Economia Pessoal

Comprar casa a crédito: por que é tão importante ter poupanças?

23 Abril, 2019

Mesmo quem compra casa a crédito deve contar com algum capital próprio não só para a entrada, mas também para fazer face a todas as despesas decorrentes do processo. Mas afinal de  deve ser a sua poupança para conseguir comprar casa?


Poupe pelo menos 10% a 20% do valor do imóvel para dar de entrada

Desde julho de 2018 que os bancos não podem financiar a compra de casa a mais de 90% do valor do imóvel, em consequência das novas regras aplicadas pelo Banco de Portugal para limitar a concessão de crédito à habitação. Assim, a maioria dos bancos oferece apenas créditos a 80% ou, na melhor das hipóteses, a 90%, o que significa que o comprador deve ter entre 10% a 20% do valor da casa em capitais próprios para que o negócio avance.

Ler Mais

Num imóvel de 100.000 euros, significa que deve ter amealhado entre 10 a 20 mil euros – e isto só para a entrada -, mas as contas são fáceis de fazer: quanto mais cara for a casa que pretender comprar, mais poupanças tem de ter para poder concretizar a compra e avançar com o crédito à habitação. Também pode ver as coisas por este prisma: se tiver poupado mais ao longo dos anos, terá um pé-de-meia que lhe permite considerar casas de valores superiores no momento em que decidir comprar.

Da mesma forma, uma poupança mais recheada ajuda-o não só a ter um leque de opções maior em termos de imóveis, mas também pode fazer diferença na aprovação e nas condições do crédito à habitação. Se tiver mais dinheiro de parte, estará preparado para algumas eventualidades. Por exemplo, se a avaliação do imóvel for inferior ao valor de compra, terá de dar mais em capitais próprios, porque o valor do empréstimo diminui. Dar uma entrada maior, ou seja, pedir menos dinheiro emprestado ao banco, também pode ajudá-lo a diminuir a prestação mensal ou o tempo do seu empréstimo.

Ter poupanças é fundamental para fazer face aos impostos e outras despesas

Para além do valor da entrada, é importante não esquecer que terá de contar com capitais próprios para pagar os impostos e todas as despesas relacionadas com a escritura e o processo de crédito à habitação. Assim, para além dos 10% ou 20% da entrada, deve poupar 3% a 5% extra para poder suportar os custos da transação de forma confortável. O valor é variável porque também é proporcional ao valor da casa que comprar.

O IMT, Imposto Municipal sobre Transações Onerosas, é uma das despesas que mais pesa na compra de casa e está diretamente relacionada com o valor do imóvel. Esta taxa pode variar entre 1% e 8% do montante de aquisição do imóvel, caso se trate de habitação própria e permanente. Saber antecipadamente quanto vai ter de pagar de IMT pela compra da sua nova casa é fundamental para perceber se as suas poupanças são suficientes para cobrir este valor e não ser apanhado de surpresa. Para isso pode usar o simulador online da DECO.

No momento da escritura terá ainda que pagar os impostos de selo (IS) sobre a compra e venda e sobre o crédito. O primeiro é calculado sobre o valor da escritura ou o valor patrimonial do imóvel (o que for mais alto) e a taxa é atualmente de 0.8%. O imposto de selo sobre o crédito tem como base, como o próprio nome indica, o valor do empréstimo pedido ao banco e a taxa pode variar entre os 0,5%, se o prazo de pagamento do crédito for inferior a 5 anos, e os 0,6% se for superior.

Estas são as despesas mais significativas, mas há ainda outros custos associados à compra de casa para os quais deve estar preparado. Falamos, nomeadamente, dos custos da avaliação bancária, custos de abertura de processo no banco para aprovação do crédito à habitação, e, claro, do custo da escritura. Tudo somado, é um valor considerável que deverá ter em capitais próprios. Como vimos, na compra de um imóvel, mesmo com recurso ao crédito, ter poupanças é requisito obrigatório para poder avançar com o negócio e, quanto maior for essa poupança, mais preparado estará para enfrentar todo o processo.

Continuar a poupar para amortizar o crédito à habitação

Poupar é um excelente hábito que lhe dá uma folga financeira ao longo da vida, mas, para quem tem um crédito à habitação, pode ser também uma excelente forma de amealhar dinheiro para amortizar o empréstimo. Depois de concluído o processo de compra de casa e aprovado o crédito, algumas pessoas fazem um plano de poupança de forma a terem algum capital para fazer amortizações parciais ao longo do tempo ou uma amortização total do crédito à habitação.

Se é o seu caso, tenha em conta que a amortização, tanto parcial como total, tem custos. O valor pode variar de banco para banco, no entanto está estabelecida uma taxa máxima de amortização de 0,5% do valor reembolsado nos contratos de crédito com taxa de juro variável, e de 2% nos créditos com taxa de juro fixa.

Além disso, deve também verificar se compensa fazer uma amortização do crédito ou manter a sua poupança a render num produto de confiança como os depósitos a prazo, porque nem sempre aquilo que poupa no empréstimo ao amortizar supera os juros que poderia estar a acumular numa aplicação financeira. Seja qual for a sua decisão neste aspeto – amortizar ou não o crédito da casa -, uma coisa é certa: ter uma poupança dá-lhe uma tranquilidade extra e mais margem de manobra antes, durante e depois de concluído o processo de compra de casa com recurso a crédito.

Ler Menos