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O Charuto: história, popularização e curiosidades

9 Julho, 2018

É quase impossível dissociar Cuba do charuto! Mas e se lhe disséssemos que a sua história não começou por lá?


O charuto nasceu em Cuba. Ou talvez não?

Os especialistas em charutos afirmam a pulmões cheios que o charuto é cubano e tudo o resto é imitação. Mas será mesmo assim? A verdade é que a origem desta espécie de cigarro comprido ainda permanece incerta após todos estes anos.

Não há provas de que o charuto cubano que tão bem conhecemos tenha, de facto, surgido na ilha de Cuba. A descoberta de um vaso de cerâmica na Guatemala e que data do século X atribui a invenção aos Maias. Sim, as suas ilustrações demonstravam uma pessoa desta civilização a fumar folhas de tabaco atadas.

Por outro lado, sabe-se que Cristóvão Colombo tropeçou não só nas Américas, em 1492, – quando o que queria era chegar até à Índia – mas também no tabaco. Nesse momento deu de caras com índios Taínos a fumar uma espécie de rolo cilíndrico de folhas de tabaco retorcidas envolvidas em folhas de palmeiras secas ou de milho.

Mas então porque é que o charuto é tão associado a Cuba? Ora, porque foram as suas terras férteis e o seu clima favorável que permitiram que todos os três tipos de folhas utilizadas no charuto fossem colhidas na ilha. Estamos a falar da capa (invólucro), da tripa (enchimento) e do capote (envolve a tripa e dá-lhe a forma). Tudo isto em conjunto com a perícia dos produtores e enroladores cubanos, valeram a Cuba o título de melhor produtor de charutos do mundo!

A origem do nome “charuto” é ainda um mistério

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De onde veio o nome charuto? A verdade é que há também algum mistério em torno da origem do nome. Mas avançam-se teorias. Por exemplo, o termo do povo Maia para fumar, sikar, provavelmente evoluiu para o termo espanhol cigarro ao qual cigar (charuto, em português) foi beber o seu nome.

Por outro lado, charuto pode derivar da palavra curuttu – significa enrolar em espiral – e que está na origem da palavra inglesa cheroot, bem como da palavra francesa cheroute. Termo esse que pode ter chegado até à Europa pela mão dos navegadores portugueses durante as suas viagens.

A popularização do charuto

O charuto começou a ser comercializado no século XVI e com o passar dos anos tornou-se mesmo num objeto da cultura pop: um episódio inteiro de Seinfield girou em torno de uma caixa de charutos cubanos, por exemplo! Além disso, Clint Eastwood, Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Michael Jordan e Chuck Norris são nomes bem conhecidos da sétima arte e do desporto que não passavam sem a companhia do famoso charuto cubano, do qual eram fãs.

E mesmo o antigo primeiro-ministro inglês, Churchill, se rendeu ao charuto. Estima-se que o político tenha fumado ao longo de toda a sua vida 300 mil charutos! E embora não se saiba se este dado é totalmente verdadeiro, o que certo é que o seu gosto pelo charuto não passou despercebido aos olhos de ninguém, de tal forma que até existe um tamanho específico de charuto com o seu nome e as suas dimensões preferidas em sua homenagem!

Curiosidades sobre o charuto

É melhor fumar um charuto do que um cigarro? A verdade é que não: embora seja composto apenas por folhas de tabaco – não tem nem aditivos nem químicos -, isso não o torna de todo mais saudável, dizem os especialistas. Fumar – seja que tabaco for – tem sempre consequências nefastas para a saúde.

E sabia que o aroma e o sabor do charuto são-lhe conferidos pela tripa, isto é, o conteúdo? Para quem pensa iniciar-se no mundo dos charutos, deve começar por experimentar sabores mais suaves característicos dos charutos Romeo y Julieta, Upmann ou Hoyo de Monterrey. Quem procura algo mais intenso, tem o Cohiba ou o Partagás.

Não se admire se encontrar no mercado charutos com diferentes cores, porque estes podem variar entre tons mais claros e mais escuros. E se a cor não influencia o sabor ou a qualidade, o mesmo não se pode dizer do estado do charuto. Ao apalpar levemente entre os dedos polegar e indicador, confirme que está firme mas não duro.

Há charutos de vários tamanhos – ou como se diria em Cuba, vitolas! Sim, os mais pequenos podem ter menos de 10 centímetros e os mais longos podem chegar a ter mais de 23. A escolha do tamanho importa porque influenciará o tempo que demorará a fumar um charuto até ao fim.

Como fumar um charuto: as regras de etiqueta

Antes de começar a fumar o seu charuto, deve fazer um corte acima da linha onde a cabeça une a capa. Para saber o sítio certo basta procurar pela marca visual presente no charuto. Neste momento é importante garantir que a abertura é suficientemente ampla para permitir uma puxada adequada. Após a remoção da cabeça (parte fechada do charuto), deve acender a extremidade oposta e fumar a partir da abertura feita pelo corte.

Para acender o charuto pode utilizar um isqueiro a gás butano, um fósforo de madeira ou um pedaço da lâmina de cedro. Porquê? O aroma deste tipo de objetos não se impregna no sabor do charuto ao contrário do que acontece com um isqueiro de gasolina (os famosos zippos, então, são de evitar), um fósforo de cera ou uma vela. Depois é só ir girando o charuto até a superfície estar acesa de maneira uniforme.

Não se esqueça que um charuto não é um cigarro e por isso não deve inalar o fumo, mas sim saborear os aromas na boca. Caso o seu charuto se apague, pode voltar a acendê-lo, retirando antes a cinza solta, e fumá-lo até ao último quarto do charuto porque a partir daí o sabor e a nicotina tornam-se demasiado intensos. No fim, deve deixar o charuto morrer com dignidade…não o esmague no cinzeiro, deixe-o repousar até que se apague por fim.

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