pessoas e histórias

A luta pela igualdade tem um nome: Nelson Mandela.

2 Outubro, 2018

Nelson Mandela dedicou grande parte da sua vida à luta pela igualdade entre brancos e negros e nem o facto de ter estado preso durante 10.052 dias o travou! Hoje, passados 100 anos do seu nascimento, convidamo-lo a conhecer a sua história.


As Cartas da Prisão de Nelson Mandela em 27 anos de clausura

A 23 de junho de 1969 Mandela escreveu a Winnie Mandela, na altura sua mulher e também ela ativista, que “um mundo novo não será conquistado por aqueles que permanecem à distância, de braços cruzados, mas por aqueles que vão à luta, cujas vestes são rasgadas pelas tempestades e cujos corpos são mutilados no decurso da contenda. A honra pertence àqueles que nunca abandonam a verdade, mesmo quando tudo é negro e sinistro, que tentam uma e outra vez, que não se deixam desencorajar pelos insultos, pelas humilhações e pela própria derrota”.

Este é apenas um pequeno excerto de uma das 255 cartas agora compiladas no livro As Cartas da Prisão de Nelson Mandela, lançado para assinalar o centenário do ativista e que diz muito sobre um período da sua vida. Desde os 20 e poucos anos de idade que Mandela teve uma voz ativa contra o regime do Apartheid, que instaurou a segregação racial em África do Sul. A luta contra o regime custou-lhe 27 anos de liberdade – nada mais nada menos do que 10.052 dias!

Ser preso em 1962 nem por isso o fez baixar os braços! As cartas foram na altura a “arma” que tinha para continuar a defender a sua posição mesmo dentro de quatro paredes. E foi o que fez. Escreveu a amigos, familiares, companheiros de luta e autoridades sul africanas e continuou a dar o seu contributo na luta pela igualdade na África do Sul e a criticar fortemente leis racistas que impediam negros e brancos de conviver, não podendo sequer partilhar a mesma mesa num restaurante. Mas o caminho não viria a revelar-se fácil…

Da clandestinidade a primeiro Presidente negro eleito na África do Sul

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Mandela começa a dar os primeiros passos no mundo da política em 1942, mas o seu envolvimento aumenta consideravelmente dois anos depois quando se junta ao Congresso Nacional Africano (movimento de libertação nacional da África do Sul), como um dos fundadores da Liga Juvenil do partido. Mas não fez o caminho sozinho! Ao seu lado juntaram-se nomes bem-sonantes como o do “gigante” – assim o descreveu Mandela – Oliver Tambo.

E é precisamente ao lado de Oliver Tambo que Mandela decide abrir a primeira sociedade de advogados negros, para providenciar aconselhamento legal gratuito – ou a um preço bastante baixo -, a clientes negros. Estávamos em 1952. No entanto, com o aumento das tensões e o maior envolvimento na luta anti-apartheid ambos são obrigados a afastar-se da advocacia: Tambo opta pelo exílio e Mandela refugia-se na clandestinidade.

Durante este período, Mandela adota o nome de David Motsamayi e cria e comanda o MK para permitir que o Congresso Nacional Africano (ANC) passe à luta armada. Uma vez lá fora, opta por receber treino militar e recolher apoios para o ANC, que foi banido dois anos antes de se instalar um estado de emergência aquando dos assassinatos no protesto de Sharpeville contra as novas leis do regime segregacionista no Soweto. Mal regressa, é preso sob a acusação de incitamento ao ódio e por sair ilegalmente da África do Sul.

Passa por Robben Island e, mais tarde, pelas prisões de Pollsmoor e Victor Verster até que sai finalmente em liberdade em 1990, com a chegada de F.W. De Klerk à presidência. Quando Klerk deixa a liderança do Estado em 1994 abre caminho para as primeiras eleições livres e aquelas que dão a vitória a Mandela e ao ANC. O momento é histórico por duas razões de peso: Mandela torna-se o primeiro presidente negro a ser democraticamente eleito e vota pela primeira vez aos 75 anos!

Depois de um mandato marcado pelo estabelecimento da igualdade entre brancos e negros, pela proteção da economia do país e pela criação de um plano que previa a criação de empregos, construção de habitações e instituição de cuidados básicos de saúde, Nelson Mandela decide deixar a presidência do país, sobretudo para dar espaço a uma nova geração de líderes. A partir daí o seu contributo para uma sociedade mais justa foi expressado através da Fundação Nelson Mandela.

Nelson Mandela: o “agitador” que viria a ganhar um Prémio Nobel da Paz

Será que Nelson Mandela estava destinado a tornar-se num acérrimo defensor e ativista pelos direitos humanos? Pode dizer-se que sim: além do seu nome “Rolihlahla” significar em xhosa – um dos idiomas oficiais de África do Sul – “agitador”, enquanto ouvia, durante a sua infância em Qunu, as histórias acerca das guerras de resistência, sonhava acordado com o dia em que poderia dar a sua própria contribuição na luta pela liberdade do seu povo.

Ou talvez seja de família: quando Nelson Mandela tinha apenas dois anos o seu pai, Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela, perdeu as terras em Mvezo por desafiar a administração colonial. E a verdade é que o lado mais rebelde do próprio Mandela não tardaria em vir ao de cima! Sabe-se que foi expulso da University College of Fort Hare, onde requentava o curso de Artes, porque participou num protesto de estudantes.

Esta forma de estar na vida fez com que dedicasse vários anos da sua vida à causa que defendeu como advogado dos direitos humanos e isso valeu-lhe muitos prémios e distinções, ao longo dos seus 95 anos: recebeu um Nobel da Paz, em 1933, a Medalha Benjamin Franklin por Serviço Público de Destaque de 2000 e como forma de valorizar a sua luta pela liberdade, justiça e democracia a ONU instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia 18 de julho, data do seu nascimento. 

Devoção pela causa serviu de travão à vida pessoal

A causa que Nelson Mandela carregou no peito até perder a batalha frente a complicações de uma infeção pulmonar serviu de inspiração a muitas pessoas. Contudo, trouxe-lhe amarguras no campo sentimental: as frequentes ausências e o crescente envolvimento na luta contra o Apartheid puseram um ponto final no seu casamento com Evelyn Mase, em 1958, com quem teve 4 filhos.

Aquando do casamento com Winnie Mandela, com quem teve 2 filhas, foram os atos violentos da própria na luta contra o Apartheid que ditaram o fim do relacionamento. Viria a ficar desde 1998 até ao último dos seus dias com Graça Machel, altura em que decide passar mais tempo em família: o último ato público onde apareceu foi o Mundial em África, sobretudo porque o evento simbolizou o crescimento da nação.

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