Saúde

Ria-se mais, pela sua saúde!

12 Fevereiro, 2019

Sempre ouvimos dizer que rir é o melhor remédio. E a verdade é que isto é muito mais do que apenas uma expressão popular: há vários estudos que evidenciam os benefícios que o riso pode ter na saúde. Conheça-os!


Rir liberta endorfinas que nos fazem sentir bem

Porque é que o riso é tantas vezes promovido como fonte de saúde e bem-estar, afinal? O britânico Robin Dunbar avança uma resposta: o psicólogo evolucionista da Universidade de Oxford diz que tem tudo a ver com o ato físico de rir, isto é, os simples esforços musculares envolvidos na produção do familiar “ahahah” (gestos e som) desencadeiam um aumento de endorfinas, substâncias químicas naturais produzidas pelo cérebro e que são conhecidas por proporcionarem um efeito de bem-estar.

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Já o médico Lee Berk, que estuda o efeito do riso no organismo há mais de 30 anos, diz que rir, além de provocar a produção de neurotransmissores do bem-estar, “corta” a libertação de hormonas do stress – como o cortisol -, que suprimem a imunidade. Isto acontece porque a nossa mente, sistema imunitário e hormonas estão em constante comunicação e isso afeta o humor e a nossa capacidade para nos defendermos de doenças.

Uma outra investigação levada a cabo pela Western Kentucky University avança ainda que uma boa gargalhada não só aumenta o fluxo sanguíneo como o número de “células assassinas” que o nosso sistema imunitário envia para atacar uma determinada doença. E a melhor notícia é que para gozar dos benefícios do riso nem precisa de rir com vontade! Sim, ao que parece o cérebro não percebe a diferença entre um riso genuíno e um riso provocado numa aula de ioga do riso, por exemplo.

Além destes, outros investigadores conduziram também inúmeros estudos clínicos que confirmam mudanças fisiológicas quando nos rimos: estamos a falar do facto da glândula pituitária libertar opiáceos próprios que suprimem a dor ou do aumento de anticorpos no sangue e na saliva, por exemplo. Já pensou que não é por acaso que existem os chamados “doutores palhaço” na ala pediátrica de muitos hospitais?

Quer ter uma vida mais longa? Ria mais!

Um estudo publicado no journal Psychosomatic Medicine sobre a ligação entre o sentido e humor e a mortalidade, e que envolveu mais de 53 mil mulheres e homens na Noruega ao longo de 15 anos, concluiu que as mulheres com altas pontuações ao nível da componente cognitiva do humor tinham menor risco de morrer de qualquer doença (48%), de doença cardíaca (73%) ou até mesmo de infeção (83%). Já no sexo oposto apenas se conseguiu observar uma ligação entre o humor e um reduzido risco de sofrer de infeções (74%).

Sven Svebak, coautor do estudo e professor de neuromedicina na Norwegian University of Science and Technology, avança que esta componente cognitiva é um aspeto bastante estável da personalidade e pode influenciar a forma como os indivíduos atribuem significado às experiências do dia-a-dia, protegendo-os contra o stress. Desta forma, previne-se o aumento da produção de hormonas do stress, como o cortisol, que quando são cronicamente elevadas suprimem as funções imunitárias.

Riso: o aliado da memória

Poderá o riso melhorar também alguns aspetos da nossa performance mental? Para o comprovar, a psicóloga Kristy Nielson da Marquette University leu a um grupo de pessoas uma lista de 30 palavras e a seguir mostrou a apenas alguns deles uns vídeos engraçados. Os resultados foram surpreendentes: os que tinha assistido aos vídeos lembravam-se de 20% mais das palavras do que os restantes. Já Rod Martin, psicólogo e investigador do riso na University of Western Ontario, no Canadá, teoriza que o riso melhora a performance mental ao acelerar os batimentos cardíacos e consequentemente o fornecimento de oxigénio ao cérebro.

O nosso sentido de humor muda à medida que envelhecemos

Uma criança ri-se cerca de 400 vezes por dia, enquanto um adulto apenas solta 15 risadas em 24 horas. Será porque o nosso sentido de humor se vai alterando com o tempo? Isso foi o que a professora de psicologia na Universidade de Akron Jennifer Stanley quis descobrir. Para tal, fez com que 30 jovens adultos, 22 pessoas de meia-idade e 29 idosos assistissem a diferentes excertos de sitcoms. Durante o processo pediu-lhes que classificassem o conteúdo consoante o que achavam socialmente apropriado e engraçado. Além disso, Jennifer Stanley também recorreu a uma eletromiografia facial para avaliar o movimento dos músculos necessários para sorrir.

A investigadora concluiu que os jovens adultos eram mais propensos a sorrir perante excertos de vídeos que mostravam um tipo de humor auto-depreciativo, já os adultos de meia-idade não são fãs de um estilo de humor mais agressivo, que implica rir às custas de outros. As pessoas mais idosas apreciam um tipo de humor afiliativo, isto é, que envolve aquele tipo de piadas que aproximam pessoas através de uma situação engraçada. A professora Jennifer Stanley acredita que o humor muda à medida que envelhecemos, isto porque com o passar dos anos passamos por vários contratempos físicos e emocionais – declínio das capacidades cognitivas e perda de entes queridos – e o estilo de humor afiliativo ajuda-nos a lidar melhor com isso.

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