Radar económico

O bom momento da Metalurgia e Metalomecânica em Portugal

30 Maio, 2019

Em 2018 as exportações do setor metalúrgico e metalomecânica aumentaram 11,3% para 18.334 milhões de euros face ao ano anterior. Conheça as previsões para 2019 e quais são os principais mercados que contribuem para a evolução do setor.


Exportações de metalurgia e metalomecânica batem recorde em 2018

O setor da metalurgia e da metalomecânica tem vindo a crescer de forma significativa nos últimos anos, sendo considerado o principal exportador nacional. E os números são bastante esclarecedores: de acordo com os dados divulgados pela Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMAAP), em 2018 as exportações do mês de dezembro registaram um crescimento homólogo de 20,5% para 1.418 milhões de euros. O vice-presidente da associação, Rafael Campos Pereira, afirmou em declarações à agência Lusa que “se o ano anterior tinha sido o melhor de sempre, este pulverizou todas as expetativas”, defendendo que este resultado é fruto do “trabalho consistente que tem vindo a ser feito ao longo dos últimos anos pelas empresas do setor, que investiram fortemente em qualidade, fatores de diferenciação, inovação e formação dos recursos humanos, posicionando-se junto de empresas de referência e nos mercados mais exigentes”.

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O vice-presidente da AIMAAP salienta que dezembro “foi o melhor mês da história desta indústria, o que contribuiu para se ter atingido a marca de 28 meses consecutivos a suplantar os mil milhões de euros em exportações”. Além disso, a entidade lembra que “setembro foi o 25º mês consecutivo em que as exportações do setor suplantaram os 1.000 milhões de euros”, atingindo 1.563 milhões de euros, o que representa um aumento de 8,6% em relação ao período homólogo de 2017. Para a associação, “este número suscita evidentemente uma grande satisfação” uma vez que “há mais de dois anos consecutivos que são exportados valores superiores a 1.000 milhões de euros por mês”.  Aliás, Rafael Campos Pereira referiu também que estão a verificar um crescimento acima do esperado, isto é, se 2017 tinha sido o melhor ano para a indústria, uma vez que o setor ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 16 milhões de euros de exportações, 2018 “superou as expetativas mais otimistas”.

E quais as previsões para 2019?

O setor da metalurgia e da metalomecânica é responsável por 18% do PIB e a verdade é que o seu crescimento muito se deve ao bom desempenho dos mercados europeus. A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMAAP) defende que a indústria obteve um “elevado crescimento” nos seus principais mercados, nomeadamente no da Alemanha, França e Espanha, sendo que “mesmo o Reino Unido continuou a evoluir positivamente, resistindo à incerteza quanto ao Brexit”. Além disso, é importante que as empresas apostem no mercado italiano, que tem vindo a crescer substancialmente, uma vez que subiu mais de 70% em relação a 2017 e ocupa atualmente o quinto lugar no ranking dos principais mercados, mas também no mercado do Brasil ou da China, dado que o setor não cresceu nestes países nos últimos anos.

Segundo a AIMAAP, a indústria da metalurgia e da metalomecânica encontra-se mais exposta “às flutuações dos mercados internacionais” devido ao seu elevado grau de internacionalização, tendo em conta que abrange diversos materiais como as cutelarias, a loiça, máquinas e os equipamentos de transporte automóvel e aeronáutico. E o vice-presidente da associação refere ainda que este programa de internacionalização vai contribuir para melhorar o posicionamento global da marca METAL Portugal, desenhada para “elevar a perceção de qualidade e inovação deste setor num mundo cada vez mais global e competitivo”. Outro dos objetivos da associação e da marca METAL Portugal é valorizar as empresas portuguesas a nível mundial e “demonstrar a tecnologia avançada em Portugal, posicionando as empresas no mapa de fornecedores mundiais qualificados de importantes indústrias e ‘clusters’”.

De acordo com a visão do vice-presidente da entidade, as previsões para 2019 são de manutenção do crescimento, tendo em conta que é essencial que “se mantenham as atuais políticas do Banco Central Europeu, com taxas de juro baixas e alguma estabilidade”, e também é necessário apostar na qualidade, inovação e diferenciação através da digitalização de forma a compensar a desaceleração da economia. Rafael Campos Pereira acredita que “temos que ter uma agenda forte na área da digitalização, é importante que as nossas empresas continuem a acrescentar ainda mais valor à sua oferta, e nesse sentido, é muito importante que o Governo invista na digitalização e estimule as empresas nessa área. Não para a redução de postos de trabalho, mas para aumentar os perfis profissionais com maior substância e densidade tecnológica, e logo, com salários mais altos”.

O que pode condicionar o futuro da indústria?

Apesar de a indústria metalúrgica e metalomecânica estar a ganhar cada vez mais peso na economia nacional, a realidade é que as organizações têm sentido uma grande falta de mão de obra nos últimos tempos. Segundo a diretora da AIMAAP, Mafalda Gramaxo, “as empresas estão preocupadíssimas porque têm crescido e têm a possibilidade de crescer ainda mais, mas para isso precisam de trabalhadores qualificados e, neste momento, em Portugal sente-se uma necessidade muito grande e uma falta de mão de obra qualificada. Estimamos que faltam 25 mil trabalhadores”. Assim, torna-se fundamental aproveitar a mão de obra estrangeira, apelando à agilização da legalização destes trabalhadores. Além disso, de acordo com a associação, também é importante que as empresas invistam cada vez mais na inovação e na formação, nomeadamente em vertentes como a inteligência artificial, a cibersegurança, a automação ou a robótica.

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