Cultura e lazer

Cinco dos melhores jardins para passear em Portugal

16 Outubro, 2018

O verão pode estar de partida, mas a nossa vontade de passear ao ar livre ainda não acabou! E que melhor altura para descobrir os jardins e parques que se espalham por Portugal que o Outono? Coloque calçado confortável e venha daí descobrir alguns dos mais belos jardins nacionais.


Mata Nacional do Buçaco: verde intenso e mágico

Passear por um belo jardim é sempre um momento de prazer, deslumbramento e comunhão com a natureza, mas talvez em nenhum outro lugar isso seja tão verdade como na Mata Nacional do Buçaco. Localizada no concelho da Mealhada, a sua edificação começou no início do século XVII pela mão dos monges da Ordem dos Carmelitas Descalços. Atualmente com 105 hectares de extensão, estão disponíveis seis percursos pedestres bem identificados para que os visitantes partam à descoberta da sua flora e fauna.

Longe de impressionar apenas pela sua extensão, é a riqueza do seu património natural, cultural e arquitetónico que torna a Mata do Buçaco tão interessante. O acesso faz-se por uma das onze portas, já que a mata foi totalmente murada pelos monges, e uma vez lá dentro poderá apreciar cerca de 400 espécies vegetais nativas e aproximadamente 300 vindas de outras paragens. Junto da Porta de São José encontra um ex-líbris do Buçaco e desta simbiose: o Cedro de São José. Originário do México, o imponente cipreste terá sido a primeira planta exótica a ser plantada pelos monges em 1656.

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Não só de exuberância vegetal vive este espaço mágico: aqui também poderá apreciar o Convento de Santa Cruz com o seu revestimento em cortiça, local onde o General Wellington pernoitou na Batalha do Buçaco, o Palace Hotel do Buçaco, uma das unidades hoteleiras mais bonitas de Portugal com o seu estilo neomanuelino e o Museu Militar. Passe pelo vale dos fetos e aprecie os seus lagos, refresque-se numa das várias fontes, espreite as ermidas, percorra os vinte passos da Paixão de Cristo e, quando o corpo pedir algum descanso, repouse no miradouro da Cruz Alta de onde terá uma vista privilegiada de toda a região entre Coimbra e a Serra do Caramulo.

Jardim da Gulbenkian: um recanto de tranquilidade no centro de Lisboa

Se procura um refúgio para passear e relaxar mesmo no centro da capital, o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian é o lugar ideal. Localizado entre a Avenida de Berna e a Avenida António Augusto Aguiar, o Jardim da Gulbenkian é uma referência da arquitetura paisagista portuguesa. Projetado pelos arquitetos António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles, foi construído nos anos 60 com uma organização geométrica subtil e continua a ser um espaço moderno e aprazível para quem pretender passar algumas horas tranquilas em Lisboa.

No coração destes 9 hectares de verde encontra-se o enorme lago com o seu vasto relvado onde poderá sentar-se a desfrutar do sol e do bom tempo, ou aproveitar para ler um daqueles livros para os quais nunca sobra tempo. Para além do lago, estendem-se vários riachos, canteiros, trilhos com arvoredo diversificado e terraços ajardinados para os que gostam de recantos mais sossegados para descansar. Não se admire se no meio do seu passeio se cruzar com patos, pavões ou tartarugas! É que o Jardim da Gulbenkian é um refúgio para humanos, mas também para várias espécies animais. Não deixe o recinto sem espreitar o anfiteatro ao ar livre onde se realizam concertos e espetáculos.

Na área adjacente ao Jardim, com entrada pela Avenida António Augusto Aguiar, poderá visitar o Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, mais conhecido como CAM. Descubra uma das mais completas coleções de arte contemporânea portuguesa com obras de artistas tão conceituados como Amadeo de Souza-Cardoso, Paula Rego ou Vieira da Silva, num espaço moderno, amplo e luminoso com vista para o jardim. Facilmente este espaço vai-se converter num dos seus preferidos na cidade!

Jardins do Palácio de Cristal: um espaço verde com vista para o Douro

Também na cidade invicta existe um jardim aprazível para passear, ou melhor vários jardins ligados entre si e que formam os Jardins do Palácio de Cristal. Situados na freguesia de Massarelos, bem no coração do Porto, estes jardins foram projetados em 1860 pelo paisagista alemão Émile David para rodear o Palácio de Cristal, construído na mesma altura para albergar a Exposição Internacional do Porto.

Do edifício original em granito, ferro e vidro não resta nada, uma vez que foi demolido em 1951 para dar lugar a um pavilhão desportivo, hoje conhecido por Pavilhão Rosa Mota e cuja cúpula é visível de vários pontos dos jardins. À espera dos visitantes continuam, isso sim, uma natureza rica e muita tranquilidade. São quase dez hectares de espaço verde para explorar, com magníficos exemplares de rododendros, camélias, ginkgos e faias que dão sombras maravilhosas para descansar. 

Um dos espaços mais emblemáticos é certamente a avenida das Tílias, um eixo marcante dos jardins com os seus bancos de madeira e que está ladeada pela biblioteca Municipal Almeida Garrett e pela Concha Acústica onde se realizam vários espetáculos. Poderá ainda passear junto ao lago, deter-se no jardim das plantas aromáticas ou das plantas medicinais, desfrutar do bosque, da Avenidas dos Castanheiros-da-Índia e apreciar o património artístico exposto no Jardim do Roseiral. Um verdadeiro oásis natural no meio do buliço da cidade do Porto!

Jardim da Quinta das Lágrimas: uma homenagem ao amor em Coimbra

Quem não conhece a história de amor eterno entre D. Pedro e Inês de Castro? Este amor trágico, que desde o século XIV povoa o imaginário nacional, teve como um dos palcos principais o Jardim da Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Reza a lenda que era neste local mágico que os dois amantes se encontravam secretamente para viver a paixão que os unia e que ainda hoje os visitantes podem ver as marcas desse amor. Se não resiste a uma história romântica, a Quinta das Lágrima é o destino ideal para si!

Ao longo dos séculos, a quinta e os jardins foram sofrendo alterações, mas ainda hoje, dentro dos seus 18,3 hectares, pode apreciar espécies florestais vindas de todo o mundo. Junto ao palácio, que é hoje um luxuoso hotel, deslumbre-se com sequóias, olaias, palmeiras-da-china, cedros-do-buçaco e claro, com o majestoso podocarpo, originário do sul do continente africano, do qual existe apenas mais um exemplar em Portugal.

Quem vem ao Jardim da Quinta das Lágrimas tem ainda como paragens obrigatórias a Fonte dos Amores e a Fonte das Lágrimas, cuja lenda diz ter nascido das lágrimas vertidas por Inês ao ser assassinada e que o tom rubro das pedras que estão no seu leito é o seu sangue. Apaixone-se por esta explosão de natureza!

Parque Terra Nostra: uma das jóias dos Açores

Quem visita a ilha de São Miguel não dispensa uma passagem por este jardim botânico com mais de 200 anos de história e 12.5 hectares de extensão. Localizado no Vale das Furnas, que é na realidade a cratera de um vulcão adormecido, o Parque Terra Nostra é mais um motivo para visitar os Açores. A sua fundação remonta a 1780 e ao então cônsul dos Estados Unidos no arquipélago, Thomas Hickling, que aí mandou construir a sua residência de verão e um grande tanque de água com uma ilha no meio, rodeando-o de árvores. Ainda hoje se pode observar nesta zona um carvalho plantado pelo cônsul.

Ao longo do tempo, a área mudou de proprietários, teve sucessivas expansões e o tanque passou a ser de água termal, com uma temperatura entre os 35ºC e 40ºC, e é hoje um dos pontos altos da visita a este jardim. Os seus encantos não se ficam por aqui: no espaço existem várias pequenas nascentes e cursos de água, um canal que serpenteia, grutas, árvores centenárias que se misturam com novas espécies, plantas autóctones e outras oriundas de locais tão distantes e diversos como a América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, China e África do Sul. Um mundo de natureza luxuriante para descobrir!

O parque é também conhecido por albergar múltiplas e extensas coleções de várias espécies. Entre elas destacam-se a coleção de fetos, com 300 exemplares e a coleção de camélias que possui mais de 600 espécimes. Consoante a altura do ano que escolha para o visitar, tem um percurso indicado para tirar o máximo proveito do que este espaço verdejante tem para lhe oferecer. Por tudo o que já lhe contámos, não admira que o parque Terra Nostra tenha sido considerado um dos mais bonitos do mundo pela conceituada revista Condé Nast Travel. Agora só tem que o comprovar com os seus próprios olhos!

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