Saúde

Alimentação saudável: Mitos e quase verdades

1 Agosto, 2018

Batata-doce, óleo de coco, suplementos proteicos. Todos os anos há produtos que entram no vocabulário de quem quer fazer uma alimentação mais saudável. Mas será que estes alimentos são mesmo melhores para a saúde? Conheça alguns mitos relacionados com a alimentação saudável.


O óleo de coco é uma gordura melhor para cozinhar do que o azeite?

O coco tornou-se uma moda: o consumo de óleo de coco, farinha de coco e até de leite de coco aumentou bastante nos últimos tempos graças à ideia que é melhor para saúde, frente a outros produtos semelhantes no mercado. Mas será mesmo assim? Bom, se o fruto, por si só, já é rico em gordura saturada e calorias, os seus derivados não são melhores! Por exemplo, enquanto uma colher de sopa de óleo de coco tem 13 gramas de gordura saturada, uma colher de azeite tem apenas 1g. Além disso, está provado que o azeite é melhor para a saúde, uma vez que contribui para a redução do risco cardiovascular, de alguns tipos de cancro e dos níveis de colesterol.

Então talvez não seja boa ideia trocar uma gordura como o azeite em favor do óleo de coco. Até porque há ainda pouca informação disponível sobre quais os benefícios desse tipo de escolha na saúde. E a farinha de coco também não parece ter vantagens frente à farinha de trigo ou arroz: tem um valor calórico cerca de 30% superior e como tal não ajuda à dieta. É intolerante ao glúten? Os nutricionistas recomendam que neste caso opte por farinhas de arroz ou milho.

Assim, pense duas vezes antes de seguir este mito da alimentação saudável e em vez dos derivados, prefira o coco ao natural, isto é, a polpa da fruta ou a água de coco.

Devemos preferir a batata-doce à batata branca?

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Se em 2012 a Europa importou 81 mil toneladas de batata-doce, em 2017 o número subiu astronomicamente para as 229 mil toneladas. Porquê? Ora, devido à fama de ser saudável. Mas muita atenção porque que é preciso desmistificar o conceito de “saudável” no que toca à batata-doce.

A verdade é que não é a batata-doce em si que é mais saudável que a batata dita tradicional, mas sim a forma como é processada no organismo. Até porque tem mais 48% de calorias e 35% de hidratos de carbono.

Acontece que a batata-doce é rica em hidratos de carbono complexos de baixo índice glicémico, que são de absorção lenta. Como tal, a libertação de açúcar na corrente sanguínea é mais faseada fazendo com que se sinta mais saciado durante mais tempo, além de que este tipo de hidratos não se vai transformar em gordura armazenada. Com a batata branca dá-se a situação inversa. Só que o problema é que por norma a noção de ser saudável faz com que as pessoas acabem por comer em maior quantidade do que aconteceria se de batata branca se tratasse… e assim os benefícios para a saúde caem por terra.

Sem esquecer que a forma como a batata é confecionada também pesa na equação: as batatas cozidas em água são mais saudáveis que as fritas em óleo, por exemplo. Assim, o que importa reter é que ambos os tipos de batata têm espaço numa alimentação variada. Sobretudo porque ambas vêm com as suas vantagens: a batata-doce é particularmente rica em fibra e vitaminas como A, E e C e cálcio, já a batata inglesa tem um elevado teor de vitaminas e minerais, como a vitamina C, ácido fólico, potássio, fósforo, magnésio e cálcio.

Mais proteína, mais saúde?

Se dedicar uns minutos a navegar pelas redes sociais ou pelos blogs de “gurus” da alimentação, há uma tendência em comum: não faltam publicações a promover uma dieta rica em proteínas, bem como o consumo de suplementos e produtos proteicos como forma de levar um estilo de vida mais saudável. Mas se a carne, o peixe e as leguminosas já são ricos em proteína… não estaremos a sobrecarregar o nosso organismo ao introduzir mais coisas ricas neste nutriente? A resposta é sim!

E embora a proteína não engorde, ajude a prolongar a saciedade, a melhorar a energia e a fortalecer os músculos, em excesso pode ter um impacto negativo na saúde. Mas o que acontece exatamente quando ingerimos proteína em excesso? Ao ser transformada no organismo, é libertado azoto, que por sua vez poderá produzir outros compostos que em demasia também são prejudiciais para a saúde como é o caso da ureia, ácido úrico e creatinina, explica a nutricionista Marta Mourão.

E a lista de consequências é extensa: sim, quando o limite para a quantidade de proteínas que o corpo consegue metabolizar é ultrapassado podem ocorrer náuseas, diarreia, fadiga, tensão arterial baixa, dores articulares, fome constante, acidémia, hiperinsulinémia, stresse renal e perda de massa muscular. Dito isto, a Organização Mundial de Saúde recomenda que um adulto ingira diarimante cerca de 0,83 gramas de proteína por cada quilograma de peso corporal, repartidas entre as refeições diárias.

Assim, caso não seja um atleta de alta competição ou um instrutor de ginásio – profissionais que precisam de ingerir valores um pouco mais altos de proteína – não tem necessidade de reforçar a ingestão proteica!

A alimentação variada é a chave para uma vida mais saudável

Se é uma pessoa saudável e não sofre de qualquer tipo de intolerância alimentar, saiba que o truque por detrás de uma alimentação correta está em variar. E em moderar: sim, a carência ou excesso de algum bem ou nutriente na alimentação terá sempre consequências para a saúde! Por isso, tente manter o equilibro e privilegiar uma dieta rica em fruta e legumes onde os alimentos processados são uma minoria. E lembre-se: comer um pouco de tudo faz bem, desde que em conta, peso e medida!

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