Economia Pessoal

Pagar com dinheiro será coisa do passado?

3 Junho, 2019

Os portugueses estão a aderir cada vez mais aos pagamentos eletrónicos. Mas qual será o método de pagamento mais utilizado? E será que o dinheiro físico é realmente coisa do passado?


Pagamentos com cartão bancário: o método preferido dos portugueses

De acordo com o Banco de Portugal, foram realizadas mais de 2,7 mil milhões de operações de pagamento em 2018 e nestas foram transacionados 491,5 mil milhões de euros. E os cartões bancários continuam a ser o método de pagamento mais utilizado em Portugal, registando uma subida de 86,6% nos pagamentos de retalho face a 2017. Ao longo do ano, o SICOI (Sistema de Compensação Interbancária) processou 2.368 milhões de operações com cartão e apresentou um montante global de 125,3 mil milhões de euros, sendo que essa utilização representou uma subida de 8.4% em número e 8,9% em valor. No que diz respeito à utilização dos cartões contactless, as compras com recurso a esta tecnologia aumentaram 157% em número e 170% em valor, o que significa que os portugueses estão a adotar soluções de pagamento cada vez mais inovadoras.

Relativamente às transferências de crédito, este foi o instrumento que cresceu mais, em termos de utilização, ao longo de 2018, tendo sido efetuadas 156,1 milhões de transferências a crédito, no valor de 249,3 mil milhões de euros. Estes valores correspondem a um crescimento de 9% em número e 12,1% em valor. Para Carlos Costa, líder da SICOI, as transferências a crédito assumem maior relevância em valor em Portugal e representam 50,7% do valor total das operações com meios eletrónicos, enquanto os cartões apenas pesam 25,5%. No que toca aos débitos diretos, estes foram utilizados em 180,2 milhões de operações, encontrando-se 0,5% acima do que foi apresentado no ano anterior e, em valor, cresceu 6% para um total de 26 mil milhões de euros.

Será este o fim anunciado do dinheiro físico?

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Vivemos numa era digital em que os portugueses estão a aderir cada vez mais aos pagamentos eletrónicos. Será que agora que o dinheiro “invisível” faz tão parte do dia-a-dia dos consumidores, as notas e as moedas vão deixar de ser opção? De acordo com a Accenture, o mercado global de pagamentos por telemóvel cresce 24% ao ano e estima-se que em 2019 atinja os 1,08 biliões de dólares. Michael Schein, CEO da Accion (organização sem fins lucrativos), acredita que o dinheiro físico é coisa do passado, dado que “é caro, ineficiente, pode ser facilmente roubado ou perdido e é um entrave ao progresso”. O responsável da associação que tem vindo a promover a inclusão financeira com os pagamentos eletrónicos assegura que “existem três mil milhões de pessoas de fora ou mal servidas pelo setor financeiro tradicional e tornar os pagamentos digitais pode fazer a diferença”.

A nível mundial, o melhor exemplo é a Suécia, líder mundial em dinheiro eletrónico, uma vez que está previsto que metade dos retalhistas suecos deixem de aceitar notas a partir de 2025 e inclusivamente que as igrejas passem a aceitar donativos via sms. Além disso, é importante referir que as transações em dinheiro representaram apenas 2% do valor total em 2016. Os especialistas acreditam que o número ainda será mais reduzido em 2020, baixando para 0,5%, daí que existam previsões de que a Suécia se torne a primeira sociedade cashless em 2030. Para Sebastião Lancastre, CEO da EasyPay, “o futuro de Portugal vai ser sem dinheiro físico na carteira, porém nos últimos tempos, o país perdeu o rumo e estamos a ficar para trás em tudo o que é inovação nesta área”.

Qual é o futuro dos pagamentos?

De acordo com Paula Antunes da Costa, country manager da Visa em Portugal, esta transformação para uma sociedade sem dinheiro físico irá continuar prevendo-se que 70% do mundo – mais de 5 mil milhões de pessoas – esteja interligado através de dispositivos móveis até 2020. Aliás, segundo a responsável, “essas ligações vão ajudar a facilitar a transição para um futuro sem dinheiro físico originando transações e pagamentos digitais que funcionam de forma segura, em qualquer lugar e em qualquer dispositivo”.

Paula Antunes da Costa acredita que outra tendência do futuro passará por realizar pagamentos através de plataformas de mensagens de forma a ir ao encontro do consumidor digital. Também Paulo Raposo, country manager da Mastercard em Portugal, partilha da mesma opinião e estima que em 2020 cerca de 38% dos pagamentos sejam eletrónicos já que “a proliferação de smartphones, juntamente com a maior conetividade transforma a forma como interagem entre si, mas também aumenta as expetativas que estas têm relativamente às experiências de compra”. Paulo Raposo defende que os consumidores de hoje pretendem fazer compras mais fáceis e rápidas e nesse sentido a tecnologia contactless vem dar resposta a essa necessidade.

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