Saúde

Psoríase: uma doença do corpo e da mente

26 Julho, 2018

Muitas das pessoas que convivem com os efeitos físicos da psoríase também sofrem com o impacto psicossocial causado por esta doença crónica da pele. Neste artigo desmistificamos a patologia que afeta mais de 125 milhões de pessoas em todo o mundo.


Psoríase: o que é e quem atinge?

A psoríase é uma doença inflamatória de natureza autoimune, e que se manifesta quando o sistema imunitário emite sinais anómalos que aceleram o ciclo normal de crescimento das células da pele. Este fenómeno provoca a acumulação destas células na camada externa da pele, tornando-a mais espessa.

Não há regras quanto ao perfil de pessoas afetadas, que podem ser de ambos os sexos e de qualquer idade. Contudo, há dois picos de incidência: entre os 15 e os 30, e entre os 50 e os 60 anos. É comum que as pessoas não saibam que têm a doença até que surjam os primeiros sintomas, frequentemente em situações de stress.

Como é que a psoríase se manifesta?

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Há várias formas de manifestações da doença, sendo as mais comuns as lesões com relevo, infiltração, descamação e vermelhidão. Entre as áreas mais afetadas estão os cotovelos, joelhos, couro cabeludo, costas e unhas, embora possa aparecer em qualquer outra parte do corpo. O tipo mais comum de psoríase – e que corresponde a 80% do total de casos – é a psoríase em placas. Esta manifesta-se sob a forma de placas elevadas e avermelhadas cobertas de uma área esbranquiçada, que podem causar comichão e ficam mais espessas à medida que são coçadas. Além disso, as unhas ficam muito frágeis e quebradiças.

Existem outros quatro tipos de psoríase: a gutata, que se caracteriza por pequenas manchas vermelhas individualizadas; a inversa, que ocorre sobretudo nas pregas de pele; a pustular, em que ocorre a formação de bolhas com pus rodeadas por pele avermelhada; e a eritrodérmica, uma inflamação mais intensa da pele, semelhante a uma queimadura, que atinge grandes extensões de pele e faz-se acompanhar de prurido intenso, dor e aceleração do ritmo cardíaco e exige observação médica urgente. Para além destes tipos de psoríase, cerca de 30% dos doentes ainda podem desenvolver a artrite psoriásica, que causa dor e deformidades, por vezes debilitantes, de pequenas ou grandes articulações.

Consoante a extensão de pele afetada, estas manifestações podem ser: ligeiras, quando atingem até 3% do corpo; moderadas, entre 3% a 10%; ou graves, quando superiores a 10%. A boa notícia é que a forma ligeira corresponde a 80% dos casos, mas, ainda assim, é preciso estar atento: os doentes com psoríase têm risco aumentado de doenças como diabetes, doença inflamatória do intestino, hipertensão, doenças cardíacas e depressão.

Várias doenças apresentam sinais semelhantes aos da psoríase, por isso é importante que o diagnóstico seja feito através da observação clínica de um dermatologista. Em alguns casos poderá ser necessária a confirmação com uma biópsia.

O que está por detrás da psoríase?

A causa exata da doença ainda é desconhecida, mas, de modo geral, é possível associar a psoríase à combinação entre uma predisposição genética e fatores ambientais desencadeantes. No que toca à genética, ser filho de um paciente aumenta em 40% as hipóteses de ter psoríase, sendo comum o seu aparecimento em vários membros da mesma família.

Entre os estímulos externos que podem estimular a patologia estão: um acontecimento stressante, a utilização de alguns medicamentos (beta-bloqueantes, anti-maláricos, e/ou alguns anti-inflamatórios), uma infeção, um corte na pele, uma queimadura solar ou mesmo o tempo frio e seco. Alguns investigadores também associam a psoríase com o excesso de peso, que provoca inflamações crónicas e pode agravá-la.

A psoríase tem cura?

Não, ainda não há cura. Entretanto, existem múltiplos tratamentos para a psoríase que permitem gerir a doença e procuram controlar os sintomas e evitar crises durante o maior período de tempo possível. A gravidade e o local da lesão serão fatores importantes para definir a melhor opção.

Em muitos casos, o uso de cremes hidratantes, pomadas ou champôs é suficiente para controlar a doença. A fototerapia, tratamento que recorre à exposição a raios ultratvioleta A ou B, também oferece bons resultados quando as áreas afetadas são limitadas – a psoríase é até mesmo mais frequente em países frios devido à ausência da luz solar. Contudo, pode ser necessário recorrer a lasers ou medicamentos orais ou injetáveis nos casos mais graves. Note que, como a pele do corpo apresenta características diferentes, vários métodos podem ser aplicados no mesmo paciente.

Mas atenção! Tenha em mente que todos os tratamentos devem ser individualizados e adaptados a cada pessoa e, sobretudo, devem de ser definidos por um profissional que acompanhe o caso. Automedicar-se ou copiar a “receita do vizinho” pode correr muito mal. Por isso, tenha paciência para conhecer o seu corpo e descobrir o que resulta melhor para si e os cuidados que deve ter.

Posso evitar uma crise?

Infelizmente, não se pode prevenir a psoríase, mas é possível tentar reduzir ao mínimo o número de surtos. Hábitos como consultar o seu médico com a frequência adequada, seguir a terapêutica prescrita, cuidar da pele apenas com os produtos recomendados para o seu caso, fazer uma alimentação equilibrada e praticar exercício físico são boas maneiras de evitar uma crise de psoríase. A exposição solar moderada também pode ter uma ação benéfica nas lesões, mas deve ser praticada com orientação médica e muito cuidado, já que as queimaduras podem acabar por agravá-las.

E para além do que pode ser feito, há também o que se pode evitar. De início, conheça o seu corpo e os fatores desencadeantes para o seu caso, de forma a tentar proteger-se. Frequentemente, situações de stress e ansiedade ou alguns medicamentos são as causas de novos surtos de psoríase. Também é vantajoso diminuir o consumo de álcool e tabaco.

A psoríase é uma doença contagiosa?

Ao contrário do que muitos pensam, a psoríase não só é bastante comum, como não é contagiosa – qualquer receio de contacto com uma pessoa afetada pela doença, seja diretamente ou a nadar numa piscina, por exemplo, não tem qualquer fundamento. Contudo, é este tipo de desconhecimento que faz com que, para além do desconforto físico causado pelas manifestações cutâneas, muitas pessoas sintam os efeitos psicológicos causados pela doença – fenómeno admitido por 76% dos pacientes.

Este impacto psicossocial está muito relacionado com um abalo na auto-estima e afeta diretamente o quotidiano do doente, que pode ser isolado ou isolar-se do convívio social, o que pode causar problemas no âmbito profissional, afetivo, amoroso e tantos outros. Por isso é extremamente importante que as pessoas que vivem com a psoríase assumam a doença e falem abertamente sobre ela, para que se crie uma rede de apoio e se reforce uma atitude positiva frente à situação.

Sabia que mais de 250 mil portugueses convivem com a psoríase? Para dar apoio e voz a essas pessoas, em fevereiro de 2004 surgiu a PSOPortugal – Associação Portuguesa de Psoríase. A entidade sem fins lucrativos, que já é reconhecida pela Federação Internacional das Associações de Psoríase (IFPA), promove e dinamiza campanhas para alertar, despertar e sensibilizar a sociedade para a discriminação dos pacientes com a doença. Para saber mais detalhes, aceda ao site oficial da PSOPortugal.

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