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TAP: de Portugal para o mundo

29 Maio, 2019

A TAP tem grandes planos para 2019: 37 novos aviões, novas rotas e destinos e centenas de contratações. A Companhia Aérea Portuguesa, com mais de 70 anos de história, está em plena reestruturação e, apesar dos altos e baixos, promete continuar a voar mais alto.


Do lucro ao prejuízo: um 2018 difícil

Em 2018, a TAP bateu o recorde de passageiros transportados: 15,8 milhões. Número que representa um crescimento de 10,4% em relação a 2017. A empresa refere que este é um valor “bastante acima das médias de crescimento das companhias aéreas na Europa e a nível global”, mas, ainda assim, é um abrandamento em relação aos 21,7% registados em 2017. As rotas europeias foram as que mais contribuíram para este crescimento, contudo, o bom desempenho ao nível do número de passageiros transportados não se refletiu em termos económicos.

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Depois de em 2017 a companhia aérea ter tido um lucro de 21 milhões de euros, em fevereiro de 2019, o grupo TAP apresentou as contas de 2018: um prejuízo líquido consolidado de 118 milhões de euros. O que justifica esta perdas? Segundo a empresa, os principais motivos para este mau desempenho estão relacionados com o aumento do preço dos combustíveis, os custos com a restruturação e, em grande medida, os custos com os atrasos nos voos.

De acordo com um estudo realizado pela OAG e publicado pela Bloomberg, em 2018 a TAP foi mesmo a companhia aérea com mais atrasos do mundo: 42,4% dos voos aterraram com pelos menos 15 minutos de atraso. De acordo com o CEO da TAP, Antonoaldo Neves, em 2018 os atrasos na TAP custaram mais 40 milhões de euros do que em 2017, o que representou quase o dobro do valor registado no ano anterior. Daí que a empresa refira que cerca de 95 milhões dos prejuízos apresentados sejam não recorrentes e extraordinários.

Efetivamente, foram estes custos extraordinários com rescisões de contrato no âmbito da reestruturação, indeminizações aos passageiros por atrasos e fretamentos de aviões por cancelamentos devido às greves e não só, que pesaram nas contas da TAP. Na realidade, as receitas apresentaram um crescimento de 9,1%, passando de 2.978 milhões de euros em 2017 para 3.251 milhões em 2018. Como refere Miguel Frasquilho, presidente do conselho de Administração da empresa, “o ano de 2018 foi difícil para a TAP quer em termos operacionais, quer em termos económicos e financeiros, mas foi um ano que não comprometeu o nosso futuro”. E que também não é um reflexo do passado da TAP.

Ligar Portugal ao mundo pelos céus: 70 anos de história

A 14 de março de 1945 foi fundada a Transportadora Aérea Portuguesa, ou melhor, a Secção de Transportes Aéreos que estava sob alçada do Secretariado da Aeronáutica Civil. Por trás da sua criação esteve Humberto Delgado, o homem que, desde 15 de maio de 2016, empresta o nome ao aeroporto de Lisboa. A primeira viagem comercial da companhia realizou-se em setembro de 1946 com um voo de Lisboa para Madrid. A bordo do Dakota DC-3, adaptado da aviação militar para a aviação civil, seguiam onze passageiros e a tripulação. As bases estavam lançadas.

Em dezembro do mesmo ano foi inaugurada a “Linha Aérea Imperial” que ligava Lisboa, Luanda e Lourenço Marques – atual Maputo em Moçambique – numa viagem de ida e volta que durava 15 dias. Até ao final da década novos destinos foram adicionados: Sevilha, Paris e Londres. Sempre a crescer no número de passageiros transportados, nas rotas realizadas e nas tecnologias empregues, a TAP consolidou a sua posição entre as transportadoras aéreas, apesar dos vários altos e baixos.

Em mais de 70 anos a operar, a TAP passou por melhores e piores momentos, contudo nenhum foi tão controverso como o vivido entre 2015 e 2016, quando a empresa iniciou um processo de privatização que acabaria revertido pelo Estado Português. Atualmente o Estado Português detém 50% do capital da empresa, o consórcio privado Gateway tem 45% e os restantes 5% distribuem-se por colaboradores e funcionários da empresa.

Mais aviões, mais rotas, mais passageiros: a TAP do futuro

Depois de todas as polémicas que têm marcado o presente da transportadora aérea, Antonoaldo Neves afirma que “a empresa agora trabalha de uma forma planeada e antecipada”. Os prejuízos deste ano podem não ser preocupantes na medida em que são também um reflexo dos novos caminhos traçados pela companhia que procura adaptar-se e reencontrar o rumo.

Em 2018 a companhia apostou na criação de 17 novas rotas e tem mais 14 projetadas para 2019. O CEO lembra que este é um esforço para acabar com a dependência de um só destino –  no caso o Brasil, que no ano passado representou 22% das vendas da companhia –  e refere que “os frutos das novas rotas vão ser colhidos este ano”.  Para além novas rotas, a empresa está também apostada na renovação da sua frota e na contratação de mais pessoal.

Em 2019 vão chegar 37 novos aviões à companhia aérea que se espera ajudem a poupar 30 milhões de euros nos custos em combustível só neste ano. Até 2025 a companhia deverá ter 71 novas aeronaves. A renovação da frota revela-se fundamental para que a TAP se mantenha competitiva e capaz de prestar o melhor serviço aos passageiros com menos gastos. Aliás, os primeiros aviões já foram entregues e a TAP foi a primeira transportadora a receber o novo Airbus A330neo que se estreou com um voo de Lisboa para São Paulo.

As expetativas da TAP para 2019 são animadoras: ultrapassar os 16 milhões de passageiros transportados e ter um crescimento entre os 10% e os 15%. Claro que para isso a empresa está também apostada em contratar mais pilotos e outros operacionais. Depois de terminar 2018 a recrutar centenas de novos funcionários, tenciona juntar-lhes mais 500 este ano. O objetivo? Que a empresa descole em 2019.

Atualmente a TAP é uma das maiores companhias de bandeira do mundo, mas a empresa ambiciona ir mais longe e o próximo passo deverá ser a entrada em bolsa. Foi David Neleeman, acionista da Gateway, que deu a notícia na apresentação dos resultados de 2018 da companhia. A TAP pretende colocar no mercado entre 15% a 30% do seu valor económico e o ano apontado é 2020, mas isso vai depender de como o mercado evoluir até lá. O ano de 2019 pode marcar uma nova fase para a Companhia Aérea Portuguesa.

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