Saúde

Como interpretar os resultados das análises e não entrar em pânico!

17 Julho, 2018

Abriu os resultados das suas análises clínicas e apanhou um susto? Saiba que para interpretar os resultados das análises ao sangue, urina e fezes é preciso conhecer não só alguns valores de referência como a terminologia própria.


Para que servem as análises clínicas?

As análises clínicas servem para confirmar ou complementar um diagnóstico que possa ter levantado suspeitas durante uma avaliação médica. Ou então servem de check-up: fazer análises permite vigiar de perto problemas silenciosos como é o caso do colesterol e da hipertensão arterial, ambos relacionados com o risco de AVC. Entre as análises mais comuns estão as análises ao sangue e à urina, podendo ser também realizada uma análise às fezes.

Análises ao sangue

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Ao passar os olhos pelas suas análises ao sangue vai deparar-se com informações relativas ao colesterol, glicose, ácido úrico, albumina, creatinina e electrólitos.

  • Colesterol

No que diz respeito ao colesterol, é preciso ter em conta três valores: o valor de colesterol bom (HDL), o valor de colesterol mau (LDL) e o valor total de colesterol, que deve ser inferior a 190mg/dl. No que diz respeito aos valores de colesterol bom estes devem ser superiores a 35mg/dl, no caso dos homens, ou a 45mg/dl, no caso das mulheres, e os de mau colesterol são considerados adequados quando inferiores a 115mg/dl.

  • Glicose

Os níveis de glicose no sangue são um indicador muito importante no caso da Diabetes. E a análise ao sangue é a única forma de a despistar, porque muitas vezes os sintomas da doença passam despercebidos. Neste caso o que precisa de saber é o seguinte: um valor de glicemia em jejum igual ou superior a 126 mg/dl é sinal de que pode estar a sofrer de Diabetes. Se repetir a análise num curto espaço de tempo, nas mesmas condições e tiver o mesmo resultado, então o diagnóstico é certo.

  • Electrólitos

Todas as análises apresentam os valores de electrólitos, mas o que é que isto significa? Os electrólitos são minerais com carga elétrica responsáveis por manter o equilíbrio hídrico saudável e estabilizar o nível de pH do organismo. Estamos a falar do Sódio, Potássio, Cloro, Cálcio, Fósforo e do Magnésio. São muito importantes sobretudo para a monotorização de pessoas com hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença hepática e renal.

  • Ácido úrico

Se os níveis de ácido úrico no sangue estiverem muito elevados – hiperuricemia – podem indicar a presença de doenças metabólicas e renais, a ingestão de alimentos ricos em proteínas, álcool em excesso ou expressar o efeito secundário da ingestão de determinados medicamentos. E deve estar muito atento aos valores de referência, que variam entre os 2,4 e os 5,7, porque a hiperuricemia está associada à gota e aos cálculos renais.

  • Albumina

Este é o nome da proteína que mais abunda no sangue. E porque é que é tão importante? Porque pode indicar um pequeno ou grande problema: um défice nesta proteína pode indicar que não se está a alimentar como deve ser ou a presença de uma doença hepática, dado que é sintetizada no fígado.

  • Creatinina

Está tudo a correr bem a nível renal? Isso é o que a creatinina lhe vai dizer: se esta substância se começar a acumular no sangue, porque não consegue ser eliminada através dos rins, pode ser sinal de insuficiência renal. Como tal este indicador, cujos valores variam entre os 0,50 e os 0,90, serve para diagnosticar ou acompanhar de perto a evolução e terapêutica de doenças renais.

Hemograma: desmistificando alguns termos importantes

Um hemograma é uma análise específica para medir o número de glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos), de glóbulos brancos (ou leucócitos) e de plaquetas. Como os termos que constam num hemograma nem sempre são fáceis de entender, vamos desmistificá-los.

Por exemplo, os eritrócitos traduzem o número de glóbulos vermelhos, já a hemoglobina – proteína no interior dos eritrócitos – permite diagnosticar a presença de uma anemia. E é aqui que entra o Volume Globular Médio (VGM), o indicador que mede o tamanho dos eritrócitos, permitindo diagnosticar diferentes tipos de anemia. Se forem grandes, indicam uma anemia por carência de ácido fólico, se forem pequenos, uma anemia por carência de ferro.

No meio disto tudo estão os leucócitos que são os seus protetores. Sim, estas são as células responsáveis por defender o nosso organismo de infeções: os neutrófilos combatem as bactérias, os eosinófilos dão contam dos parasitas e os linfócitos produzem os anticorpos necessários. E o que significa o número de plaquetas, cujo valor de referência pode variar entre 150 -450? Bom, como são células que têm o poder de parar uma hemorragia, se tiver poucas podem explicar a presença de hematomas e hemorragias espontâneas.

Análises à urina

Mesmo sem fazer análises, a cor da urina revela logo à partida uma informação importante. Estamos a falar da sua hidratação: se a urina estiver muito escura, significa que pode estar a beber pouca água. E o problema é que a água é importantíssima no processo de filtração dos rins e para repor os níveis que vai perdendo ao longo do dia nas idas à casa de banho. O aspeto turvo pode indicar, por exemplo, a presença de leucócitos, o que numa análise é sinal de infeção ou inflamação em algum ponto do trato urinário.

Dito isto, saiba que a análise à urina serve sobretudo para despistar problemas ao nível dos rins. Como tal, a deteção de uma quantidade anormal de proteínas na urina é indicador de doença renal, já a glicosúria (glicose na urina) pode surgir em casos de diabetes ou de disfunção tubular renal. E se a presença de Bilirrubina na urina pode indicar que existe uma alteração no metabolismo hepático, o aumento da excreção de Urobilogénio pode denunciar uma patologia hepática, ou algo menos grave como desidratação.

 Análises às fezes  

Uma análise às fezes, regra geral, não é pedida pelo médico como um exame de rotina, mas mais na presença de alguns sintomas: por exemplo, se tiver dores abdominais a análise poderá servir para despistar a presença de parasitas (vermes). Se no resultado aparecer a designação “Não se observaram” então saberá que deu negativo.

Perante um quadro clínico de dores, o profissional que o acompanha poderá também querer despistar a existência de sangue nas fezes. Como nem sempre o sangue nas fezes é visível a olho nu, é preciso recorrer-se a uma análise que consiste na recolha de fezes para despistar problemas de maior como é o caso de um cancro. Uma análise às fezes apresenta o seguinte intervalo de valores:

Antes de abrir o envelope das suas análises clínicas

Embora possa – e tem todo o direito! – consultar as suas análises antes que o médico que o acompanha o faça, é preciso sublinhar que não deve precipitar-se a tomar conclusões! Lembre-se que nem sempre um valor alterado é sinal de uma doença grave, mas sim de uma situação/carência que pode ser corrigida. Deixe esse papel para o médico, que perante os resultados o aconselhará da melhor forma possível.

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