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The Banker distingue Mário Centeno entre os melhores ministros das finanças de 2019

14 Março, 2019

A prestigiada revista financeira The Banker, do britânico Financial Times, apresentou, no início do ano, as suas escolhas para os Ministros das Finanças de 2019. Mário Centeno figura entre os eleitos, tendo sido distinguido como o melhor ministro das finanças da Europa.


Porquê a escolha de Mário Centeno?

 O ano começou bem para Portugal e, sobretudo, para Mário Centeno. O ministro das finanças de Portugal e atual presidente do Eurogrupo foi eleito como o melhor ministro das finanças da Europa pela revista The Banker. Para a prestigiada publicação, depois de um ano à frente dos ministros das finanças europeus, Mário Centeno conseguiu revelar-se uma figura conciliadora, capaz de criar convergências no seio da Zona Euro.

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A The Banker aponta as “maratonas negociais em dezembro que culminaram com as mais significativas reformas para o bloco da moeda única desde a crise da dívida soberana” e os vários acordos alcançados para prevenir e gerir futuras crises como os principais feitos alcançados por Centeno em 2018. O novo ano promete trazer novos desafios ao nível da união bancária e do reforço do projeto Europeu.

A publicação refere que a sua escolha para liderar o Eurogurpo, apesar de invulgar, é um reflexo do bom desempenho da economia portuguesa. Portugal conseguiu colocar a taxa de desemprego abaixo dos 7% e estima-se que a economia portuguesa continue a crescer a um ritmo de cerca de 2% em 2019 e 2020. Enquanto isso, a OCDE espera que o défice fiscal desapareça até 2020 e que o rácio dívida pública/PIB continue a diminuir.

Quem são os melhores ministros das finanças de 2019?

A grande vencedora da eleição da The Banker foi, contudo, a ministra das finanças da Indonésia, Sri Mulyani Indrawati, eleita não só a melhor ministra das finanças da Ásia-Pacífico, mas também global. A publicação destaca os mecanismos financeiros que desenvolveu para lidar com as frequentes catástrofes naturais que assolam o seu país, bem como as medidas que visam reduzir a burocracia e atrair mais investimento.

Apesar das catástrofes de 2018 na Indonésia, as últimas previsões apontam para um défice do PIB 1,86% abaixo dos 2,19% inicialmente estimados no orçamento de estado. Sri Mulyani Indrawati levou a cabo uma série de reformas no sistema tributário com o intuito de aumentar as receitas, não pelo aumento de impostos, mas pelo aumento do cumprimento por parte dos contribuintes. Foi com esse objetivo que simplificou o processo de pagamento e aumentou os locais de realização dos mesmos.

Felipe Larrain, ministro das finanças do Chile, foi distinguido como o melhor ministro das finanças das Américas pela capacidade de manter a estabilidade no seu país num ano particularmente turbulento para os restantes países da América Latina. Larrain apostou em medidas que promovem um sistema fiscal mais eficiente: simplificação do processo de pagamento de impostos e a criação de um conselho fiscal independente. O ministro procura diminuir o défice fiscal e controlar o crescimento da dívida pública.

Ao contrário de outros países nesta região do globo, o Chile tem desenvolvido políticas para estreitar laços internacionais. Atualmente o país tem acordos de livre comércio com 64 países e Larrain mantém-se firme no seu propósito: “Num mundo que corre o risco de recuar para políticas mais protecionistas, nós estamos profundamente comprometidos com a liberalização do comércio dentro da região da América Latina e além.”

Já Moshe Kahlon, ministro de Israel, foi eleito como o melhor ministro das finanças do Médio Oriente pela sua disciplina e equilíbrio fiscais regidos por uma contenção nos gastos sem, no entanto, esquecer a importância de investir em áreas estruturais para o desenvolvimento do país. O ministro apostou no desenvolvimento da formação técnica nas escolas do país bem como no alargamento do programa de benefícios fiscais para baixos rendimentos, fomentando a integração no mercado de trabalho.

Como melhor ministro das finanças em África surge Mohamed Maait ministro do Egito que, tal como o seu predecessor, apostou em continuar uma ampla reforma económica no país. As reformas estruturais que têm sido levadas a cabo trouxeram o primeiro excedente orçamental primário em 15 anos. O governo espera que as várias medidas implementadas levem à redução da elevada dívida pública. O forte crescimento económico – 5.2% entre 2017 e 2018 – aliado à restruturação em curso fazem com que a agência Moody’s estime que, até 2020, a dívida pública represente apenas 82% do PIB.

 

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