pessoas e histórias

Empresas familiares: quando a sucessão é sinónimo de sucesso!

19 Outubro, 2018

O que têm em comum a Licor Beirão e a Riberalves, para além do seu sucesso? São empresas de família! Conheça estes e outros casos em que a sucessão é a alma do negócio.


80% das empresas em Portugal são familiares! 

As empresas José Maria da Fonseca, Licor Beirão e Riberalves têm uma coisa em comum: são negócios de família, cuja liderança transita de geração em geração. E a expressão deste tipo de empresas em Portugal é bastante alta: representam 70 a 80 por cento do tecido empresarial, contribuem para 50% do emprego e representam 65% do Produto Interno Bruto (PIB), de  acordo com os dados da Associação das Empresas Familiares. Preparado para conhecer os casos em que a sucessão é sinónimo de sucesso?

JMF: vinhos de família com quase 200 anos de história

A história da empresa José Maria da Fonseca (JMF) começou em 1834 com o irreverente José Maria de Fonseca, o seu fundador, mas hoje são os irmãos António e Domingos Soares Franco os principais rostos da atividade vinícola. A paixão pela cultura do vinho foi passada até à 7ª geração, desde a infância, através da vindima e do enoturismo, mas só 3 dos 8 herdeiros – António Maria, a irmã Sofia e o primo Francisco – decidiram continuar na JMF por vocação até porque “nunca é criada nenhuma posição específica para um familiar. Tem de ser alguém que traz valor acrescentado”, conta o gestor António Maria ao Dinheiro Vivo.

Mas como se explica o sucesso desta empresa com quase 200 anos, 202 trabalhadores e que é conhecida por ter sido a primeira a engarrafar os vinhos de mesa, a criar a marca Periquita e a produzir Moscatel de Setúbal, o seu ex-libris? Pode dizer-se que a obsessão pela qualidade está no ADN de todos os sucessores: a empresa distingue-se por aliar a modernização, investindo em suportes de investigação e produção, ao saber tradicional. Um exemplo disso é a Adega José de Sousa Rosado Fernandes, em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, onde a tradição romana de fermentar em potes de barro anda a par com a última tecnologia.

Sem esquecer que daí e dos seus 650 hectares, saem vinhos (ao todo 30 marcas!) que unem a experiência acumulada ao longo dos anos às técnicas mais avançadas de vinificação. E o futuro parece promissor! A empresa exporta 70% da sua produção, está presente em 70 mercados e aposta agora na área comercial e num papel mais ativo no mercado nacional com a criação da JMF Distribuição e a abertura de um WineBar em Lisboa. Além disso, pretende reforçar a sua presença nos mercados externos, através de equipas locais ou com a abertura de escritórios de representação. O seu objetivo é crescer mais de 10% este ano de forma a ultrapassar os 20 milhões somados em 2017!

Licor Beirão rejuvenesceu para vencer!

Ler Mais

 

Falar da Licor Beirão é falar da família Carranca Redondo: estávamos a 29 de abril de 1916 quando nasceu o “Senhor Licor”, José Carranca Redondo, para dar notoriedade e colocar no mapa o hoje mundialmente conhecido Licor Beirão. Sim, é que embora o produto já existisse, foi com a sua ajuda, aquando da aquisição da “fábrica do segredo”, passados 24 anos, que a bebida venceu. O instinto de marketeer do empresário levou à criação do slogan O Beirão de que todos gostam, isto em plena Ditadura e fazendo referência a Salazar! Mais tarde foi o seu filho, agora presidente, a fazer história com Beirão, o licor de Portugal.

Chegados à terceira geração, a empresa muda de rumo: os irmãos Daniel (responsável pela gestão executiva) e Ricardo (responsável financeiro, pela produção e o único conhecedor da fórmula secreta do Licor Beirão a par do seu pai), decidem rejuvenescer a marca apostando em cocktails e associando-se a semanas académicas e a festivais de música. E resultou! Passaram de vender 100 mil garrafas por ano em 1971, para 1,8 milhões 30 anos depois – em 2017 quase chegaram aos 4 milhões! Para este ano, a meta é crescer acima dos 20% nos mercados internacionais, que representam já 24% das vendas.

E ao que parece, a quarta geração está mais que pronta para dar seguimento ao negócio de família, na Quinta do Meiral: os 10 netos de José Redondo, com idades entre os 6 e os 16 anos, são prova de que pequenino é que se torce o pepino e já ajudam em algumas tarefas dentro da fábrica. Em troca, pedem uma moeda ou um rebuçado, mas o avô exige-lhes a apresentação de um relatório escrito com a jorna para que juntos discutam a retribuição. No futuro serão eles a gerir os 12 hectares, no meio da Serra da Lousã, e a fazer crescer a marca que em 2012 foi considerada “Marca do Ano” pela publicação Meios e Publicidade.

Riberalves: o negócio do bacalhau que se tornou num negócio de família

Por volta dos anos 60, João Alves e o seu pai saiam da pequena mercearia em São Pedro da Cadeira, Torres Vedras, para vender bacalhau porta a porta, pelas ruas da baixa de Lisboa. E aí o herdeiro ainda nem sonhava que este se tornaria o negócio da sua vida: foi só em 1985, já depois de se estabelecer por conta própria, que criaria a empresa que se veio a tornar numa referência no setor do bacalhau e que gere ao lado da mulher, a Riberalves.

O nome foi beber inspiração aos seus dois filhos, Ricardo e Bernardo Alves, e como já seria de esperar, visto que esta é uma empresa familiar, ambos fazem parte da estrutura administrativa do grupo, que conta com cerca de 500 colaboradores. Curiosamente, o seu sucesso também assenta numa viragem: a partir de 1990, a Riberalves passou de ser um Cash & Carry para uma unidade industrial, em Torres Vedras, a sede onde é coordenada hoje toda a atividade.

Com este passo, João Alves mostrava que estava decidido a apostar exclusivamente na indústria e transformação do bacalhau. E parece que foi uma aposta ganha: a Riberalves produz 30 mil toneladas de bacalhau por ano, o equivalente a cerca de 8 a 10 por centro de todo o bacalhau pescado no mundo, está presente em mais de 20 países e exporta 40% para o chamado “Mercado da Saudade”, junto das comunidades portuguesas ou da cultura portuguesa.

Além disso, esta empresa tem uma clara compreensão das necessidades dos seus consumidores: as pessoas hoje em dia-a-dia querem consumir produtos congelados de qualidade porque é prático e é por isso que na fábrica da Moita existe tecnologia sofisticada para assegurar a produção de Bacalhau Demolhado Ultracongelado – Pronto a Cozinhar! Sem esquecer que foi de génio, em termos de Marketing, terem como embaixador da marca o reputado chef Miguel Laffan.

Quer saber mais sobre empresas familiares?

Falámos aqui de algumas histórias de sucessão e sucesso, mas Portugal está recheado delas! A Amorim e a centenária Ach. Brito são mais dois exemplos em que os herdeiros assumiram as rédeas dos negócios de família. Descubra-os!

Ler Menos