Saúde

Estarei a sofrer de uma enxaqueca?

6 Agosto, 2018

A dor intensa e prolongada que uma enxaqueca provoca pode ter consequências quer a nível profissional, quer a nível social. Descubra como pode aliviar os sintomas e evitar crises frequentes.


Dor de cabeça ou enxaqueca?

O termo cefaleia é utilizado perante um quadro clínico de dor de cabeça. Mas atenção porque uma dor de cabeça e uma enxaqueca não são bem a mesma coisa: a primeira surge como um sintoma isolado ou associado a uma doença e a segunda corresponde a uma doença por si só, que não traduz outros problemas de saúde.

E como pode saber se pode está a sofrer de uma enxaqueca, um dos tipos de cefaleias mais comuns? Se estivermos na presença de episódios súbitos de dor de cabeça moderada a intensa, que podem durar entre quatro horas e três dias e que são intercalados por períodos sem quaisquer sintomas.

16% dos portugueses sofrem de enxaquecas. Mas qual a causa?

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Em Portugal a prevalência das enxaquecas ao longo da vida é de 16%, surgindo normalmente entre os 15 e os 40 anos, pode ler-se na página da CUF. Mas o que pode provocar uma enxaqueca? Ora, uma série de combinações de processos a nível cerebral como excitação/depressão de células, dilatação de artérias e libertação de substâncias químicas. Como tal, as pessoas que sofrem de enxaquecas são mais sensíveis a estímulos, do ambiente envolvente ou do próprio organismo, que podem desencadear então esses processos cerebrais.

E há alimentos, situações ou comportamentos que também podem desencadear uma enxaqueca. Estamos a falar nomeadamente de chocolate, queijo, morangos, marisco, molhos artificiais, álcool, problemas de sono, stress, menstruação, jejum e exercício físico. Quem bebe café habitualmente, por exemplo, pode sofrer de uma cefaleia se começar a cortar no seu consumo. No entanto, há pessoas que durante uma crise melhoram se tomarem café e há outras que pioram. Resumindo, perceber o que desencadeia uma enxaqueca e evitá-lo é a solução para diminuir a frequência do problema!

Sofre de enxaquecas diariamente? Cuidado com os medicamentos!

As enxaquecas são difíceis de gerir quando ocorrem esporadicamente. E tudo piora se sofrer todos dias de enxaquecas… Mas atenção que isso pode ser consequência do consumo excessivo de analgésicos ou de outro tipo de medicamentos! Além disso, é preciso ter cuidado com o consumo abusivo de medicamentos porque isso pode levar a que uma enxaqueca se converta em algo pior, como uma cefaleia crónica diária. Dito isto, evite automedicar-se e procure aconselhar-se primeiro com um médico.

Sintomas da enxaqueca podem afetar vida profissional e social

O grande problema das enxaquecas é que os seus sintomas são muito severos. Sim, não é por acaso que a Organização Mundial de Saúde a considera a oitava causa de anos vividos com incapacidade, a nível mundial. E, de facto, a vida profissional e a vida social podem sair prejudicadas porque a dor pulsátil e que se manifesta apenas de um lado da cabeça pode chegar a provocar vómitos, náuseas, intolerância à luz, ruídos e cheiros, dormência na face e problemas de visão, levando assim à diminuição de produtividade e ao isolamento social.

Há mais mulheres a sofrer de enxaquecas

Se, regra geral, uma enxaqueca pode aparecer por volta dos 15 anos de idade, também é verdade que há exceções à regra: o sexo feminino pode vir a experienciar uma enxaqueca logo quando ocorre a primeira menstruação, isto é, em média por volta dos 12 anos de idade. E, de facto, esta doença é duas a três vezes mais comum nas mulheres do que nos homens.

A verdade é que as enxaquecas estão muito associadas ao ciclo reprodutor feminino. Têm uma maior prevalência após a primeira menstruação e durante o período menstrual e é comum um agravamento ocasional devido ao uso da pílula anticoncepcional ou de terapêutica hormonal. Por outro lado, pode dar-se uma atenuação ou até mesmo desaparecimento dos episódios de enxaqueca durante uma gravidez ou o início da menopausa.

Do diagnóstico ao tratamento de uma enxaqueca

Para chegar ao diagnóstico clínico de enxaqueca, o médico neurologista baseia-se no historial clínico do paciente e num exame físico, que inclui um exame neurológico. Dependendo do caso, pode também realizar-se uma TAC e uma ressonância magnética, exames pedidos para despistar a presença de outras doenças.

FONTE: ICHD-3 (International classification for headache disorders)

É importante perceber que não existe cura para as enxaquecas, mas que para reduzir a frequência, intensidade ou duração dos episódios pode socorrer-se de pequenos truques: repousar num local sossegado e escuro – dormir é mesmo o melhor remédio -, aplicar pressão ou frio no local da dor e tomar medicamentos, como anti-inflamatórios, ajudam a aliviar os sintomas. Em caso de dor severa, os triptanos, medicamentos específicos para as enxaquecas, são mais eficazes.

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