Cultura e lazer

Roteiro pelas Salinas de Portugal: à descoberta do poder do ouro branco

19 Julho, 2018

Longe vai o tempo em que as salinas portuguesas produziam exclusivamente sal marinho! Sim, modernizaram-se e agora funcionam como spas naturais, locais gastronómicos e de passeios culturais. Pronto para as descobrir?


Ostras, passeios e massagens nas renovadas Marinhas de Sal de Aveiro

As Marinhas de Sal de Aveiro renovaram-se e estão melhores do que nunca! Hoje, a grande maioria oferece propostas de atividades aos seus visitantes que não se esgotam na observação dos afazeres dos marnotos. A Marinha Passagem, por exemplo, promete ao longo dos seus 8 hectares uma experiência turística e gastronómica que não vai deixar ninguém indiferente. Do programa consta uma visita guiada pelas salinas, degustação de ostras, amêijoas, berbigão no pão e lingueirão, prova de salicórnia e, inclusive, um passeio romântico a dois. Tudo em pleno coração da ria!

Já a empresa Cale do Oiro vai piscar o olho aos amantes do lazer, bem-estar e dolce far niente com o seu spa ao ar livre. Aqui pode mergulhar nas águas salinas das Marinhas Grã Caravela e Peijota, beber um copo ao pôr-do-sol, fazer uma massagem de relaxamento com água de salmoura ou de pedras quentes com água salgada e um tratamento de beleza que consiste numa esfoliação com flor de sal e óleo de coco, seguida de uma boa hidratação! Além disso, o salinário aveirense é ideal para quem sofre de psoríase e de má circulação. Vai passar por lá? Então evite perguntar pelas salinas porque em Aveiro fala-se em Marinhas de Sal, em honra dos antigos marnotos. Fica a dica!

Salina da Barquinha: há ouro branco terapêutico no Algarve

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Se for pela estrada nacional 122 até chegar à Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, no Algarve, vai deparar-se a certa altura com a Salina da Barquinha. E não tardará em perceber que este sítio é muito mais do que uma simples salina: aqui o “ouro branco” reluz mais forte aos olhos, convidando-o a fazer sessões relaxantes de naturoterapia. Estamos a falar de banhos flutuantes em água salgada, esfoliação com flor de sal e ainda tratamentos com argila salina. Além disso, saiba que ao fim de semana não faltam por lá aulas de ioga e um delicioso brunch!

Mas quais são os benefícios do sal? O proprietário comprovou-os por si próprio: quando, em 2008, estava a trabalhar na recuperação da salina do avô de acordo com a arte e sabedoria dos salineiros, reparou que a sua pele ficava mais macia e hidratada à medida que a mergulhava nas águas altamente salgadas. Depois foi um passo até transformar a Salina da Barquinha num pequeno spa com os seus tanques e zonas lounge, que os visitantes de todo o mundo podem conhecer de terça a domingo, entre as 10h e as 19h.

A Salina da Barquinha promete uma experiência única para famílias – crianças a partir de 5 anos podem fazer este tipo de tratamentos -, que só fica completa se fizer uma visita guiada às salinas. E a paisagem não lhe fica nada atrás. Tente imaginar a beleza e calmaria da vila amuralhada de Castro Marim lá no alto e cá em baixo os campos alagados em quadrículas com montinhos brancos por todo o lado… perfeito, não é? E quem sabe não será este o seu programa alternativo às praias portuguesas durante o verão de 2018!

Um passeio pelo milagre das Salinas de Rio Maior

Milagre porquê? Vai perceber mal chegar às Salinas de Rio Maior! Sim, irá reparar que embora o mar esteja a uma distância de cerca de 30 quilómetros, a água deste sítio é de facto salgada! Isto acontece porque o mar já andou por lá há muitos milhões de anos e quando recuou deixou uma lagoa que se transformou em estado sólido, formando-se assim a maior pedra de sal-gema da Península Ibérica, com 100 quilómetros de comprimento e 700 metros da profundidade.

E dizemos-lhe mais. São as falhas na rocha calcária da Serra dos Candeeiros que permitem que as águas da chuva se entranhem e formem cursos de água subterrânea. E é um desses cursos que atravessa a grande jazida de sal-gema – salgando-o – que alimenta o poço das Salinas de Rio Maior. Depois com a bomba extrai-se a água, que é sete vez mais salgada que a água do mar, e encaminha-se para os reservatórios. Passados dois a três dias chega aos talhos, ou cristalizadores.

Aproveite a sua passagem por Rio Maior para visitar as salinas, conhecer os queijos de sal – assim chamados devido ao seu formato – que servem para temperar a comida e visitar as Casas de Madeira que funcionam como uma espécie de museu vivo dentro de uma aldeia pequenina. Os amantes da gastronomia podem levar para casa um pacote de tempero já preparado e dar um toque único aos seus pratos. E acabaram-se as desculpas, porque aqui a entrada é gratuita 365 dias por ano!

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