Saúde

O que nos envelhece?

23 Julho, 2018

O envelhecimento é uma condição natural, mas a forma como envelhecemos não é igual para cada ser humano. Se quer “chegar novo a velho” há certos comportamentos que vai ter que alterar.


Para além da genética

A ciência tem vindo a demonstrar que a genética tem um papel fundamental no processo de envelhecimento. Viver para além dos 115 anos não é para todos, é para as famílias de supercentenários. Os cientistas descobriram que quem tem uma tão grande longevidade descende de famílias em que as pessoas já viviam acima da média para a respetiva época. Podemos dizer que está-lhes no ADN e é essa herança genética que, à partida, vai permitir-lhes ter uma vida mais longa.

Contudo, o nosso envelhecimento não fica traçado no momento em que somos concebidos. Envelhecer é inevitável, mas não é incontrolável. Podemos ter um dado conjunto de genes, mas a forma como escolhemos viver e o ambiente em que o fazemos, vai influenciar a forma como esses genes se manifestam. Existem vários fatores que contribuem para que uma pessoa aos 50 anos seja perfeitamente saudável enquanto outra comece a apresentar os primeiros sinais da idade: problemas cardiovasculares e pulmonares, artrite, diabetes ou mesmo cancro. Afinal de contas o que é que nos envelhece?

Stress: o primeiro inimigo de uma vida longa

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Ainda que o stress seja uma resposta natural do nosso corpo a uma ameaça e que tenha permitido aos nossos antepassados sobreviverem, quando a sua mãe lhe dizia: “fazes-me cabelos brancos!” não estava a exagerar. O stress é um dos fatores que mais contribuem para o envelhecimento.

Numa situação de stress, a adrenalina e o cortisol vão inundar o nosso corpo, levando ao aumento da pressão arterial, da respiração e da frequência cardíaca. Os sentidos ficarão mais alerta e a glicose entrará em força na corrente sanguínea para dar mais energia aos músculos, uma vez que há a expetativa de se dar uma fuga. O corpo está concentrado em “sobreviver ao perigo”, por isso outros processos corporais como a digestão, o crescimento e outras funções do sistema imunológico ficam em standby.

Para manter este estado de alerta, o abastecimento de glicose ao cérebro fica comprometido e há células cerebrais que morrem. Não admira, portanto, que os efeitos do stress crónico sejam devastadores e sejam uma das principais causas do envelhecimento.

Mais recentemente, os cientistas descobriram que a forma como envelhecemos se relaciona com o comprimento dos telómeros, as pontas dos cromossomas que têm por missão protegê-los. Ao longo da vida, o comprimento dos telómeros é sacrificado para que os genes que estão no interior dos cromossomas sejam preservados. Quanto mais curtos forem os telómeros, maiores são os sinais da idade.

As investigadoras Elizabeth Blackburn e Carol Greider descobriram que os telómeros podem crescer graças a uma enzima – a telomerase – mas que a sua concentração diminui ao longo da vida. Poderia a solução para o envelhecimento estar em fazer chegar maiores doses desta enzima às células? A resposta é não, porque a telomerase em excesso pode levar à multiplicação descontrolada de células, ou seja, ao cancro. O melhor a fazer é aprender a lidar com o stress.

A forma como reagimos ao stress e dominamos a ansiedade reflete-se nos nossos telómeros e nos níveis de telomerase. Quando reagimos ao stress como uma ameaça, o nosso corpo prepara-se para um ataque iminente elevando os níveis de cortisol que diminuem a telomerase. Se conseguir encarar a causa de stress como um desafio em vez de uma ameaça, rapidamente o cortisol que nos dá o impulso inicial vai estabilizar, deixando de afetar os telómeros e permitindo-nos focar e empenhar em resolver a situação.

Alimentação: somos o que comemos

É verdade, somos mesmo o que comemos e a nossa idade biológica também é um reflexo da nossa alimentação. Fazer uma dieta rica em gordura, sal e açúcar vai acelerar o processo de envelhecimento das células. A acumulação destes nutrientes no corpo tem efeitos nefastos em vários órgãos. Um dos primeiros sinais é a hipertensão, os problemas relacionados com o sistema cardiovascular, o colesterol elevado, diabetes e obesidade.

Os efeitos do sal e do açúcar também se fazem sentir nas capacidades cognitivas. O sal em excesso compromete o abastecimento de sangue ao cérebro, ao passo que o excesso de glicose afeta as conexões cerebrais. Em qualquer das situações, existem riscos de danos cognitivos e demências. Há cada vez mais estudos médicos que relacionam o excesso de açúcar com o aparecimento de Alzheimer.

E quando não está bem por dentro isso vê-se por fora! Por um lado, a gordura em excesso acumula-se no tecido subcutâneo dando origem à gordura localizada e à celulite. Por outro, o açúcar liga-se a proteínas como o colagénio provocando o seu endurecimento. É por isso que a pele perde elasticidade, tem um aspeto flácido e surgem as primeiras rugas.

Para combater o envelhecimento, prefira uma alimentação rica em frutas e legumes, evitando o consumo excessivo de carne, alimentos processados e bebidas alcoólicas. E, claro, lembre-se de beber água em abundância todos os dias. Desta forma, está a potenciar uma maior longevidade enquanto diminui a sua pegada ecológica.

Dormir mal ou pouco tira-lhe mesmo anos de vida

A melatonina é uma hormona segregada pelo nosso corpo que nos induz sono. É responsável pelo nosso círculo circadiano e por regular o metabolismo. Quem não dorme o suficiente ou não consegue alcançar um sono profundo, não permite que a melatonina cumpra as suas funções e que o corpo repare os danos e agressões sofridos durante o dia.

A falta de sono agrava o risco de sofrer de hipertensão, aumenta a probabilidade de sofrer uma enfarte ou AVC e diminui a capacidade de concentração e de reter e processar informação. O cansaço acumula-se e passa a ser visível: a pele fica mais pálida, aparecem rugas e olheiras. No geral, parece mais velho porque o seu corpo não completou o sono reparador e a privação de sono prolongada vai agravar o seu envelhecimento.

Exposição solar em demasia envelhece a pele

A luz solar e os raios UV são fundamentais para que o nosso corpo produza e ative a vitamina D, uma substância que combate o enfraquecimento ósseo, o raquitismo, a osteoporose e a dor e fraqueza musculares. Mas é importante lembrar que a exposição prolongada e sem proteção ao sol é um dos principais fatores de envelhecimento, sobretudo da pele.

A radiação solar é responsável por 80% do envelhecimento da pele exposta, principalmente nas peles mais claras. Ao penetrar na pele, a radiação provoca alterações no ADN das células e o aparecimento dos radicais livres. Mesmo com antioxidantes, os efeitos deste processo podem começar a surgir: manchas, sardas, flacidez, pele áspera, rugas e, no pior dos cenários, melanoma. Quanto mais abusar do sol piores serão os seus efeitos a longo prazo, por isso proteja a sua pele utilizando o protetor solar adequado e evite expor-se nas horas de maior radiação.

O tabaco acelera a degradação das células

Fumar é um dos gestos mais prejudiciais para uma vida longa, aliás, os cancros que mais matam em todo o mundo – os do aparelho respiratório – estão intimamente ligados ao tabagismo. O fumo do tabaco contém substâncias tóxicas que entram no nosso organismo e aceleram a degradação das células.

O tabaco atrasa o metabolismo, diminui a oxigenação da pele e a produção de colagénio. Resultado? A pele perde elasticidade e a nicotina confere-lhe um tom amarelado. Um fumador é facilmente identificado: rugas de expressão sobretudo junto à boca e olhos, olheiras profundas, pele flácida, sem viço, com manchas e dentes amarelado. O envelhecimento precoce é evidente nos fumadores, por isso se está à procura de uma longa vida comece por deixar de fumar.

Poluição: um meio ambiente doente envelhece-nos

 De todos os fatores de envelhecimento, a poluição é talvez o mais difícil de controlar. As toxinas estão por toda a parte, infiltram-se nas águas e nos solos, contaminando os alimentos que ingerimos. O próprio ar que respiramos também está saturado de partículas nocivas que entram em contacto com o nosso organismo através dos pulmões e da pele.

A acumulação dessas toxinas no nosso organismo vai provocar alterações ao nível das células e até a sua morte, por isso a lista de doenças relacionadas com a poluição ambiental é cada vez maior: asma, doenças pulmonares e mesmo alguns cancros. O local onde vivemos pesa na forma com a poluição nos atinge. Geralmente, quem vive nas cidades está mais exposto à poluição atmosférica já que é aí que se concentram várias indústrias poluentes. Mas quem vive no campo também pode estar exposto a outros tipos de poluição ambiental: minas, pedreiras ou até mesmo produtos utilizados na agricultura intensiva.

Não podemos viver para sempre, mas a nossa idade biológica não tem por que corresponder à idade cronológica. Viver mais anos e com mais saúde está ao seu alcance. Faça uma alimentação equilibrada, durma o necessário, aprenda a controlar o stress, não fume e não se esqueça de fazer exercício físico. Aproveite os dias amenos para fazer caminhadas, mas não se esqueça de proteger a sua pele! Vai ver que aos 50, 60 ou 70 anos, o seu corpo lhe vai agradecer!

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