Economia Pessoal

Cartões Contactless: tudo o que precisa de saber

7 Junho, 2019

Há cada vez mais portugueses a utilizar cartões bancários com tecnologia contactless e, segundo a Mastercard, em 2018 o número destas transações cresceu 126% face ao ano anterior. Mas como funciona este método de pagamento? E será realmente seguro?


Como funcionam os cartões contacless?

Os cartões contactless podem ser tanto de débito, crédito ou pré-pagos, sendo que esta tecnologia também pode ser disponibilizada em relógios, pulseiras ou inclusivamente num smartphone. Com estes cartões não precisa de introduzir o pin, uma vez que basta aproximar o cartão a menos de 4 centímetros de um terminal de pagamento automático (TPA) e a transação é realizada com sucesso. Mas atenção! Saiba que o seu cartão deve conter o símbolo do contactless – um símbolo com várias ondas em sequência, como se fosse um sinal de radar – para poder fazer pagamentos desta forma. De acordo com o Banco de Portugal “a tecnologia contactless é vantajosa para o consumidor uma vez que lhe facilita fazer pagamentos sem que o cartão saia da sua mão e sem que tenha de inserir o seu código pessoal em público”.

A tecnologia de leitura por aproximação (contactless) só é ativada a partir do momento em que utilizar, pela primeira vez, o cartão contactless numa caixa automática ou assim que realizar um pagamento através do TPA em que seja necessário inserir o PIN. Além disso, nas transações contactless, por razões de segurança, existem limites no que diz repeito aos pagamentos que pode fazer por cada compra sem ter de inserir o PIN e, por norma, em Portugal cada pagamento contactless não pode exceder o valor máximo de 20€. Existe ainda outro limite em relação ao valor de pagamentos consecutivos que pode realizar através deste método: geralmente rondam os 60€, porém o melhor será informar-se junto do seu banco sobre os limites que são aplicáveis.

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E não se esqueça: uma vez ultrapassados estes limites, o cliente só pode voltar a efetuar pagamentos contactless após realizar uma operação com TPA em que seja necessário introduzir o pin do respetivo cartão. E não se surpreenda caso lhe seja solicitado o PIN do cartão mesmo que a transação cumpra os limites máximos definidos: trata-se de uma medida de segurança adicional que pode ser acionada pontualmente. No entanto, saiba que estes cartões contactless também podem ser utilizados para realizar pagamentos sem recurso a esta tecnologia, incluindo em TPA que não estão preparados para processar pagamentos contactless. Nesse caso tem sempre de inserir o código associado ao cartão.

O contactless é um método seguro?

Segundo o Banco de Portugal, os cartões de pagamento sem contacto têm uma uma tecnologia que oferece maior segurança ao titular do cartão e maior proteção contra tentativas de fraude, e por isso a possibilidade de roubo é mais reduzida. Aliás, o administrador do Banco de Portugal, Hélder Rosalino, defende que os cartões contactless deveriam substituir as moedas e as notas nos pagamentos de baixo valor e acrescenta que “a promoção deste tipo de utilização poderia também contribuir para aumentar o recurso ao cartão de débito junto de setores de negócio onde este instrumento de pagamento nem sempre é aceite. Por exemplo, para efetuar pagamentos de baixo valor nos transportes públicos (metro, comboio, autocarro, entre outros)”.

Transações contactless duplicam em Portugal

De acordo os dados divulgados pela MasterCard, em 2018 o número de transações contactless em Portugal cresceu 126% face a 2017, mas continua aquém daquilo que é expetável, dado que na Europa quase um em cada dois pagamentos em loja são feitos através de cartões contactless. Segundo Paulo Raposo, country manager da Mastercard, ainda há um longo caminho a percorrer, uma vez que as transações Contactless em Portugal representam menos de 3% do total de transações, quando, em outros países europeus já representa entre 30 e 50% do total”. Aliás, a Mastercard realizou uma pesquisa onde revelou que existiu um crescimento em toda a Europa de 97% das transações contactless desde o início de 2018, sendo que “em mais de 15 países incluindo Dinamarca, Croácia, Grécia, Hungria, Holanda, Polónia e Rússia, as transações contactless em loja estão acima dos 50%”.

O responsável menciona duas razões para o facto de Portugal estar atrasado em relação à Europa. Por um lado, “Portugal deu passos de gigante, a partir da década de 80 do século passado, na adoção de soluções eletrónicas de pagamento, mas precisa, agora, de fazer evoluir a arquitetura do modelo de pagamentos vigente, a qual se transformou num entrave à inovação, peça fundamental na construção de uma sociedade cada vez mais cashless, ou seja, em que os pagamentos em dinheiro sejam substituídos, definitivamente, por pagamentos digitais”. Por outro, Paulo Raposo aponta a “falta de sensibilização de todos os agentes económicos para as vantagens desta tecnologia ao nível da simplicidade, da conveniência e da segurança. ” Em Portugal, uma das poucas experiências que houve neste domínio foi feita em parceria entre a Mastercard, a Antral e a MyPOS”.

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