Radar económico

Quais os maiores riscos para a economia em 2019?

17 Abril, 2019

O Fundo Monetário Internacional acredita que 2019 pode ser um ano incerto para a economia global e alerta para uma “acumulação de nuvens” no horizonte, sobretudo ao nível dos mercados. Será que estaremos perante uma crise financeira mundial? Conheça os principais riscos que podem ameaçar a economia.


Quais são as previsões para a economia mundial?

De acordo com as previsões do Banco Mundial, apresentadas no relatório “Perspetivas Económicas Globais” de 2019, o crescimento económico vai desacelerar dos 3% de 2018 para 2,9% este ano e estima-se que exista um crescimento de apenas 2,8% em 2020 e 2021. A entidade adianta ainda que “as perspetivas para a economia global são mais sombrias. As condições de financiamento foram apertadas, a produção industrial atenuou, as tensões comerciais intensificaram-se e algumas grandes economias emergentes e em desenvolvimento sentiram uma pressão significativa nos mercados financeiros”. O FMI também baixou as suas estimativas no que diz respeito à economia mundial, pois de acordo com as previsões que constam no relatório do “World Economic Outlook”, é esperado um crescimento de apenas 3,5% em 2019 e 3,6% em 2020.

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O FMI salienta que “os riscos para o crescimento global tendem a ser negativos. Uma escalada das tensões comerciais, além das já incorporadas nesta previsão, continua a ser uma importante fonte de risco para as perspetivas”. Assim, o FMI desceu em 0,3 pontos percentuais a estimativa de crescimento para a economia da zona euro para 1,6% em 2019, mantendo a anterior previsão de 1,7% para 2020, o que representa 0,2% abaixo das previsões que foram realizadas em outubro do ano passado. O ano de 2018 foi agitado para os mercados financeiros globais, uma vez que os principais índices mundiais atingiram máximos históricos e acumularam perdas anuais, fazendo lembrar a crise financeira de 2007 e 2008 e a verdade é que muitos economistas se questionam se estaremos perante uma crise mundial, dado que existem diversas ameaças que colocam em risco o desenvolvimento da economia mundial.

A guerra comercial entre os EUA e a China

Os analistas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial já alertaram para o facto de este conflito comercial ser imprevisível, pois se não existir um acordo entre os Estados Unidos e a China, a economia mundial pode vir a sofrer danos profundos e duradouros. Aliás, segundo o Banco Mundial, se todas as tarifas aduaneiras forem implementadas, isto afetará cerca de 5% dos fluxos do comércio global, o que poderá prejudicar o avanço da economia, tendo repercussões globais negativas. E a entidade acrescenta ainda que “se o crescimento chinês abrandar um ponto percentual, o crescimento mundial abranda 0,3 pontos percentuais. As economias emergentes e mercados em desenvolvimento abrandariam 0,6%, quase o dobro, porque estão mais expostas à China do que as economias avançadas”.

Os especialistas da Economist Intelligence Unit temem que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas adicionais sobre as importações de automóveis europeias faça com que o conflito progrida substancialmente.. Também o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, partilha da mesma opinião e realça que “este tipo de conflitos comerciais são um risco para a economia global. Vemos que a disputa se está a desenvolver de forma preocupante, e julgamos que vai ter um impacto negativo”.  Aliás, após Donald Trump ter procedido à aplicação de taxas adicionais em 2018, as bolsas de Nova Iorque e de Xangai sofreram inúmeras quedas e terminaram o ano com um comportamento negativo.

A incerteza do Brexit

Os especialistas acreditam que o Brexit terá efeitos negativos tanto para a economia britânica, como para a economia mundial. Os primeiros impactos do Brexit no comércio serão rápidos, uma vez que estão relacionados com as variações no valor das divisas. As exportações britânicas vão tornar-se mais atrativas no estrangeiro e as vendas que outros países pretendam fazer ao Reino Unido vão passar a ter uma maior concorrência.  Nuno Fernandes, Diretor da Católica Lisbon School of Business & Economics, acredita que o Brexit tem contornos muito incertos na medida em que se “vai desenrolar em diferentes vertentes. Tem vertentes comerciais, de recursos humanos, temos um grande número de portugueses a viver no Reino Unido e temos dúvidas do que vai acontecer a esses residentes. Mas na minha opinião há o risco de o Brexit trasladar para uma nova crise financeira”.

Nuno Fernandes explica que Londres é uma das principais praças financeiras da Europa e por isso grande parte dos contratos financeiros encontram-se nessa região. Mário Centeno também se demonstra preocupado em relação a este período de incerteza, isto é, sobre qual será o desfecho das negociações de May com Bruxelas. Assim, para o ministro a desaceleração do crescimento da economia está associada a riscos políticos acumulados na Europa devido ao Brexit. Aliás, para o ministro, a eventual possibilidade de existir um “hard brexit” será a pior forma de resolver o problema quer para a União Europeia, quer para o Reino Unido. Além disso, um estudo realizado pelo FMI, citado no relatório recente da CIP, refere que a Irlanda, a Holanda e a Bélgica serão os mais afetados. E Portugal também não escapa a este cenário: seria o sexto país da União Europeia mais afetado devido à redução de produção de cerca de 0,2%.

Que previsões para a economia portuguesa?

Segundo o Banco Portugal, a economia portuguesa irá crescer até 2021, mas a um ritmo mais lento do que se tem registado nos últimos anos. O crescimento previsto é agora de apenas 1,7%, o que representa menos 0,1% pontos percentuais daquilo que era esperado em dezembro de 2018. Esta “ligeira revisão em baixa” do crescimento do PIB para 2019 está relacionada com o maior dinamismo das importações do que das exportações, que resulta num saldo negativo da balança de bens e serviços a partir de 2020. A instituição salienta ainda que esta redução de crescimento é semelhante a outras economias da zona euro, estando “associada à maturação do ciclo”. O Boletim Económico divulgado pelo BP antecipa que nos próximos quatro anos estaremos perante uma desaceleração na economia portuguesa e, segundo as previsões do FMI, o ano de 2019 não irá além dos 1,8%.

No entanto, também é importante salientar que o Banco Portugal considera este crescimento mais “sustentável”, pois não é tão centrado no consumo privado, mas sim no aumento do peso das exportações e do investimento empresarial do Produto Interno Bruto (PIB). Espera-se também que o investimento empresarial volte a superar os níveis que existiam antes da crise, uma vez que é necessário que este investimento ganhe mais dinamismo, beneficiando de condições de procura e financiamento favoráveis e da construção de grandes infraestruturas.

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