Radar económico

A produtividade em Portugal será um entrave para o crescimento?

11 Fevereiro, 2019

A produtividade no trabalho é um dos elementos fundamentais para que as organizações obtenham bons resultados a médio longo-prazo. Será este um dos entraves para o crescimento da economia em Portugal? E qual será a estratégia para melhorar?


O que é ser produtivo?

Ser produtivo é uma das competências que as empresas mais valorizam num colaborador e Portugal não é exceção! No entanto, ainda se confunde muitas vezes produtividade com estar sempre ocupado ou sair mais tarde do trabalho, quando deveríamos estar a falar da capacidade de gerir o tempo, a atenção e a energia em cada tarefa.

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Em poucas palavras, o desempenho do trabalhador em termos de produtividade está relacionado com a quantidade de trabalho entregue num determinado período de tempo.

A produtividade em Portugal

Portugal é um dos países da União Europeia em que as pessoas trabalham mais horas por semana, porém essas horas não se traduzem em produtividade. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Portugal, no seu Boletim Económico de maio de 2018, o facto de a produtividade não acompanhar o crescimento da economia portuguesa pode levar a desequilíbrios externos. O Banco de Portugal concluiu que “no atual período de recuperação da economia portuguesa, a produtividade por trabalhador no conjunto da economia tem diminuído. De acordo com a evidência disponível, esta diminuição está associada a quedas da produtividade intrassetoriais”.

Paul Krugman já dizia que “a produtividade não é tudo, mas a longo prazo é quase tudo” e a consultora McKinsey realizou um estudo em 2018 reforçando esta tese: a produtividade tem vindo a diminuir nos EUA e na Europa. Segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal, em 2017 a queda de produtividade foi de 0,6% e esta tendência manteve-se ao longo do ano com uma redução de 1% no primeiro trimestre de 2018.

Fonte: Pordata

A verdade é que quando são divulgados os rankings da produtividade em Portugal, o nosso país encontra-se sempre em destaque e não é pelas melhores razões. Segundo João Amador, investigador do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, “a produtividade tem tido uma evolução desfavorável” no nosso país, uma vez que se encontra muito abaixo de países como a Alemanha ou Espanha. O Pordata revelou que, em 2017, o índice de produtividade do trabalho por hora dos portugueses era de 66,4 e face ao ano de 1995 verificou-se que Portugal nunca ultrapassou os 70% da média da União Europeia e os 60% da média da Zona Euro.

As consequências de um nível baixo de produtividade

Apesar de a economia do país se encontrar numa boa fase, a produtividade é considerada um dos entraves ao seu avanço. A OCDE defende que os salários baixos justificam a falta de produtividade dos portugueses. De acordo com a entidade, “o fraco crescimento da produtividade do trabalho continua a caraterizar as economias mais desenvolvidas do mundo e ameaça comprometer melhorias na qualidade de vida”.

A OCDE acredita ainda que o setor industrial é o mais afetado em termos de produtividade, uma vez que abrange áreas que envolvem alta tecnologia, como por exemplo a computação ou a eletrónica, bem como as indústrias com níveis mais baixos de especialização.

Além disso, a produtividade também tem um grande impacto no desempenho das exportações, por exemplo. O facto de os trabalhadores não serem tão eficientes nas suas funções leva a que as empresas tenham mais custos, o que prejudica a competitividade externa da economia, trazendo efeitos negativos ao nível das exportações.

Estratégia para o crescimento

Promover a produtividade é uma das prioridades da política económica propostas no Orçamento de Estado de 2019. Contudo, continua a ser necessário implementar uma estratégia para que as organizações se tornem mais competitivas. Nesta medida, a Confederação Empresarial de Portugal propôs às empresas apostar no investimento e na inovação, na capitalização de financiamento, bem como na qualificação de recursos humanos de forma a aumentar a produtividade do país.

O Diretor-geral da Michael Page Portugal, Álvaro Fernández, afirma que em 2019 há duas palavras-chave que se complementam: equilíbrio e produtividade, na medida em que deve existir um equilíbrio entre a empresa e o colaborador, entre o trabalho desempenhado e as recompensas e também entre a vida pessoal e profissional.  Conseguir equilibrar todos estes elementos é, segundo o especialista em recrutamento, um dos fatores que pode dar um empurrão à produtividade das empresas e do país.

A Inteligência Artificial será a solução?

A verdade é que a chegada das novas tecnologias mudou por completo o dia-a-dia dos trabalhadores e muitos sentem que não estão a ser produtivos apesar de trabalharem muitas horas. Assim, a Fujitsu realizou um estudo baseado num inquérito a colaboradores de empresas de grande e média dimensão para ajudar os trabalhadores a serem mais produtivos no seu local de trabalho.

Os resultados do estudo mostraram que hoje mais de 80% dos colaboradores consideram a Inteligência Artificial como uma ajuda para melhorarem a sua produtividade. A Accenture também se interessou por este tema e revelou numa das suas pesquisas que a Inteligência Artificial irá contribuir para aumentar 40% da produtividade do mercado industrial até 2035, o que lança algumas pistas para solucionar o problema da baixa produtividade e das suas consequências para as economias.

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