Saúde

Fome Emocional: quando as emoções passam a controlar o apetite

23 Outubro, 2018

Por várias vezes abriu o frigorífico e devorou tudo o que lhe apareceu à frente, sem se conseguir controlar? Atenção porque esse comportamento pode esconder um problema de fome emocional! 


Fome fisiológica VS fome emocional

A fome fisiológica surge quando o organismo tem de suprimir as necessidades energéticas e nutricionais, essenciais para o seu bom funcionamento. Além disso, ocorre gradualmente, é controlável, pode ser satisfeita por uma grande variedade de alimentos e desencadeia um comportamento alimentar que cessa com a sensação de estar saciado. Sensações fisiológicas como contrações estomacais e ampliação de sentidos como o paladar e o olfato são sinais de fome fisiológica.

No caso da fome emocional acontece precisamente o contrário: caracteriza-se por episódios repentinos de ingestão compulsiva de alimentos de grande valor calórico e ricos em açúcar ou gordura – doces, bolachas, batatas fritas -, difíceis de controlar e a pedido do cérebro. Neste caso, a pessoa nunca se sente satisfeita, mesmo que já esteja cheia, e também não existe uma ampliação natural dos sentidos de paladar e olfato, sendo que a pessoa acaba por comer muito sem saborear realmente os alimentos.

Porque comemos mais quando estamos stressados?

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Já se perguntou porque é que algumas pessoas comem mais quando estão stressadas? Ora, isso acontece porque o stress faz aumentar os níveis de cortisol – hormonas que afetam paralelamente o sistema nervoso e endócrino – e isso pode fazer com que o apetite aumente também.

Podemos então concluir que a fome emocional pode ser desencadeada por estímulos de natureza psicológica que levam um indivíduo a comer mesmo sem ter fome. Estímulos esses que não se prendem só com o stress mas também com o cansaço, a ansiedade, problemas de autoestima, insatisfação corporal e até depressão.

Além disso, comer emocionalmente é uma forma de procurar conforto e refúgio na comida, servindo também como sedativo e calmante, porque no fundo trata-se do escape encontrado para evitar lidar com determinadas emoções (tristeza, solidão, entre outras) ou de uma forma para descarregar tensão, raiva ou frustração.

O lado negativo da fome emocional

Se uma pessoa adota a fome emocional como um mecanismo de defesa e começa a comer sem peso, conta e medida entra num ciclo vicioso e o que vai acontecer inevitavelmente é que vai engordar. Como consequência pode vir a sofrer de excesso de peso, um fator de risco no caso do colesterol e de em doenças como a hipertensão, diabetes e apneia do sono.

E embora a pessoa se sinta melhor quando está a comer, o pós tem um lado muito negativo: quem come emocionalmente acaba por se sentir culpado, envergonhado ou arrependido depois de comer tanto, porque sabe que não está a comer por razões nutricionais, mas sim porque há um desejo incontrolável que não lhe sai da cabeça.

Fome emocional: estratégias para o ajudar a combater o problema 

Por norma, as pessoas que comem emocionalmente fazem-no longe dos olhares dos outros – a vergonha explica este comportamento. Ocupar a cabeça e distrair-se na companhia de outras pessoas pode ser uma boa forma de combater a fome emocional. Por exemplo, marque uma saída com amigos para se divertir um pouco e fugir à rotina ou aproveite para fazer uma caminhada.

Ao fazer coisas tão simples como estas está a ajudar o cérebro a abstrair-se da sensação de fome. Beber água ou chá é importante, já que por vezes as sensações de fome e sede confundem-se entre si. Isto acontece porque é na mesma estrutura no cérebro, o hipotálamo, que são geradas, em simultâneo, as sensações de fome e de sede. E lembre-se: dormir bem também ajuda a controlar a fome.

Se estiver em casa e se sentir exausto após um dia longo e stressante de trabalho, tome um banho relaxante, oiça uma música agradável e entretenha-se a ver uma série ou a ler um livro.  Lembre-se também que há sempre sítios por descobrir perto de si e que valem a sua visita. Resumindo, o importante é que arranje estratégias para se manter ocupado e que não dêem espaço a grandes asneiras alimentares.

A sua fome emocional está fora de controlo?

Tem a consciência de que come emocionalmente, já tentou parar, mas não consegue e sente, que, de facto, a sua vida está a ser afetada por este problema? Então, deve procurar ser acompanhado por um psicólogo, diz Cláudia Madeira Pereira, psicóloga clínica e de saúde. Até porque perceber a raiz do problema é a melhor forma para encontrar uma solução para o que está a despoletar a fome emocional.

Além disso, a profissional acrescenta que quando a fome emocional passa a uma perturbação do comportamento alimentar – uma compulsão alimentar, por exemplo – é indispensável o tratamento psicoterapêutico para prevenir o seu agravamento e o desenvolvimento de outros problemas psicológicos no futuro.

Estarei a comer emocionalmente?

A fome emocional é um problema transversal a mulheres e homens de todas as faixas etárias. Se considera que tem uma relação complicada a comida e quer perceber se pode estar a sofrer ou não de fome emocional, comece por ver se se indetifica com o quadro abaixo. 

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