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PSI-20: Como foi o desempenho deste indicador em 2018?

5 Abril, 2019

O PSI-20, o principal índice da bolsa portuguesa, terminou o ano de 2018 a valorizar 1,81% para 4.731,47 pontos, mas no acumulado do ano registou uma queda de 12,19%. Então, como foi a sua performance em 2018? E quais são as previsões para este ano?


2018: um ano de altos e baixos para o PSI-20

 O PSI-20 terminou 2018 com um desempenho negativo e para a maioria dos mercados este foi considerado o pior ano desde a grande crise financeira de 2008, pois até mesmo os ganhos de 2017 acabaram por ficar anulados, registando a maior quebra nos últimos quatro anos. A descida foi realmente acentuada em 2018, uma vez que o índice que mede o desempenho das bolsas mundiais, o MSCI World, perdeu mais de 11% e o Stoxx 600, agregador das principais cotadas europeias, cedeu mais de 13%. É de notar também que o facto de existir um menor apoio da parte dos bancos centrais, as incertezas em relação ao Brexit, os receios de um abrandamento económico e também a guerra comercial entre Trump e a China fez com que existisse uma maior pressão sobre as bolsas e o PSI-20 não escapou a esta conjuntura.

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O ano de 2018 ficou conhecido como um ano de altos e baixos no que diz respeito ao PSI-20. No início do ano, este indicador começou por recuar mais de 15%, mas o pico aconteceu em Maio, com uma queda de 18,5%. O índice nacional caiu no final do ano 12,19% para os 4731,47 pontos, abandonando a fasquia dos 5.000 pontos que já tinha sido ultrapassada em Abril de 2017 e o saldo final de 2018 foi positivo em 15,15%. É importante realçar que o ano passado foi, de facto, um dos piores anos para o mercado bolsista mundial, pois só no ano de 2014 é que tinha existido uma quebra superior à de 2018, já que na altura o índice deslizou 26,83% entre Janeiro e Dezembro.

Embora a queda do PSI-20 tenha sido abaixo dos 15% para o total do ano, a elevada volatilidade determinou um hiato superior a 21,5% entre Maio, mês no qual o índice ascendeu a um máximo de quase três anos – 5.801,45 pontos – e Dezembro, altura em que o PSI-20 desceu para mínimos de Fevereiro de 2017. Este cenário e acabou por contribuir para que a bolsa nacional entrasse, na reta final, em bear market, fenómeno que se verifica quando a distância de um máximo a um mínimo supera os 20%, pondo fim a um bull market que durava desde junho de 2016.

No entanto, o desempenho de Portugal não foi tão negativo em comparação a algumas praças europeias que registaram a maior queda desde 2008, ano da falência do Lehman Brothers. Aliás, Portugal encontra-se acima do desempenho de diversas bolsas europeias, nomeadamente da bolsa de Madrid (IBEX 35), que recuou cerca de 30% no ano passado, de Frankfurt, que registou apenas 18% e também a bolsa londrina que perdeu no acumulado do ano 4% e a de Paris que desceu 10,9%.

Empresas cotadas no ano “vermelho”

Em 2018, apenas três das dezoito organizações cotadas escaparam à sangria das ações nacionais, terminando o ano no verde. Por exemplo, a Altri teve o melhor desempenho do ano, com uma valorização de 12,16%. Já a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da China Three Gorges que assegura as ações da EDP e da EDP Renováveis assumem valores distintos, pois a EDP Renováveis anunciou no final do ano que a venda de ativos nos Estados Unidos e no Canadá avançou 11,60% desde 2017, enquanto a EDP registou uma subida de 5,68%.

Também a CTG, liderada por António Mexia, obteve resultados positivos depois de ter realizado o anúncio da OPA voluntária sobre o capital da EDP no dia 11 de maio de 2018. A China Three Gorges oferecia 3,26 euros por cada ação, sendo que este valor não era negociável e esta era a razão pela qual a administração da EDP recomendava aos acionistas não aceitarem esta proposta. Segundo a organização, “esta oferta não reflete adequadamente o valor da elétrica, pois o prémio implícito é baixo, considerando a prática pelas empresas europeias do setor”.

As restantes empresas cotadas do PSI-20 registaram saldo negativo, sofrendo desvalorizações acima dos 10%. A mancha vermelha era de facto generalizada no desempenho do mercado bolsista em 2018 e entre os piores desempenhos estava a Mota-Engil, que registou uma quebra de 56,05%, seguindo-se a Jerónimo Martins, uma das empresas cotadas com mais peso no índice nacional, que terminou o ano com menos 36,15% do valor do mercado com o qual se tinha iniciado. Também a Ibersol e a Pharol recuaram mais de 34% no espaço de um ano, enquanto a Ramada de Investimentos perde 28,7% e a Semapa 26,38%.

De acordo com um estudo da consultora OnStrategy, os CTT são, pelo quarto ano consecutivo, a empresa do PSI-20 com melhor avaliação reputacional, tendo um score global de 74,44%. No entanto, nem a empresa escapou ilesa em 2018 e registou uma quebra de 16%, juntando-se a empresas como a Navigator, com uma perda de mais de 15%, a Galp Energia, que obteve uma desvalorização de 9,98%, a Sonae Capital com 4,28% e a NOS com 3,39%, enquanto as Redes Energéticas Nacionais registaram uma pequena perda de 1,82%. Além disso, estavam também previstas entradas na bolsa que acabaram por não acontecer, como foi o caso da Science4You e também caíram dois aumentos de capital: o da Vista Alegre e o da Pharol.

E as previsões para 2019?

Segundo as previsões de Pedro Amorim, gestor da XTB, “2019 não vai ser um bom ano para o PSI-20 e não ficaria surpreendido se no próximo ano o índice registasse uma desvalorização de 20%”. O gestor lembrou que o final de 2018 ficou marcado pelo “final do ciclo económico e com a subida das taxas de juro” e prevê que “todo o mercado vai corrigir e Portugal não será exceção”. O especialista aponta ainda que “a redução do consumo, diminuição das exportações (‘Brexit’ e Guerra comercial) e o aumento das taxas de juro da dívida continuarão a ser riscos para 2019”. Contudo, no início de 2019, a bolsa de Lisboa seguia em alta e acompanhava as tendências otimistas das bolsas europeias, com as ações da Mota-Engil a subir substancialmente.

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