal dispararam 95% entre 2017 e 2018. Será que este crescimento veio para ficar? E quais são os entraves que representa para o futuro da mobilidade elétrica?


 8.241 carros elétricos vendidos em 2018

As vendas de automóveis elétricos dispararam em 2018, passando de 4.237 carros vendidos em 2017 para 8.241 veículos transacionados um ano depois. Os números revelam que Portugal se encontra bem posicionado no que diz respeito ao segmento dos carros elétricos, uma vez que, de acordo com o estudo da Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA), Portugal é o único país da União Europeia com um PIB per capita inferior a 20 mil euros que conta com uma quota de mercado de carros elétricos de 3,5%. Com esta percentagem, estamos ao nível de países como a Suíça, que tem uma quota de 3,2%, sendo apenas ultrapassado pela Noruega, Suécia, Holanda e Finlândia. Além disso, Portugal já é considerado o sexto país do mundo que mais vende carros elétricos.

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Em 2019 a tendência parece manter-se, já que só no primeiro trimestre do ano se venderam 2.174 veículos 100% elétricos, o que representa uma subida de 188%. O presidente da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, Henrique Sánchez, defende que este crescimento deve-se essencialmente “ao aumento para 38 do número de modelos disponíveis no mercado e com o aumento da autonomia dos veículos”. A Nissan, marca líder deste segmento, prevê que em 2019 as vendas possam aproximar-se dos 12 mil veículos “verdes”. De acordo com os especialistas do setor, estima-se que este ano se registe o “triplo das vendas de 2018” e segundo António Pereira Joaquim, da Nissan, as previsões mantêm-se “sempre com uma forte tendência de crescimento para os próximos anos”.

Falta de carregamentos poderá colocar em risco a circulação dos veículos elétricos?

Apesar de a frota portuguesa de veículos não poluentes estar a crescer substancialmente, o estudo da Eurelectric – associação de empresas elétricas europeias –  sobre redes públicas de carregamento para a mobilidade elétrica revelou que Portugal não chega a ter um posto de carregamento público para cada 10 veículos elétricos. A entidade defende que o salto deve ser grande, dado que de 16.300 dos veículos elétricos existentes poderão passar para 655 mil em 2030. Petar Georgiev, especialista em mobilidade elétrica, alerta que devem ser feitos investimentos ao nível das infraestruturas de carregamento, já que caso isso não aconteça a descarbonização dos transportes via eletrificação estará em risco.

Nesse sentido, o Ministério do Ambiente anunciou a abertura de uma linha de apoio do Fundo Ambiental de maneira a financiar a instalação de pontos de carregamento rápido. Desta forma, serão disponibilizados 1,5 milhões de euros com o objetivo de apoiar a criação de mais de 100 postos de carregamento rápido e também para cobrir até 50% do custo dos carregadores rápidos. O ministério estima que sejam apoiados 100 novos carregadores, o que representa que a rede poderá vir a triplicar, tendo em conta que a principal missão passa por acompanhar o crescimento das vendas dos veículos elétricos a nível nacional. E, de acordo com o Secretário de Estado Ajunto e da Mobilidade José Mendes, com esta medida “passamos a ter condições para multiplicarmos muito exponencialmente as oportunidades de carregamento de veículos elétricos em Portugal”.

A verdade é que em Portugal existe um número insuficiente de postos públicos de carregamento de veículos elétricos, contando apenas com 1.531 tomadas em funcionamento. De acordo com as recomendações da legislação europeia, devem constar no máximo dez carros por cada ponto de carregamento, de forma a garantir o conforto dos consumidores. Segundo a Comissão Europeia, em Portugal há 12 veículos por cada ponto, o que nos afasta do Top 5  de países com mais postos de carregamentos por cada 1.000 habitantes, um ranking dominado pela Holanda, Noruega, Luxemburgo, Suíça e Áustria.

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