Economia Pessoal

Como ensinar as crianças a poupar? Seis conselhos práticos

18 Abril, 2019

Se para os adultos, muitas vezes, não é fácil resistir a comprar um ou outro produto que não necessitam, imagine para as crianças! É por isso que ensiná-las a poupar e, sobretudo, a gostar de o fazer, pode ser um verdadeiro desafio. Temos algumas dicas e truques que podem ajudá-lo nesta missão.


Adiar a gratificação

Sabemos que é importante ensinar o valor do dinheiro às crianças para que desenvolvam uma relação saudável com ele e saibam geri-lo corretamente, mas o que devemos fazer para os tornar adeptos da poupança? A verdade é que para as crianças é natural gastar o dinheiro em algo que desejem no momento, ou seja, satisfazer uma “necessidade imediata”. Ao fazê-lo, os mais pequenos – e não só! – são automaticamente invadidos por um sentimento de satisfação. Para conseguir estimular a poupança nas crianças é preciso ensiná-los a adiar esse sentimento de gratificação.

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Vários estudos demonstraram que a capacidade de adiar a gratificação está intimamente ligada com uma boa gestão financeira e uma vida de comportamentos financeiros saudáveis. É, por isso, muito importante estimulá-la desde tenra idade, ensinando-lhes que vale a pena abdicar de uma coisa agora para ter outra mais importante no futuro. São precisamente os familiares mais próximos, como os pais ou os avós e tios, quem primeiro pode orientar e influenciar as crianças para a poupança, mas como? Temos seis dicas que vão facilitar a sua tarefa.

1 – Deixe as crianças mexerem no dinheiro

Para muitos especialistas, as crianças devem poder “mexer” no dinheiro, ou seja, praticar a gestão do seu próprio orçamento, porque é precisamente através da experiência direta que aprendemos. É claro que muitas vezes vão gastar o dinheiro em coisas que não queria, mas é importante deixá-los aprender com os próprios erros. Logo desde pequenos, pode começar com estratégias simples: por exemplo, dar-lhes uma quantia em cada ida ao supermercado explicando que com esse valor podem comprar doces ou que podem escolher guardar o dinheiro para mais tarde comprarem o brinquedo que tanto querem e que é muito mais caro. Deixe-os decidir, mesmo que, no início, façam as escolhas “erradas”.

2 – Explique-lhe os seus valores

Não é só pela experiência própria que as crianças aprendem, é fundamental terem exemplos para seguir, por isso explique-lhes como gere o seu dinheiro. Quando ficarem frustrados porque se arrependem de uma compra, não ceda à tentação de lhes dar outra coisa que queiram. Assim não vão aprender a lidar com a situação. Aproveite esses momentos para lhes ensinar algumas das suas estratégias. Na próxima ida ao supermercado se, por exemplo, o valor que têm para gastar são dois euros, diga-lhes que não precisam de poupar todo o dinheiro, mas que também não o devem gastar na totalidade. Se escolherem apenas um doce, podem gastar apenas um euro e guardar o outro.

3 – Definam um objetivo para a poupança

Poupar por si só é pouco estimulante para as crianças que não entendem facilmente o conceito de poupar para eventualidades que aconteçam no futuro. Entre ambos, definam um objetivo concreto para a poupança e verá que as crianças se vão sentir mais entusiasmadas. Aproveite para explicar que existem coisas para as quais vão ter que poupar mais do que outras. Isso ajudará a desenvolver uma noção de objetivos de curto e longo prazo. Por exemplo, mostre-lhes que poupar para um brinquedo é um objetivo que levará menos tempo a atingir do que poupar para as férias de sonho. Desta forma as crianças também aprendem a gerir as suas expetativas.

4 – Torne a poupança visual

Para as crianças é difícil compreender o que não podem ver nem tocar, por isso é importante que possam ver o dinheiro a crescer na poupança. Ofereça-lhes um mealheiro ou mais do que um para que possam estabelecer diferentes objetivos de poupança. Uma ideia seria colocar em cada mealheiro uma imagem representativa daquilo a que se destinam. Contem regularmente o dinheiro que já têm acumulado e ajude-os a compreender quanto falta para cada objetivo. Aproveite esses momentos e peça-lhes que imaginem como será bom quando puderem comprar aquele brinquedo ou ir a determinado sítio. Estimular essa sensação de satisfação é uma forma de viver no presente a gratificação futura e isso vai ajudar a tornar a poupança muito mais estimulante.

5 – Tenha também o seu mealheiro

Esta é uma experiência que pode envolver toda a família. As crianças vão se sentir mais apoiadas se não forem as únicas com um mealheiro. E não chega dizer-lhes que você tem uma conta poupança onde coloca o seu dinheiro, isso está muito distante delas, é algo que não conseguem ver. O ideal será que você também tenha o seu mealheiro em casa onde, periodicamente, coloca algumas moedas para que os miúdos vejam realmente o seu esforço para poupar. A familiaridade com o ato de poupar vai transformá-lo em algo natural. Lembre-se que em muitas crianças querem ser como os pais, por isso é importante ser o exemplo que devem seguir.

6 – Recompense a poupança

Desenvolva estratégias que os recompensem pelo esforço investido. Por um lado, pode recorrer a recompensas esporádicas, pequenos presentes que ajudam a reforçar nas crianças um sentimento positivo em relação à poupança. Não é preciso nem deve ser nada dispendioso, pode ser apenas algo simples que gostam de fazer, como poder jogar no computador mais tempo do que é habitual. Outra ideia, para quando as crianças já são um pouco mais crescidas, é recompensá-las com mais dinheiro. Por exemplo, quando tiverem poupado 50€, dê-lhes mais 5€ ou estipule uma quantia para entregar a cada três meses se tiverem poupado um determinado valor. Esta é uma forma de começar a apresentá-los aos produtos financeiros. Explique que os bancos oferecem produtos que remuneram os seus clientes por guardarem lá o seu dinheiro e que quanto maior for o valor mais recebem. Esta é uma excelente forma de os ir apresentando aos depósitos a prazo ou às contas-poupança.

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