Saúde

Alimentar-se de acordo com o sol faz bem à saúde?

1 Outubro, 2018

Quando o assunto é alimentação saudável, informações não faltam sobre os alimentos considerados melhores para a saúde, certo? Mas e se dissermos que o horário das suas refeições pode ser tão importante quanto aquilo que come? Calma! Vamos explicar-lhe tudo.


“O que comer” ou “quando comer”?

De todas as dúvidas que há no mundo, podemos garantir-lhe uma certeza: o sol nasce todas as manhãs e põe-se ao fim do dia. E é esta variação da luz solar que controla aquilo que conhecemos por ritmo circadiano ou relógio biológico – o ciclo de aproximadamente 24 horas que diz ao nosso corpo quando devemos acordar, comer e dormir.

A novidade, no entanto, é o aparecimento de estudos como o do Instituto Salk, de San Diego, que defendem que alimentar-se de acordo com este ciclo pode ajudar a manter a forma e a prevenir doenças graves como a diabetes, a hipertensão e o cancro. Trocando por miúdos, o que dizem os especialistas é que não deve concentrar-se apenas no que come, mas também em quando o faz.

O que costumamos fazer?

O que dizem os investigadores é que em tempos ancestrais a oferta de alimentos era escassa e haviam longos períodos de jejum, de forma que a nossa genética não teria evoluído ainda ao ponto de adaptar-se a uma ingestão mais regular de alimentos. Ou seja, muitos processos metabólicos como o apetite, a digestão e o metabolismo da gordura, do colesterol e da glucose ainda acompanham este antigo ritmo biológico.

Contudo, a maioria das pessoas inicia o dia com um copo de leite ou café ao pequeno-almoço assim que acorda e termina com um copo de vinho, uma refeição tardia ou um snack pouco antes de dormir, num período médio que dura 15 horas ou mais – um conflito direto com o nosso relógio interno. Assim, o indicado para um melhor funcionamento do nosso metabolismo seria concentrarmos todas as refeições numa janela de tempo de 8 a 10 horas todos os dias, o que facilitaria a perda de peso e a prevenção de doenças.

Qual a melhor hora do dia para comer?

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A quantidade de horas que passamos a comer não é, no entanto, o único fator que deve ser tido em conta. De acordo com estes estudos, o período do dia em que o fazemos é fundamental. Como dissémos, já se sabe há muito tempo que o nosso corpo e os nossos órgãos “ligam” e “desligam” sempre praticamente ao mesmo tempo, estando em sintonia com o ciclo claro/escuro dos nossos dias.

E o que sugerem a maioria das evidências em humanos é que consumir a maior parte da alimentação mais cedo durante o dia é o melhor para a saúde. A nossa digestão e o controlo do açúcar são mais eficientes pela manhã do que à noite e é nesta hora do dia também que queimamos mais calorias. Além disso, a falta de luminosidade durante a noite faz com que o nosso cérebro liberte melatonina, preparando-nos para dormir, e ingerir alimentos demasiado tarde pode confundir o resto do nosso corpo com a mensagem de que ainda é dia. Ou seja, o nosso relógio biológico ainda espera que paremos de comer ao pôr-do-sol.

“Pequeno-almoço de rei, almoço de príncipe e jantar de pobre”

Todas estas descobertas poderiam explicar, por exemplo, porque é que as pessoas que trabalham em turnos com horários incomuns correm maior risco de desenvolver cancro, doenças cardiovasculares e metabólicas, altos níveis de colesterol e obesidade. Contudo, mesmo que este não seja o seu caso, mudar o padrão de sono ao fim de semana – algo extremamente comum em muitas pessoas! – ou dormir pouco também podem estar associados ao aumento de peso e falta de controlo da insulina no corpo.

Em suma: sim, alimentar-se quando o sol está presente pode ser uma ótima dica para uma vida mais saudável e com mais energia. Isto não significa necessariamente que deve salta o jantar, mas quem sabe escolher um menu mais leve? Aquele antigo ditado que diz que devemos ter um pequeno-almoço de rei, um almoço de príncipe e um jantar de pobre parece fazer algum sentido. 

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