Saúde

Hipertensão arterial: um problema silencioso que pode ser crónico

11 Julho, 2018

Estima-se que 42% dos portugueses sofram de hipertensão arterial, um fator de risco associado ao AVC. E a grande maioria dos casos está relacionada com hábitos de vida pouco saudáveis!


Pressão Arterial: o que é?

Quando o sangue está em circulação exerce pressão sobre a parede das artérias: é a chamada pressão arterial. Esta divide-se em duas medidas: a pressão arterial sistólica (a máxima) e a pressão arterial diastólica (a mínima). A primeira corresponde ao momento em que o coração contrai, bombeando o sangue para todo o corpo, já a segunda diz respeito ao momento em que o coração relaxa para se voltar a encher de sangue.

Embora seja normal que a pressão arterial aumente em algumas situações – como quando faz exercício físico ou devido a emoções que possa estar a sentir – também é natural que quando esses momentos passam, a pressão arterial volte ao seu estado normal. Dito isto, saiba que a sua tensão é considerada ótima quando ambos os valores estão abaixo dos 120/80 mmHg e normal se forem inferiores a 130/85mmHg, diz a Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

E quando os valores são superiores? Pode estar a sofrer de hipertensão! 

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Quando os valores são superiores a 120/80 mmHg das duas, uma: ou está em pré-hipertensão – faixa que vai dos 130 a 139 para a pressão sistólica e/ou 85 a 89 para a pressão diastólica – ou já sofre de hipertensão arterial, uma doença crónica. A fase de pré-hipertensão serve, tal como acontece na Diabetes, de aviso para que possa mudar de estilo de vida e corrigir a situação.

Nos hipertensos crónicos, o coração, ao bombear o sangue, exerce uma pressão excessiva sobre as paredes das artérias, pressão essa que se encontra elevada de forma persistente. Para que uma pessoa seja considerada hipertensa tem de apresentar em duas situações diferentes um ou ambos valores da pressão arterial (sistólica e diastólica) iguais ou superiores a 140/90 mmHg.

Mas qual é o verdadeiro problema?

A hipertensão pode afetar gravemente o funcionamento de órgãos fundamentais como o cérebro e o coração devido ao fornecimento insuficiente de sangue. Se o fornecimento de sangue for totalmente interrompido – no caso do entupimento ou rompimento de um vaso ou obstrução por um coágulo – pode vir a sofrer um AVC ou de um enfarte do miocárdio.

Como a hipertensão obriga o coração a trabalhar mais para bombear o sangue através dos vasos, pode acontecer uma situação de hipertrofia. Isto é, o coração aumenta de volume e, como consequência, pode vir a sofrer de insuficiência cardíaca. Já o enfraquecimento das paredes devido à pressão aumenta o risco de aterosclerose e trombose. Mas não só. A hipertensão também está relacionada com a insuficiência renal! Solução? Evitar maus hábitos e adoptar um estilo de vida saudável.

Alimentação: o problema de sempre

Estima-se que em Portugal 42% da população sofra de hipertensão. E tudo piora quando descobrimos que 90% dos casos estão relacionados com maus hábitos de vida, como se poderá ler na página da CUF. Nomeadamente a obesidade: isto acontece porque por cada meio quilo de gordura formam-se mais 1,5 km de pequenos vasos sanguíneos para abastecer o excesso de tecido adiposo, sendo necessária uma maior pressão arterial para bombear o sangue através deles. Além disso, um excesso de peso na ordem dos 20% ou mais aumenta o risco de hipertensão em 5 vezes!

E já que estamos a falar de alimentação, não nos podemos esquecer que o consumo de sal em excesso está relacionado com o desenvolvimento de hipertensão arterial. Ou seja, caso não tenha cuidado com a alimentação pode mesmo vir a sofrer desta doença crónica. Se juntar a isto uma vida sedentária na qual passa muitas horas sentado e a falta de exercício físico regular os riscos são ainda maiores.

O tabaco e o álcool não ajudam

Sabia que se fumar um cigarro por dia, a sua pressão arterial pode aumentar cerca de 30 minutos? Então agora imagine o que acontece no caso de quem fuma um maço por dia! Além disso, de acordo com a informação disponibilizada pela CUF, cerca de 5% a 15% dos casos de hipertensão podem estar relacionados com o consumo de álcool, mesmo que moderado.

A hipertensão não se sente… mas mede-se!

A verdade é que regra geral a hipertensão arterial é uma doença muito silenciosa, sobretudo durante os primeiros anos. No entanto, se tiver cefaleias, tonturas, mal-estar difuso, visão desfocada, dor no peito ou sensação de falta de ar encare-os como sinais de alerta. Quando os sintomas de hipertensão propriamente ditos surgem é, regra geral, mau sinal. Com o passar dos anos, a pressão arterial elevada acaba por lesar os vasos sanguíneos e os principais órgãos do nosso corpo como o cérebro, o coração e os rins provocando sintomas relacionados com essas complicações.

Mas está nas suas mãos proteger-se ao medi-la regularmente. Sim, para chegar ao diagnóstico é preciso um profissional, um esfigmomanómetro calibrado e validado e uma braçadeira adequada ao tamanho do braço, esclarece a Sociedade Portuguesa de Hipertensão. Se for um adulto saudável aconselha-se que meça a pressão arterial pelo menos uma vez por ano. Contudo, pessoas obesas, diabéticas, fumadoras, mais velhas ou com antecedentes familiares de doença cardiovascular devem fazer um controlo mais apertado, devidamente aconselhado pelo médico.

Existe tratamento para a hipertensão?

Há pessoas que sofrem de hipertensão arterial mas podem controlá-la somente com a adoção de uma dieta equilibrada e a prática regular de exercício físico. Nos casos mais graves, é preciso recorrer a medicamentos devidamente prescritos por um médico para tratar a hipertensão. Mas se é um problema que pode evitar, vai mesmo arriscar?

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