Economia Pessoal

Reduza a sua pegada ecológica enquanto poupa

3 Agosto, 2018

É urgente diminuir o ritmo de consumo dos recursos naturais, mas como é que cada um de nós pode contribuir para salvar o planeta? Não deixar os eletrodomésticos em standby é apenas um dos gestos que pode adotar no seu dia-a-dia para reduzir a sua pegada ecológica enquanto aumenta as suas poupanças!


Um planeta em sofrimento

Segundo a Associação ZERO, em 2018 Portugal esgotou os seus recursos renováveis a 16 de junho. Em 2017, este “overshoot day” tinha sido a 2 de agosto. Isto significa que, se todos no planeta vivessem como um português médio, a humanidade necessitaria do equivalente a 2.19 planetas para sustentar as suas necessidades. Portugal surge assim na 69ª posição entre os países com maior pegada ecológica por pessoa e a tendência é para que esta situação se agrave se não mudarmos os nossos hábitos.

E tudo conta: das pequenas coisas – deixar a torneira aberta enquanto lava os dentes, ter a televisão sempre em standby – às grandes decisões – a escolha da casa, por exemplo. A verdade é que, não raras vezes, fazemos as piores escolhas para o meio ambiente apenas porque não sabemos o quão prejudiciais são. Quer diminuir o seu impacto ambiental? Da alimentação, aos transportes, existem comportamentos que fazem a diferença, para o planeta e para a sua carteira.

Alimentação: pela sua saúde e pela do planeta

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Sabia que o consumo de alimentos é a atividade humana diária que mais contribui para a Pegada Ecológica de Portugal? É verdade, 32% da pegada global do país tem origem na nossa alimentação. Surpreendido? Sem nos apercebermos, as nossas escolhas alimentares estão a ter um impacto negativo no planeta, mas também na nossa saúde. Assim:

  • Acabe com o desperdício alimentar – Portugal desperdiça um milhão de toneladas de alimentos por ano, ou seja, anualmente cada habitante deita fora em média 132 quilos de comida. Para além dos problemas óbvios de responsabilidade social, é preciso também perceber que cada produto que adquirimos tem um custo de produção e transporte, consome recursos e gera níveis de poluição que vão entrar na contabilização da sua pegada ecológica.
  • Compre apenas aquilo que vai consumir – Não encha o carrinho com produtos só porque estão a bom preço, pense bem no que leva consigo e tenha atenção às datas de validade. Não faça grandes quantidades de comida, assim evita ter o frigorífico ocupado por caixas com sobras que acabam, invariavelmente, no caixote do lixo ao fim de três ou quatro dias. Diminua a porção de comida que coloca no prato para evitar que, a cada refeição, haja um “restinho” de comida a ir para o lixo.

  • Esteja atento ao estado e validade dos alimentos – quando a fruta e os legumes estiverem a ficar velhos, ou se aproximar o fim da validade de algum produto, aproveite para fazer uma nova receita em que os utilize. Ao adotar estes gestos vai estar a diminuir a sua pegada ecológica e a contribuir para uma melhor gestão do seu orçamento familiar. Afinal de contas, desperdiçar menos alimentos significa também desperdiçar menos dinheiro. Vai ver que as suas poupanças agradecem!
  • Repense a sua alimentação – Não é só importante estragar menos comida, é também fundamental alterar o que comemos, a começar pela quantidade de carne. Sabia que a produção de bife em todo o mundo contribui mais para as alterações climáticas do que o setor dos transportes? A FAO estima que só o setor da pecuária seja responsável por 15% das emissões globais de gases com efeito de estufa. Além disso, segundo um estudo do International Agency for Research on Cancer, existe uma relação entre o desenvolvimento do cancro colorretal e o consumo excessivo de carne, sobretudo carne processada e carnes vermelhas. O melhor mesmo é diminuir as porções de proteína animal que ingere substituindo-a por outras fontes de proteína vegetal. Ao aumentar o consumo de vegetais vai estar a zelar pela sua saúde, pelo planeta e também pela sua carteira, já que estes são mais baratos que a carne.

Transportes: um autocarro polui menos que 50 carros

Deslocarmo-nos faz parte do nosso quotidiano, quanto mais não seja de casa para o trabalho e de volta. É por isso que, segundo a Associação Zero, a mobilidade é responsável por 18% da Pegada Ecológica de Portugal. Ao aumentarmos cada vez mais a distância entre a nossa casa e os nossos locais de trabalho esta situação tende a agravar-se.

Num mundo ideal, todos iriamos a pé ou de bicicleta para o trabalho, mas como isso é impossível para a grande maioria das pessoas, é preciso procurar outras soluções. Estude bem a rede de transportes públicos que tem à sua disposição: talvez deixar o carro em casa e ir de autocarro, barco, comboio ou metro não lhe vai parecer assim tão má ideia.

Um autocarro polui menos do que cinquenta carros e, além disso, se optar por um transporte coletivo, evita o stress do trânsito, pode aproveitar o tempo da viagem para ler, ouvir música ou mesmo dormir mais uns preciosos minutos. Se fizer as contas ao valor atual da gasolina e ao desgaste do seu veículo, ainda é capaz de poupar alguns euros todos os meses.

Mas se lhe é impossível recorrer aos transportes públicos, pode sempre optar por partilhar o carro com os seus colegas de trabalho. Se a cada semana cada um levar o seu veículo de forma alternada conseguem diminuir as despesas de gasolina, portagens e o desgaste dos automóveis. Com cinco colegas, são menos 4 automóveis a circular todos os dias na estrada e a poluir muito menos!

 Em casa todos os gestos contam

Podem parecer-lhe gestos insignificantes, mas na missão de diminuir a sua pegada ecológica a verdade é que tudo conta. Para o bem ou para o mal, a forma como vive na sua casa vai pesar – e muito! – na fatura do planeta e no seu orçamento familiar, por isso comece já a alterar alguns hábitos:

  • Diminua o consumo de energia – Apague as luzes sempre que sai de uma divisão e não deixe os eletrodomésticos em standby. Se optar por tomadas elétricas múltiplas, ao carregar apenas num botão vai desligar vários dispositivos. Quando comprar um eletrodoméstico novo tenha em atenção a sua classe energética e procure um que seja mais eficiente. Ao princípio isso pode representar um maior investimento, já que os aparelhos mais eficientes tendem a ser mais caros, mas a longo prazo vai compensar na fatura da eletricidade.

  • Prefira lâmpadas economizadoras – Ao utilizar LEDs pode poupar mais de 100 euros todos os anos enquanto poupa o ambiente, já que estas lâmpadas são muito mais eficientes do que as incandescentes ou as de halogéneo.
  • Não abuse do aquecedor – Se tem ar condicionado ou outro sistema de aquecimento em casa, certifique-se de que estão corretamente regulados e que apenas são ligados quando necessário.
  • Diminua o consumo de água – Em Portugal, cada pessoa gasta em média 187 litros de água por dia. Apesar dos apelos lançados depois de sucessivos anos de seca, o consumo deste recurso continua a aumentar. No final de 2017, 94% do território nacional encontrava-se em seca extrema, o que nos alerta para a necessidade imperiosa de mudar a forma como gerimos o precioso líquido. Não deixe torneiras a pingar e lembre-se sempre de fechar a água enquanto lava os dentes, as mãos, ou a loiça. Escolha tomar duches rápidos em vez de banhos de imersão e instale redutores de fluxo de água nas torneiras e chuveiros. Utilize as máquinas de lavar loiça e roupa sempre na capacidade máxima e escolha os ciclos de lavagem mais curtos e económicos. Se tem jardim, instale um sistema que lhe permita aproveitar as águas pluviais para a rega. Vai ver que a fatura da água vai pesar muito menos no final do mês.

Também nas decisões mais relevantes da vida se pode ter em conta o ambiente. A escolha de uma casa é uma delas. Quer opte por arrendar ou por comprar casa pense na dimensão do imóvel e nas suas reais necessidades. À partida, uma casa mais pequena necessitou de menos recursos para ser edificada. Além disso, quanto maior a casa e as suas divisões, mais dinheiro e recursos vai gastar para manter uma temperatura confortável. Antes de tomar uma decisão, lembre-se de pedir o certificado energético para saber se a casa é muito ou pouco eficiente e o que pode mudar.

Se ficou curioso para conhecer a sua pegada ecológica, o Instituto Superior Técnico disponibiliza a ECOladora, uma ferramenta que lhe permite calcular o seu impacto no ambiente e lhe dá conselhos para diminui-lo. Ao princípio, adotar todos estes gestos pode ser difícil, não precisa de os introduzir todos ao mesmo tempo. Vai esquecer-se algumas vezes de apagar a luz ou vai comprar um ou outro produto que não lhe faz falta, mas com o tempo vai habituar-se e os gestos vão sair-lhe naturalmente. Quando der por isso, já terá reduzido a sua pegada ecológica e aumentado as suas poupanças!

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