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Science4You: do mundo académico para o comércio eletrónico

13 Fevereiro, 2019

A Science4You está a apostar no e-commerce: a empresa 100% portuguesa de brinquedos didáticos, que começou por ser o projeto final de curso de Miguel Pina Martins, cresceu e pretende agora conquistar novos mercados internacionais através do digital. De que forma evoluiu esta startup? E quais são os próximos desafios?


Do projeto académico para o negócio dos brinquedos

Em 2008, Miguel Pina Martins era finalista do curso de Finanças do ISCTE e um professor estendeu-lhe a mão para escolher à sorte o tema do negócio que teria de criar para o projeto final da sua licenciatura. A sorte reservou-lhe kits de Física e mal sabia que este seria o ponto de partida para a sua atual empresa de brinquedos.

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Esta ideia de negócio inovador surgiu através de uma parceria entre o ISCTE e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) que tinha como objetivo verificar a viabilidade e sustentabilidade do projeto em que o core-business era a produção de kits de brinquedos científicos para escolas.

O projeto desenvolvido por um grupo de alunos de gestão chegou ao fim e concluiu-se que a área de produção mais rentável seria a produção e comercialização de brinquedos para o grande público, pois além de ser uma novidade para o consumidor, estes brinquedos eram científicos, educacionais e divertidos.

Science4You: a ciência de brincar

A verdade é que era necessário investimento para dar continuidade a este projeto. Então, Miguel Pina Martins deixou a área da banca para investir 1.125 euros nesta startup e com o apoio da AUDAX, centro de empreendorismo do ISCTE, agilizou o processo junto da sociedade de capital de risco INOVCAPITAL, conseguindo um investimento de 45 mil euros. Foi assim que a 30 de janeiro de 2008 nasceu a Science4You.

A grande ambição do empresário assentava essencialmente em criar uma empresa inovadora que construísse brinquedos que permitissem às crianças aprender e também brincar. Recorda-se da Física em Gruas? Este foi o primeiro brinquedo criado pelo CEO da Science4You, ficando também responsável pela criação das caixas, logótipo e toda a imagem inicial da marca.

Miguel Pina Martins apercebeu-se rapidamente da necessidade de criar uma equipa, de forma a produzir uma maior quantidade de brinquedos, tsem esquecer que tinham de ser adaptados a crianças com idades entre os 3 e 14 anos. Nesta medida, o empresário contou com a sua equipa de Investigação e Desenvolvimento para desenvolver novos produtos inovadores, pois essa era a chave para o sucesso desta startup.

A internacionalização

O volume de negócios começou a crescer substancialmente e em apenas um ano de atividade, a empresa consolidou-se no mercado nacional com escritórios em Lisboa e no Porto. Mas, para o CEO, Portugal não chegava! E em 2009 conseguiu dar os primeiros passos na internacionalização da Science4You, marcando presença em Espanha e mais tarde em Inglaterra – o centro internacional do comércio do brinquedo.

A abertura desta última sede valeu-lhes o prémio “Business Internationalization Award”, atribuído pelo Governo Britânico. Mas não é tudo! Em 2014, a Science4You registou vendas acima dos 6 milhões de euros em todos os países e também entrou em novos mercados internacionais como Angola, Brasil, Moçambique, Polónia, EUA entre outros.

E a Science4You manteve-se no bom caminho: em 2017 atingiu 27 milhões de euros em vendas totais, o que representou um crescimento de 66% face ao ano anterior, sendo que 70% correspondia a vendas internacionais.

Hoje a Science4You é a maior empresa de brinquedos em Portugal e uma das maiores do mercado europeu, pois atinge um volume de vendas superior a 20 milhões de euros e exporta com regularidade para mais de 60 países. Além disso, conta também com um crescimento médio anual de 50% a 60%, sendo já considerada a Lego do Sul da Europa.

Para contar esta história de sucesso e inspirar outras pessoas a criarem o seu próprio negócio através de uma ideia inovadora, Miguel Pina Martins escreveu, com o jornalista Rui Hortelão, o livro “A Ciência de Brincar – Como transformar um trabalho de curso num negócio de milhões”.

E o e-commerce será o passaporte para entrar na bolsa?

No final de 2018, a ambição do CEO da Science4You era entrar em bolsa portuguesa, com um lançamento de uma Oferta Pública de Distribuição (IPO), dispersando 45% do seu capital no mercado acionista. Porém, esta medida podia levar investidores, como a Portugal Ventures, a sair da startup.

O objetivo desta iniciativa assentava em aumentar o capital, fazendo a empresa crescer através do comércio eletrónico, uma vez que Miguel Pina Martins acreditava que o e-commerce era o futuro das vendas no mercado dos brinquedos, mas também era importante expandir e desenvolver a marca nos mercados internacionais.

No entanto, a Science4You viu-se obrigada a cancelar a entrada na bolsa, uma vez que os objetivos definidos até ao final de 2018 não foram cumpridos. Mas o empresário mantém-se otimista e adianta “Não é um adeus, é um até já!”. Apesar de o “timing” não ter sido o melhor, a estratégia para o futuro será a mesma: apostar no comércio eletrónico, pois “o nosso mindset continua a ser o digital e o e-commerce, e é para aí que vamos continuar a apontar as nossas baterias”, avança num comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

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