Radar económico

A Inteligência Artificial pode fazer crescer a Economia?

9 Outubro, 2018

Estudos indicam que a Inteligência Artificial pode impulsionar o crescimento económico e o aumento da produtividade. No entanto, é preciso reconhecer que com a implementação deste tipo de tecnologia vêm também desafios.


Inteligência Artificial: o novo fator do crescimento económico

Impulsionar o crescimento económico não é fácil, mas também não é impossível! E de acordo com um estudo da Accenture, com base em 12 economias desenvolvidas e que representam globalmente 50% do PIB, a Inteligência Artificial (IA) é o fator que faltava à equação. A consultora diz que esta tecnologia pode vir a duplicar o crescimento económico anual em 2035, alterando a natureza do trabalho e criando uma nova relação entre o homem e a máquina. O estudo prevê também o aumento da produtividade laboral até 40%, uma vez que permite aos trabalhadores utilizarem o seu tempo de forma mais eficiente.

Mas como? Ora, a Accenture defende que a Inteligência Artificial pode impactar a economia através de três canais distintos: Intelligent Automation, Labor & Capital Augmentation e Innovation Diffusion. Por exemplo, as inovações conduzidas pela Inteligência Artificial através do canal de Intelligent Automation permitem – ao contrário do que acontece com as soluções tradicionais de automação – automatizar tarefas físicas complexas que requerem adaptabilidade e agilidade, sem esquecer que a Inteligência Artificial pode “trabalhar” em vários setores e funções e está capacitada de autoaprendizagem.

Ao nível do Labor & Capital Augmentation, a consultora global refere que o trabalho e o capital existente podem ser mais eficazmente aproveitados porque a IA permite aos trabalhadores focarem-se naquilo que são melhores (imaginar, criar e inovar), além de ajudar a complementar e a potenciar as suas capacidades. Além disso, a Inteligência Artificial consegue impulsionar a inovação ao difundir-se na economia – canal Innovation Diffusion. Como? Ao complementar tecnologias a partir de novas colaborações e criar fluxos de receita a partir de dados gerados, por exemplo.

E qual o impacto da Inteligência Artificial nas indústrias?

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O estudo da Accenture prevê ainda um aumento da rentabilidade de 16 indústrias em cerca de 38%, com a implementação bem-sucedida de soluções de Inteligência Artificial. Sendo que podem também contar com um crescimento económico de 14 biliões de dólares adicionais ao Valor Acrescentado Bruto (VAB), até 2035. Além disso, a consultora estima que a IA possa reverter um ciclo de lucros baixos em várias indústrias através dos canais de Intelligent Automation, Labor & Capital Augmentation e Innovation Diffusion.

Fonte: Accenture

Um exemplo: as soluções de Inteligência Artificial, com capacidade de aprendizagem, adaptação e evolução, podem eliminar máquinas defeituosas e potenciar os lucros ao nível da manufatura. Mas de que outras indústrias estamos a falar? Ora, vão desde a Informação e Comunicação, aos Serviços Financeiros, Retalho, Transporte e Armazenamento, Saúde, Serviços Profissionais, Construção, Agricultura, Silvicultura e Pesca, Serviços de Alojamento e Alimentação, “Utilities”, Arte, Entretenimento e Recreação, Serviços Sociais, Serviços Públicos, Outros Serviços e Educação.

Aumento de lucros (em %) com a implementação da Inteligência Artificial, comparativamente aos lucros de base esperados. Fonte: Accenture e Frontier Economics

E embora não hajam dados concretos sobre o impacto da IA nas indústrias portuguesas, sabe-se que não passarão ao lado desta tecnologia. Sérgio do Monte Lee, partner da Deloitte, refere que Portugal, sendo um país dominado pelo setor terciário, não tardará em sentir o impacto da robotização e que nem mesmo os serviços, que normalmente são menos impactados pela automatização – visto que exigem determinadas competências como a criatividade, a empatia e a sensibilidade -, estarão imunes à Inteligência Artificial. Ou seja, a IA veio para ficar e disso não há dúvidas.

PwC e McKinsey Global Institute: a mesma linha de pensamento

Outros estudos sobre o impacto da Inteligência Artificial na Economia também apontam para um cenário de crescimento. Por exemplo, a PwC refere que o PIB global será 14% mais elevado em 2030, graças à IA, já de acordo com o McKinsey Global Institute, a automação além de ser o novo motor da economia global, nos próximos 50 anos fará com que o crescimento económico passe de 0,8% para 1,4%. No entanto, a automação de que falam também pressupõe uma mudança do mercado de trabalho tal como o conhecemos.

Eliminação de empregos VS novos empregos 

A automação das tarefas, potenciada pela Inteligência Artificial, implica por si só mudanças no mercado de trabalho porque a verdade é que há tarefas que vão passar a ser desempenhadas por “máquinas inteligentes”, sem que seja necessária a intervenção humana. Mas o cenário não é tão negro quanto parece: a par da eliminação de certos postos de trabalho – cerca de 40% deixarão de existir por volta de 2030 – surgirão novas posições, garantem os especialistas da PwC e da Deloitte. Dito isto, as consultoras ressalvam que é preciso começar a apostar em competências ligadas à tecnologia e à matemática porque os novos trabalhos vão passar muito por uma função analítica.

Estratégias para ultrapassar os desafios da Inteligência Artificial

Quando o World Economic Forum diz que estamos a viver uma Quarta Revolução Industrial refere-se a um conjunto de novas tecnologias que combinam o mundo físico, digital e biológico e que vão mudar o mundo tal como o conhecemos. Grupo esse onde se insere a Inteligência Artificial.

E não é preciso ter receio, mas sim preparar o terreno. A Accenture fala, por exemplo, em preparar a próxima geração para um futuro onde predomina a IA, ao integrar a inteligência humana com máquinas inteligentes, e na promoção de regulações, ao criar leis que diminuam a diferença entre o ritmo da mudança tecnológica e o ritmo da resposta regulatória.

Além disso, a consultora propõe criar um código de ética para a IA, que vise regras concretas e melhores práticas no desenvolvimento e utilização de máquinas inteligentes, e na abordagem clara dos efeitos de redistribuição: os legisladores devem destacar as vantagens que resultam da utilização da IA e resolver quaisquer problemas ligados à Inteligência Artificial.

Ao nível das empresas, a consultora fala de reinventar o papel do Departamento de Recursos Humanos para gerir os profissionais e supervisionar a IA, de formações, de ser nomeado um chief data supply chain officer, ser criada uma cultura de IA aberta, ir além das estratégias de automação e criar novas métricas financeiras para avaliar corretamente o retorno da IA.

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