Economia Pessoal

Franchising: conhece este modelo de negócio?

7 Março, 2019

Começar um negócio do zero não é fácil, mas se quer mesmo ser o seu próprio patrão pode encontrar um caminho alternativo através do franchising. Descubra porquê no nosso artigo!


Franchising: o que é?

O franchising, tal como o conhecemos hoje, pretende dar uma mão a quem sonha começar um negócio mas não o quer ter de o fazer sozinho ou a partir do zero: este modelo de negócio visa que o franchisador, empresa original que desenvolveu um conceito de sucesso e quer alargá-lo através do franchising, passe o seu know-how a terceiros (os franchisados). Ou seja, o franchising consiste em replicar um conceito de negócio num sistema de parceria, sendo que ambas as partes são jurídica e financeiramente independentes.

Ler Mais

As vantagens e desvantagens de ter um franchising

Se o franchising concede a um particular o direito contratual “de utilizar a marca, explorar os seus produtos e serviços bem como o respetivo modelo de gestão, mediante contrapartida financeira”, isto fazendo uso da definição da Agência Para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), há que entender que isso tem as suas vantagens e desvantagens.

Por um lado, o franchisado não está sozinho nos negócios e encontra-se em vantagem frente a concorrentes através do poder de economias de escala, ganhando poder negocial na aquisição de materiais, fornecedores e serviços. Por outro, tem de seguir as regras do franchisador, pode ser afetado pelo mau desempenho de outros franchisados e tem ainda de pagar contrapartidas por estar integrado na rede.

Contrapartidas do franchising

Gerir um modelo de negócio como o franchising também implica assumir algumas contrapartidas financeiras que os franchisados terão que suportar. Por exemplo, o franchisado tem que assegurar o investimento inicial para arrancar com o negócio: este valor inclui equipamentos, obras, mobiliário, direito de entrada e fundo de maneio, ficando de fora o investimento imobiliário.

Ainda em relação ao direito de entrada, saiba que se trata do valor a pagar na altura da adesão à rede de franchising (por norma, corresponde à assinatura do contrato) e que cobre os custos que o franchisador teve para preparar o franchising e outros adicionais até à abertura da loja (elaboração de um manual do franchising, design, desenvolvimento do sistema contabilístico, escolha do local, publicidade e formalidades legais são alguns dos custos abrangidos).

Também é preciso ter em conta que todos os meses o franchisado terá de pagar os chamados royalties (pode ser um valor fixo por estabelecimento, uma percentagem da faturação ou volume de negócios ou uma margem sobre os preços dos materiais adquiridos ao franchisador) pelo uso contínuo da marca e do conceito do franchisador, além de que cobre os serviços de apoio que o franchisador presta ao franchisado, de acordo com o Instituto de Informação em Franchising.

A taxa de publicidade é outra contribuição importante que todas as lojas, tanto as franchisadas como as próprias, fazem para um fundo comum e que deve ser aplicado na promoção da marca e dos produtos/serviços da cadeia. Este valor deve ser gerido pelo franchisador em nome da cadeia, que deverá justificar sempre a sua devida utilização e não encarado como uma fonte de lucro, alerta ainda a mesma entidade.

Tem o que é preciso para abrir um franchising?

Depois de saber o que define um modelo de negócio como o franchising e conhecer todas as contrapartidas financeiras que envolve, há que fazer uma reflexão e avaliar se realmente este é o tipo de negócio certo para si. Dito isto, tenha em consideração os seguintes aspetos:

  • Tem perfil para ser franchisado? Note que não é a melhor opção para quem tem ideias próprias e quer deixar um cunho pessoal num negócio, até porque com o franchising o negócio é seu, mas o conceito não;
  • Estará pronto para gerir um negócio próprio? Ponha a sua capacidade de gestão em perspetiva e lembre-se que um negócio envolve sempre riscos, não ter um salário certo por algum tempo, lidar com muita burocracia, muitas horas de trabalho, etc;
  • Vai recorrer a crédito? Do investimento inicial aos royalties, são vários os custos envolvidos num franchising. Assim, ou tem capital disponível para investir (ou faz uma parceria com alguém que tenha o capital) ou poderá ter de recorrer a um crédito para conseguir arrancar com o negócio. É preciso analisar bem a situação para não correr riscos e evitar problemas financeiros. Dito isto, o Instituto de Informação em Franchising diz que é aconselhável ter pelo menos 30 a 50 por cento de capitais próprios e ainda algum fundo de maneio;
  • Fez o trabalho de casa? Antes de avançar com o franchising, deve conhecer o negócio que vai adotar como seu, estar a par da sua solidez financeira, estratégia de expansão e falar com outros franchisados da rede para conhecer as suas opiniões. E embora conte com a expertise do franchisador, ao abrir um negócio deve ter sempre em conta a cidade onde está, a rua onde vai abrir portas, o tipo de clientes e sondar o mercado e a sua concorrência.

O que deve constar no contrato? Ultrapassadas todas estas questões, passa-se à assinatura do contrato de franchinsing, que deve estar em conformidade com o Direito Português e o Direito Comunitário. Além disso, o contrato deve incluir também os direitos e obrigações das partes envolvidas no franchising, a discriminação dos bens e serviços prestados ao franchisado, a duração e as condições de renovação de contrato, bem com as cláusulas de resolução do mesmo.

 

Ler Menos