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Os 20 anos da Google: a empresa que revolucionou o mercado

27 Dezembro, 2018

A Google celebra 20 anos este ano: a empresa que começou numa garagem é hoje um dos maiores gigantes da tecnologia. Como terá sido o seu percurso até aqui? E quais são os próximos desafios? Tudo o que precisa de saber está neste artigo.


A fazer magia a partir de um quarto de estudantes

Em 1995, Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes universitários com apenas 22 anos, criaram um motor de pesquisa chamado “Backrub” a partir dos seus quartos. O nome não se manteve durante muito tempo, pois rapidamente os fundadores perceberam que estavam perante um projeto atrativo que viria a chamar à atenção dos investidores especializados em áreas das tecnologias, como foi o caso de Andy Bechtolsheim.

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No dia 4 de setembro de 1998, Bechtolsheim passou um cheque de cem mil dólares (cerca de 86 mil euros) que levou à oficialização da empresa. A partir deste momento, os dois jovens deixaram de trabalhar nos seus quartos e passaram para uma garagem arrendada por Susan Wojcicki (atual CEO do Youtube) que se tornou o local de trabalho de sete funcionários.

Adeus “Backrub”, olá Google!

Rapidamente a garagem se tornou pequena para o número de funcionários que integravam a organização. Os estudantes começaram então a reunir-se na Universidade de Standford e foi também nesse momento que os dois amigos entenderam que o nome “Backrub” não era o mais adequado para o motor de busca. Foi então que repararam que o cheque passado por Andy Bechtolsheim dizia Google Ince assim acabaram por mudar o nome da empresa para Google, inspirados também na palavra “googol” – termo matemático para o numeral 1 acompanhado por vários zeros. Agora sim, estava inaugurada a Google.

De início, a grande ambição da Google assentava essencialmente em apresentar resultados de pesquisa hierarquizados, sendo que estes deveriam ser provenientes de fontes de confiança e com boa reputação. A vontade de fazer cada vez mais e melhor ganhava cada vez mais força e por essa mesma razão os fundadores voltaram a mudar de instalações, desta vez para a cidade californiana de Palo Alto.

Atualmente, a Google encontra-se sediada na cidade de Mountain View, no edifício Googleplex, na Califórnia, e conta com mais de 60 mil funcionários em mais de 50 países. Estima-se que venha a abrir em Portugal, ainda no decorrer deste ano, um centro de operações do grupo que irá empregar cerca de 500 pessoas, segundo avançou o Primeiro-Ministro António Costa, no anúncio realizado em janeiro de 2018.

As aquisições milionárias até chegar ao topo

A Google sofreu diversas alterações até chegar ao motor de pesquisa que hoje em dia encontramos na internet. Em 1998 surgiu o primeiro doodle – os desenhos criados pela Google para assinalar os dias festivos. Este conceito foi criado pelos administradores para avisar os utilizadores que estariam ausentes para participar no festival norte-americano Burning Man e de forma a deixar o alerta colocaram desenhos que ilustravam o evento.

Por esta altura, a gigante tecnológica ainda tinha um caminho longo a percorrer, mas o ano de 2001 ficou marcado por grandes avanços: por exemplo, a partir desse ano os utilizadores passaram a ter a possibilidade de pesquisar imagens – estava criado o Google Images, que possibilitava a pesquisa entre mais de 250 milhões de imagens.

Depois da invenção do Google Images, seguiram-se muitas outras inovações que rapidamente passaram a fazer parte do nosso dia-a-dia, como é o caso do Gmail, do Google Maps, do sistema operativo Android, adotado na maioria dos smartphones, e também do Google Chrome.

Porém, a Google não se ficou por aqui, uma vez que apostou também em aquisições estratégicas, como o Youtube e a Motorola. O Youtube foi uma das principais, em 2006: ao comprar a plataforma de vídeos, a Google lucrou 1.65 milhões de dólares, o que equivale a cerca de 1.4 mil milhões de euros. Já a Motorola foi comprada, em 2011, por 12.5 mil milhões de dólares, ou seja, rondava os 11 mil milhões de euros, sendo considerada a maior aquisição de todos os tempos e mais tarde acabou por ser vendida por falta de rentabilidade. Já há muito que Google deixou de ser apenas sinónimo de motor de busca e passou a representar uma das maiores empresas tecnológicas à escala mundial.

Duas décadas de evolução

Apesar das dificuldades com que a empresa se confrontou durante o seu percurso, a Google manteve sempre um espírito ambicioso, o que levou a uma reestruturação interna em 2015.

Larry Page e Sergey Brin criaram então a empresa-mãe da Google, a Alphabet, que passaram a administrar, e alargaram o seu negócio ao nomear Sundar Pichai como CEO da Google. Esta medida foi considerada uma das decisões mais vantajosas para a organização.

Com esta reestruturação, o grupo cresceu substancialmente e o valor do mercado da Google quase duplicou nos seis meses seguintes. “Na indústria da tecnologia, onde as ideias revolucionárias levam às novas grandes áreas de crescimento, é preciso que nos sintamos um pouco desconfortáveis de modo a que sejamos relevantes”, conta Larry Page.

20 anos depois da sua criação, a Google vale hoje cerca de 727 mil milhões de euros e é uma das empresas mais poderosas a nível mundial, estando na terceira posição das empresas mais valiosas do mundo, apenas atrás da Microsoft e da Apple.

Não há bela sem senão: as multas e a União Europeia

Os 20 anos da Google também contam com episódios menos felizes e as polémicas dos últimos anos são exemplo disso. Uma das mais controversas aconteceu em em 2017, quando a União Europeia decidiu multar a empresa em 2.7 mil milhões de dólares (cerca de 2.3 mil milhões de euros), por violar as regras da boa concorrência.

A União Europeia considerou que a Google influenciou os consumidores, ao promover os seus produtos e serviços, colocando em desvantagem os seus concorrentes. “Negou a outras empresas a oportunidade de competir e inovar. E, mais importante que isso, negou aos consumidores europeus uma escolha genuína dos serviços”, assegurava Margrethe Vestager, Comissária Europeia para a Concorrência.

Uma situação semelhante aconteceu em julho deste ano, quando a União Europeia voltou a multar a empresa, atingindo um valor exorbitante de 4.34 mil milhões de euros. Desta vez, a União Europeia acusou a Google de violar as suas regras ao aproveitar-se do domínio do sistema operativo Android para garantir o sucesso das suas aplicações e assim afastar os potenciais rivais.

Todas estas polémicas levaram a que os lucros da Alphabet baixassem significativamente, rondando os 2.8 mil milhões de dólares. Porém, a empresa nunca deixou de se manter no leque das organizações mais valiosas do mundo.

E o futuro? Quais são os novos desafios?

A Google já deu provas que revolucionou o mundo das plataformas tecnológicas e por isso hoje é uma das mais importantes empresas no setor tecnológico, expandindo-se em várias áreas, como na robótica, inteligência artificial e inclusivamente na vertente da saúde e das comunicações. E agora? Como é que uma empresa que “agitou” o mercado, com um percurso inigualável, poderá continuar a marcar a diferença num futuro em que parece que já tudo foi inventado? Afinal, quais serão os próximos desafios?

A Google coloca a inteligência artificial no centro das suas prioridades para os próximos anos, mas também continua a apostar em melhorar o seu motor de busca, introduzindo algumas novidades, como os cartões de atividade personalizados nos resultados de pesquisa.

Além disso, também o feed do Google passará a ser um portal de descobertas – o Discover que estará disponível para smartphones em breve. Este novo portal deixará de ser uma mera página de resultados de pesquisa, para ser uma experiência completamente nova onde o utilizador pode ter acesso a todo o tipo de conteúdos.

A multinacional promete ainda na próxima década apostar num motor de busca mais transparente, mais visual e mais inteligente, colocando um maior número de imagens e menos palavras na plataforma. Saiba ainda que a Google se encontra a desenvolver aquele que será o sucessor do Android – o Fuchsia – sistema pensado para a próxima era da tecnologia que deverá entrar no mercado nos próximos três anos. E não será tudo, certamente. Mas o resto, como o algoritmo por detrás do sistema, continuará a ser um mistério para todos.

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