Radar económico

Agências sobem o rating de Portugal: o que significa?

22 Maio, 2019

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) subiu o rating da dívida portuguesa de BBB- para BBB, dois níveis acima do grau de investimento especulativo. Mas quais são as previsões desta e de outras agências? E o que significam para a economia portuguesa?


Portugal com perspetiva estável

 A agência de ratings Standard & Poor’s (S&P)  avançou em comunicado tornado público em março que a nota da dívida portuguesa subiu de BBB- para BBB, com uma perspetiva estável, sendo o melhor resultado apresentado nos últimos oito anos. A entidade refere no comunicado que espera não só que “a economia portuguesa tenha um crescimento equilibrado entre 1,5% e 1,7% durante 2019-2021”, como também deseja que Portugal continue nos próximos três anos a registar excedentes orçamentais primários, excluindo os pagamentos com juros, “mantendo o rácio da dívida pública face ao PIB num caminho firme de redução”. Assim, a S&P passou a ter a mesma visão acerca da dívida portuguesa que outras agências de notação, como a Fitch e a DBRS, que também avaliam a dívida portuguesa em BBB, com perspetiva estável. Já a Moody’s faz uma avaliação mais modesta e dá uma nota Baa3, que representa menos um nível na escala da S&P.

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A S&P justifica a subida no rating de Portugal com o facto de o país estar menos endividado hoje e também por as contas externas se encontrarem mais sólidas. No entanto, a organização lembra que esta subida está relacionada com o facto de, no ano passado, o “excedente orçamental primário de perto de 3% do PIB ter sido um dos mais elevados da zona Euro e da OCDE, colocando o rácio da dívida pública em relação ao PIB num caminho descendente firme”. A agência também refere que o peso das exportações na economia e o seu contributo para o crescimento aumentou exponencialmente desde 2005 e que “as condições do crédito têm vindo a convergir para a média da zona Euro”. No entanto, a organização prevê que “no período de 2019 a 2022, o rácio da dívida pública no PIB continuará a descer, à medida que a economia se for expandindo apesar dos riscos associados aos elevados – se bem que numa trajetória descendente – níveis da dívida externa privada e associados a um contexto externo mais incerto”.

A DBRS melhorou a perspetiva de Portugal de estável para positiva, o que quer dizer que numa próxima avaliação Portugal pode continuar a subir no rating. A DBRS defende que  “o défice orçamental está aproximar-se lentamente do equilíbrio e o rácio da dívida pública está a descer a um ritmo saudável”. Embora o crescimento do  PIB esteja a abrandar, estima-se que o desempenho económico português se mantenha acima da zona Euro. Mas a agência alerta que o “elevado rácio da dívida pública em relação ao PIB limita a capacidade orçamental do Governo para gerir choques negativos, e o ainda elevado sotck de crédito malparado – particularmente no setor empresarial – pesa sobre a estabilidade financeira”. E apesar de a entidade mencionar que “Portugal continua a enfrentar desafios significativos ao nível do crédito, incluindo elevados níveis da dívida pública”, o Ministério das Finanças acredita que esta melhoria traduz-se na confiança e na evolução da economia e das finanças públicas portuguesas.

Também a agência Axesor classificou Portugal no nível BBB com perspetiva estável, realçando o facto de o país ter recuperado para níveis anteriores à crise, não esquecendo a elevada dívida pública.  Sobre o risco de emprestar dinheiro a Portugal  a agência salienta que “esta notação reflete tanto a confiança gerada pela consolidação orçamental e as reformas estruturais como os riscos derivados da moderação das exportações, os ajustes no mercado laboral, o envelhecimento da população e o elevado volume da dívida pública”. Assim, a Axesor considera o endividamento público um problema importante, devendo evoluir para 118,4% do PIB no final de 2019, e por isso a entidade alerta para o elevado volume de crédito malparado do setor financeiro português, com mais de 32.400 milhões de euros.

Portugal poupa 1270 milhões em juros

Segundo Mário Centeno, a subida do rating em Portugal levou o Estado a poupar 1.270 milhões de euros com as emissões de dívida desde setembro de 2017, pois corresponde à altura em que o país voltou a ter uma notação de investimento. O ministro das Finanças adianta ainda que estas poupanças “foram conseguidas pelo resultado das políticas económicas que temos seguido e pelo investimento feito em Portugal ao longo destes anos pelas empresas e pelas famílias.” Para Centeno, esta melhoria no rating “reflete o reconhecimento de importantes transformações estruturais na economia nacional e da melhoria das contas públicas”, já que este resultado  “contribui para reforçar a confiança dos investidores e a credibilidade externa de Portugal, com impacto direto nos custos de financiamento das famílias, das empresas e do Estado”.

O Ministro das Finanças acredita que esta melhoria no rating “significa que o rendimento disponível aumenta e que podemos todos em conjunto aumentar o investimento na nossa formação, nas nossas empresas. E o Estado com certeza beneficia porque os 1.200 milhões de euros que pagámos a menos em juros nas emissões desde setembro de 2017 beneficiam o Orçamento do Estado no que é o aumento da despesa em saúde, em educação e nos transportes”. De acordo com o Ministério das Finanças, “Portugal tem vindo a fazer um caminho que lhe permitiu reforçar a resiliência da economia e das contas públicas, construindo bases sólidas para um crescimento equilibrado. E o Presidente da República partilha da mesma opinião: “esta subida quer dizer que se reconhece, nos mercados financeiros, a evolução portuguesa”.

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