Cultura e lazer

Roteiro pelas mais belas estações de comboio

26 Dezembro, 2018

Milhares de passageiros cruzam todos os anos as estações ferroviárias, na ânsia de chegarem ao seu destino. Mas existem muitas que merecem uma paragem demorada e um olhar mais atento: da exuberância do antigo à imponência do moderno, damos-lhe a conhecer sete das mais belas estações de comboio do mundo. E duas são portuguesas!


Uma linha, muitos destinos

As longas viagens de comboio marcaram o século XIX e XX: desde a sua criação, o comboio espalhou-se por todo o mundo, numa teia de linhas que se multiplicou e foi fundamental para a revolução industrial e para a vida moderna. Ainda que no século XXI tenha sido ultrapassado por outros veículos, a verdade é que o comboio guarda uma aura que não nos deixa indiferentes e continua, para muitos, a ser o meio de transporte de todos os dias.

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Indispensáveis para o funcionamento dos caminhos de ferro, são as estações ferroviárias. Algumas são mais do que simples lugares de passagem onde linhas e passageiros se cruzam; são verdadeiros destinos turísticos que prendem o olhar pela sua arquitetura. De comboio, de carro, ou a pé siga-nos neste roteiro por algumas das mais belas estações de comboio do mundo.

Estação de São Bento: 20 mil azulejos

Ainda antes de haver uma estação, já os comboios chegavam à zona da Campanhã no Porto. A construção da Estação de São Bento, assim chamada porque foi erguida sobre as ruínas do Convento de São Bento da Ave-maria, teve início em 1900 e só dezasseis anos mais tarde é que a obra viria a estar concluída. A espera valeu a pena: o arquiteto Marques da Silva projetou um imponente edifício de granito em forma de U que se transformou no cartão de visita da cidade.

Não é só a grandiosidade das fachadas em granito que o vão impressionar. A luz natural invade o espaço através da cobertura de vidro e ferro fundido, iluminando o átrio revestido por 20 mil azulejos da autoria do ceramista, pintor e caricaturista português, Jorge Colaço. Os painéis de azulejos cobrem uma área superior a 550 metros quadrados e neles estão representadas várias cenas da vida nacional e dos transportes. A Estação de São Bento é um expoente da tradição de azulejaria portuguesa.

Estação do Rossio: Lisboa chega e parte daqui

Do Porto descemos até Lisboa para visitar a Estação do Rossio, uma das mais fervilhantes da capital. De portas voltadas para o início da Praça dos Restauradores, desde 1890 que a antiga Estação da Avenida encanta passageiros, moradores e turistas com o seu estilo neomanuelino. À época não era habitual que um edifício público e para usos tão mundanos apresentasse um estilo arquitetónico tão associado à realeza, mas foi o que o seu arquiteto, José Luís Monteiro, projetou.

Na fachada principal, onde se podem observar 8 portas e 18 janelas ricamente trabalhadas, sobressaem duas portas principais em forma de ferradura e o relógio que está no cimo da torre ao centro. Uma expressão do romantismo português na arquitetura que se encontra agora de cara lavada, depois de uma intervenção ter restituído à pedra a sua tonalidade branca original. São mais de 120 anos de existência que se cruzam com alguns dos episódios mais marcantes da história nacional. Sabia que o Presidente da República, Sidónio Pais, foi aqui assassinado em 1918 e que era daqui que partia e chegava o famoso Sud-Express, esse mítico comboio que para muitos portugueses significava uma vida melhor em França?

Estação de Atocha: a selva no coração de Madrid

Próxima paragem: Estação de Atocha, Madrid. Quem vê de fora o enorme edifício cor de tijolo não imagina tudo que se pode encontrar no interior da maior estação da capital espanhola. Depois de alguns episódios atribulados e várias remodelações e ampliações, a Estação de Atocha é hoje o centro de passagem para muitos madrilenos, afinal daqui partem e chegam comboios suburbanos, de longa distância e até o metro.

Ao aproximar-se do edifício é impossível não reparar na cobertura em ferro que cobre a zona antiga da estação. Foi aí, no terminal central que, depois de serem desmontados os carris, abriu ao público uma área de lazer com cafés restaurantes e um incrível jardim tropical que faz qualquer um acreditar que foi transportado para a selva.

Estação Central de Antuérpia: o expoente da arquitetura ferroviária do princípio do século XX na Bélgica

De Madrid vamos até à Bélgica e à sua Estação Central de Antuérpia, um enorme edifício do princípio do século XX projetado por Louis Delacenserie. A estação assemelha-se mais a uma catedral com as suas paredes de pedra e uma enorme cúpula de vidro e aço. No interior, a fusão de estilos e um design pensado ao pormenor vão surpreendê-lo.

A estação central de Antuérpia tem três níveis de linhas férreas, mas para lá dos comboios e de todos os detalhes da arquitetura, pode também aproveitar para comprar uma recordação. No interior existe um centro comercial e uma galeria com várias lojas dedicadas ao comércio de diamantes.

Estação de Liège-Guillemins: o espantoso mundo moderno

E já que estamos na Bélgica podemos dar um saltinho a Liége e à sua incrível estação de caminhos de ferro. Foi aqui que, em 2009, o famoso arquiteto espanhol Santiago Calatrava projetou um edifício moderno em betão, aço e vidro onde se destaca um monumental arco com 160 metros de comprimento e 32 metros de altura.

Este edifício futurista veio substituir a antiga estação de Liége, que já se localizava neste espaço, e atualmente dispõe de nove faixas e cinco plataformas sendo uma das três estações belgas que servem os comboios de alta velocidade, mais conhecidos por TGV, que por sua vez servem toda a Europa.

Estação de Sirkeci Istambul: o fim da linha do Expresso do Oriente

Se há viagem de comboio que marca o nosso imaginário e está inscrita na cultura popular pelas inúmeras vezes que foi o centro de tramas de livros ou filmes, essa viagem é a do Expresso do Oriente.  Este foi um inovador serviço de comboios de longa distância que surgiu no final do século XIX e ligava Paris a Constantinopla, hoje Istambul, em poucos dias. Ora, foi justamente para servir o Expresso do Oriente que nasceu a nossa próxima paragem.

A Estação de Sirkeci é uma estação central da ferrovia Turca e situa-se na parte europeia de Istambul na Turquia. O edifício em tom salmão e com uma cúpula na área central, é ricamente trabalhado numa fusão entre a arquitetura europeia e oriental que data de 1890. Inaugurada como estação terminal do Expresso do Oriente, atualmente já não faz a ligação a Paris, mas ainda liga a Turquia ao resto da Europa com comboios que partem para a Grécia, Roménia, Sérvia e Bulgária.

Estação Chhatrapati Shivaji: três milhões de pessoas passam diariamente neste património da Humanidade

A Estação Chhatrapati Shivaji na cidade de Bombaim é um dos mais belos exemplares da arquitetura ferroviária em solo Indiano: foi considerada Património Mundial da UNESCO em 2004 devido ao seu grande valor histórico, cultural e arquitetónico. O monumental edifício, projetado por Frederick William Stevens, data da época colonial britânica na Índia e foi inaugurado em 1888 em homenagem à rainha Vitória.

De estilo neogótico vitoriano, é possível perceber também muitas influências da arquitetura tradicional indiana nos detalhes que o adornam. E se a imagem lhe parece familiar, é bem possível que seja por causa do filme Quem Quer Ser Bilionário, cuja cena final foi rodada nesta estação que serve diariamente 3 milhões de pessoas.

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