Economia Pessoal

Green Bonds: o empurrão que falta aos projetos sustentáveis e ao país?

4 Abril, 2019

As Green Bonds destinam-se a financiar projetos ambientais e podem oferecer uma ajuda aos países com uma dívida muito elevada. Saiba o que são e o que podem representar para o nosso país.


Green Bonds: o que são?

O governo português pode encontrar nas green bonds uma nova forma de conseguir mais financiamento nos mercados e, como se pode ler num relatório da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, reduzir a vulnerabilidade da dívida a choques, o que é importante sobretudo no caso de Portugal que tem uma dívida bastante elevada. Mas o que são as green bonds?

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As Green Bonds, ou em português “obrigações verdes”, destinam-se, como o próprio nome indica, ao financiamento de projetos ambientalmente sustentáveis ou que tenham como missão combater as alterações climáticas – um exemplo disso é o investimento em energias renováveis.

A quem se destinam as “obrigações verdes”?

No fundo, as green bonds servem para incentivar a sustentabilidade e conservação do meio ambiente, o que é de louvar numa altura em que é imperativo reduzir o consumo dos recursos naturais existentes. Mas destinam-se a quê em concreto? Ora, ao financiamento de projetos que têm como objetivo a eficiência energética, prevenção da poluição, a sustentabilidade da agricultura, pesca e silvicultura, a proteção do ecossistema terrestre e aquático ou até o desenvolvimento de tecnologias mais amigas do ambiente.

 Transparência é palavra-chave no caso dos Green Bonds

As chamadas obrigações verdes têm características um pouco diferentes das restantes obrigações, as mais comuns. Até porque a sua finalidade é conhecida à partida: com as green bonds, os investidores sabem logo que projeto estão a financiar (quer se trate do investimento inicial ou o refinanciamento da dívida desse projeto) e os objetivos do mesmo, tendo a possibilidade de acompanhar o seu desenvolvimento.

Ou seja, ao contrário do que acontece com outras obrigações, o que está a ser avaliado é o fim – a causa – e não a capacidade de um governo que emite dívida poder pagar de volta o empréstimo, ao qual está associado uma taxa de juro que varia de acordo com o risco. É importante referir ainda que este tipo de transparência associada às green bonds é muito importante na hora de investir, podendo ajudar a avançar com um projeto.

Além da transparência, as green bonds vêm também com outros incentivos. Por se destinarem ao financiamento de projetos sustentáveis, este tipo de obrigações verdes comporta alguns incentivos fiscais como a isenção do pagamento de taxas. Desta forma, as green bonds também se tornaram num instrumento mais atrativo do ponto de vista do investimento.

Potências mundiais já emitem Green Bonds

O Banco Europeu de Investimento emite este tipo de obrigações desde há 11 anos. No entanto, entre 2016 e 2017 registou-se um crescimento significativo: a emissão deste tipo de dívida cresceu 78% atingindo os 155,5 mil milhões de dólares. Os números são avançados pela organização internacional de mobilização de capital para soluções de mudança climática, a Climate Bonds Iniciative.

Aliás, os Estados Unidos, a França e a China emitiram em 2017 mais de metade deste tipo de dívida, destinada maioritariamente a projetos de energia renovável, eficiência energética, água potável, uso sustentável dos solos e gestão de resíduos e conservação da biodiversidade.

Estão também em curso vários projetos financiados por este tipo de obrigações. Estamos a falar, por exemplo, das centrais de produção de energia solar de Andasol, em Espanha, ou dos campos de produção de energia eólica na Alemanha, Estónia, Holanda e Quénia. Convém ainda fazer a ressalva de que as green bonds podem ser emitidas por cidades (Gotemburgo, na Suécia é um exemplo) ou até mesmo regiões (é o caso de Massachusetts nos Estados Unidos).

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