Cultura e lazer

Como dar a volta ao mundo sem sair de Portugal

20 Setembro, 2018

Pode ser que não tenha 80 dias para fazê-lo, mas não se preocupe: há outras formas mais rápidas de dar a volta ao mundo. Preparámos uma lista de sítios que lhe dão a oportunidade de visitar os cinco continentes sem tirar os pés de Portugal! Descubra-os.


Na rota das Grandes Navegações: rumo às Américas!

 “Pelo Tejo vai-se para o mundo”, disse Fernando Pessoa. Nada melhor então do que começar por lá esta viagem, não é? Se estiver à beira do rio, em Lisboa, terá uma vista privilegiada daquela que o fará perguntar se está em Portugal ou nos Estados Unidos: a Ponte 25 de Abril. Inaugurada em 1966 – e Ponte Salazar até 1974 -, a construção que liga a capital à cidade de Almada foi inspirada na Golden Gate de São Francisco e a semelhança pode vir do facto de que o projeto da ponte suspensa de cor avermelhada ter sido desenvolvido por uma empresa norte-americana chamada United States Steel Export Company. Quando lá estiver, um pouco mais à esquerda, nesta mesma paisagem, vai-se deparar com outro grande símbolo das Américas: é que o Cristo Rei foi inspirado no seu irmão gémeo, o Cristo Redentor – estátua que fica no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro.

Bem, e já que falamos no Brasil, contamos-lhe que há outra maneira de “viajar” até terras tropicais: saborear uma deliciosa tapioca. E o sítio perfeito para fazê-lo fica em frente à praia de Matosinhos e chama-se Chef Tapioca. Não sabe do que estamos a falar? A tapioca é uma goma resultante do processo de hidratação da mandioca. Ao que tudo indica, esta farinha – típica do norte e nordeste brasileiros – era a base da alimentação no país quando Pedro Álvares Cabral lá chegou em 1500. Assim, para além de ser uma especialidade brasileira, é um prato altamente nutritivo. No norte de Portugal, a tapioca é preparada por Isadora Fevereiro – uma brasileira que chegou cá ainda em criança – e é possível escolher entre diversas opções de recheios doces e salgados. Se quiser prolongar a experiência brasileira, pode ainda apostar nos sumos naturais e tigelas de açaí – fruto proveniente da Amazónia – que não ficam nada atrás da protagonista da casa!

A sobrevoar o Pacífico, chegamos à Oceania!

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O que pode resultar da união de uma portuguesa com um australiano? A hipótese de “viajar” até à Austrália a partir da zona de Santos, em Lisboa. É pelas mãos do chef Justin Jennings, no Downunder, que se torna possível encurtar tal distância geográfica. Ao dar uma vista de olhos na ementa do espaço, que fica no número 21 da Rua dos Industriais, vê-se logo porquê. Os ingredientes-estrela deste restaurante não podiam ser mais australianos: o canguru e o crocodilo. A viagem fica ainda mais completa se optar por um vinho australiano da garrafeira e finalizar a refeição com uma pavlova, também ela australiana. Dito isto tudo, resta-nos apenas desejar-lhe “bom apetite, mate!”.

Da restauração, saltamos – literalmente! – para o desporto. Só que, neste caso, precisa mesmo de ter espírito aventureiro para usar este outro passaporte para a Oceania: o bungee jumping. Nada mais, nada menos que a arte de saltar de uma altura considerável para o vazio com os tornozelos ou a cintura amarrados a uma corda elástica. Conta-se que a modalidade tem origem numa tradição ancestral das tribos da República de Vanuatu, em que a passagem para a vida adulta era marcada a saltar de uma torre apenas com lianas presas aos tornozelos. É claro que não precisa de se arriscar como os nativos da Ilha da Pentecostes – e nem ir tão longe! – já que há parques da região do Minho onde pode fazê-lo com toda a segurança. Entretanto, se lhe apetecer outros desportos de aventura mais leves, ou mesmo apenas apreciar a natureza e a gastronomia minhota típica, o parque DiverLanhoso, nas proximidades do Parque Nacional da Peneda-Gerês, oferece programas séniores pensados especialmente para os aventureiros mais experientes.

Ásia: o maior dos continentes!

Uma ode à paz e ao oriente! É o que vai encontrar no Bombarral, no Bacalhôa Buddha Eden, o maior jardim oriental da Europa e onde vai de certeza sentir que aterrou na Ásia. O Jardim da Paz foi criado em resposta à destruição dos Budas Gigantes de Bamiyan para disseminar a cultura da paz e o respeito a todas as religiões do mundo. E é esta tranquilidade que vai sentir ao passear por entre os budas, esculturas, lagos, animais e plantas exóticas dos seus mais de 35 hectares. Na Quinta dos Loridos pode também fazer provas de vinho numa adega antiga da vinícola Bacalhôa Vinhos de Portugal.

Agora feche os olhos e abra-os só quando já estiver dentro do Salão Árabe do Palácio da Bolsa, no Porto. Graças a este espaço exótico de 315m2 revestido com 18 quilos de folha de ouro, que teve sua decoração milimetricamente reformada em 2010, vai continuar a sua viagem pela Ásia. O palácio foi inaugurado em 1848, mas só recebeu o salão com caracteres arábicos que pode transportá-lo a um palacete indiano num instante em 1880. Este que é um dos edifícios patrimoniais mais procurados da cidade Invicta permite visitas guiadas e em 2017 mais de 360 mil pessoas passaram por lá.

A beleza e os sabores de África!

Continuamos a viagem, desta vez com um bilhete para Marraquexe. Na verdade, só precisa de ir ate à Praça do Príncipe Real, em Lisboa, nomeadamente ao Palácio Ribeiro da Cunha. É que o palacete neoárabe, construído no século XIX, possui as características mais marcantes dos riads marroquinos: um exterior fechado a esconder uma estrutura que envolve um pátio interior central. E o que hoje vai lá encontrar? A Embaixada – uma galeria comercial que desde 2013 apresenta uma seleção que mistura design, artesanato, moda e gastronomia. No bar de gin, que fica no centro do piso térreo do espaço, não vai ser preciso muito para sentir que está em Marrocos.

Ainda na capital lisboeta, é outra experiência gastronómica que vai continuar a transportá-lo pelo continente africano. Escondido em plena Mouraria está o Cantinho do Aziz – e há quem garanta que este é o melhor sítio para desfrutar da verdadeira comida e do espírito de Moçambique. As mesas do espaço que abriu as portas nos anos 80 têm nomes de cidades como Angoche, Nampula ou Nacala e as toalhas são feitas de capulana (os tecidos coloridos usados pelas mulheres para envolver o corpo). No que toca à culinária, pode experimentar o frango à zambeziana, que é a estrela da casa, qualquer outra das especialidades tipicamente moçambicanas e até mesmo algumas opções de outros países de África. Maning Nice (Muito bom)!, é só o que temos a dizer!

De volta à Europa!

Nos últimos passos desta viagem, levamo-lo até Roma. Pode apreciar a capital italiana noutra capital: a do Alentejo. Lá vai encontrar as ruínas do Templo Romano de Évora – um dos mais bem preservados templos de toda Península Ibérica e Património Mundial da UNESCO. As catorze colunas remanescentes do fórum romano de estilo coríntio estão no centro histórico da cidade, no Largo Conde de Vila Flor, e são um dos principais símbolos da ocupação romana no território português. O monumento, que foi destruído no século V pela invasão dos povos germânicos, é conhecido também por Templo de Diana, mas erroneamente: há uma lenda que diz que teria sido construído em honra da deusa romana da caça, quando na verdade foi uma homenagem ao Imperador Augusto.

Por fim, são as sinuosas curvas que sobem as encostas do Parque Natural da Serra da Estrela que nos levarão ao nosso último destino – a Suíça. A Vila de Loriga fica a cerca de 770m de altitude e é rodeada por cursos de água e montanhas – com destaque para a Penha do Gato e a Penha dos Abutres, que rondam os 1800 metros de altura cada um. As extraordinárias paisagens e sua localização geográfica fazem com que a freguesia do distrito da Guarda seja considerada há décadas a “Suíça Portuguesa”. Para além da beleza natural do vale, destaca-se também a hospitalidade dos seus habitantes – a vila é o sítio perfeito para desfrutar do descanso e da paz!

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