Saúde

Porque é que com a idade toleramos menos o álcool, o frio e as diretas?

28 Junho, 2018

A idade pesa, é um facto. Isso pode sentir-se à medida que o nosso corpo envelhece e nos apercebemos que a nossa tolerância ao frio, ao álcool e mesmo às noitadas diminui. Mas afinal porque é que com a idade o nosso corpo parece menos resistente?


O peso da idade sobre o corpo

À medida que os anos passam vamos sentindo que o nosso corpo não se comporta da mesma maneira nas mais variadas situações. Damos connosco a precisar de um par extra de meias para conseguir dormir confortável, a não aguentar uma noitada com os amigos sem muitos bocejos e a ficar com a cabeça pesada com um copo de vinho. E o pior vem no dia seguinte a uma direta com algum álcool à mistura: a ressaca pode deixar-nos verdadeiramente KO.

Não existe uma só explicação para o acentuar deste mal estar e para a diminuição da nossa resistência. Basicamente, o nosso corpo transforma-se com a idade, envelhece, e não responde às exigências com a mesma destreza e capacidade de antigamente. Se surgirem doenças ou problemas de saúde o caso pode ser ainda pior.

Porque sentimos mais frio com a idade?

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Com o passar dos anos, a maior parte das pessoas sente que o frio se torna mais difícil de suportar e combater. As extremidades do corpo humano, sobretudo mãos e pés são as partes que temos mais dificuldade em aquecer. É é preciso estar atento. Se, por um lado, o frio pode ter efeitos nefastos sobre o corpo, a verdade é que a hipersensibilidade ao frio pode ser um indício de problemas de saúde como a hipertensão ou a diabetes.

Pessoas hipertensas ou com problemas no sistema circulatório costumam tomar fármacos que diminuem a frequência cardíaca, a força de contração e a pressão arterial. O efeito de relaxamento que têm sobre os vasos sanguíneos conduz a uma redução da circulação sanguínea que pode ser a origem dessa sensação de frio. Quando o sangue não chega com a mesma frequência e intensidade às mãos e pés é mais difícil mantê-los quentes.

Mas não são só as pessoas com problemas de saúde que sentem mais frio com a idade: pessoas saudáveis passam pela mesma situação. Mas porquê? Por um lado, a circulação sanguínea diminui à medida que os vasos sanguíneos perdem elasticidade. Por outro, a gordura por baixo da pele, que ajuda a conservar o calor, perde espessura com os anos e deixa-nos mais expostos à temperatura ambiente.

Os cientistas pensam também que, à medida que envelhecemos, a resposta do nosso metabolismo ao frio abranda. Por exemplo, os vasos sanguíneos levam mais tempo a contrair-se permitindo que mais calor se perda. Os estudos demonstram que as pessoas com mais idade têm uma temperatura corporal média mais baixa que os jovens e isso também os poderá deixar mais expostos ao frio.

Álcool cada vez mais nocivo com a idade

Se já passou dos 30 anos já deve ter sentido que não tolera a ingestão de bebidas alcoólicas como antigamente. Sente os primeiros efeitos do álcool com menores quantidades e, no dia seguinte, a ressaca pode ser insuportável. Não está totalmente claro por que razão o álcool parece mais tóxico e as ressacas se tornam mais fortes com o envelhecimento. Mas os especialistas apresentam várias hipóteses e alguns fatores podem mesmo concorrer em conjunto.

As bebidas alcoólicas são metabolizadas no fígado, onde três enzimas diferentes são responsáveis por ir decompondo o etanol até que seja possível eliminar por completo este produto tóxico do nosso organismo. Com a idade, o número destas enzimas diminui, o que faz com que esta substância tóxica permaneça por mais tempo no corpo humano originando as náuseas e as dores de cabeça típicas das ressacas. Também a diminuição da quantidade de água no organismo contribui para que o álcool permaneça por mais tempo e em quantidades mais concentradas.

Engordar ou emagrecer também tem efeitos sobre a forma como o seu corpo processa o álcool. Geralmente, mais peso significa mais gordura e isso é mau para o consumo de bebidas alcoólicas. A gordura não consegue absorver o álcool e, por isso, quanto mais gordura corporal, menor a tolerância ao álcool e maiores a hipóteses de uma forte ressaca. É também por isso que as mulheres costumam ser menos resistentes ao álcool, porque normalmente têm uma maior percentagem de gordura corporal.

O hábito de acompanhar o álcool com fast food também não ajuda. Hambúrgueres, kebabs, pizzas e outras comidas do género são ricas em gordura que também necessita do fígado para ser digerida. Tal como os medicamentos, o consumo de alimentos ricos em gordura vai sobrecarregar o fígado e atrasar o processo de metabolização do álcool. Os médicos recomendam que alterne o consumo de bebidas alcoólicas com sumos ou água se quiser diminuir os seus efeitos negativos.

Porque é que uma noite sem dormir é tão difíci quando envelhecemos?

Com a idade as noitadas deixam de ser tão divertidas porque – vamos admitir – às duas da manhã já estamos cheios de sono! Isso não acontece por acaso. Quando o sol se põe, o nosso corpo começa a libertar as hormonas que nos vão ajudar a dormir: é o nosso relógio biológico a dizer que é tempo de descansar. No entanto, os ciclos e as necessidades de sono variam ao longo do tempo influenciados pelo estilo de vida, alimentação e idade.

Durante a adolescência as alterações hormonais atuam sobre o relógio biológico atrasando-o. A melatonina, hormona responsável por diminuir o nosso estado de alerta atinge, durante a adolescência, o seu pico de concentração mais tarde. Por esse motivo, aos 17, 18 ou 20 anos é mais fácil ficar uma noite sem dormir. O sono chega mesmo mais tarde.

Com o fim da adolescência, o corpo volta a um equilíbrio hormonal que “acerta” o relógio biológico. Por isso é que aos 40 anos uma direta pode parecer uma tarefa hercúlea. Também pesa o facto de que, provavelmente, enquanto na adolescência o dia seguinte a uma noitada era passado na cama a recuperar, o mesmo não acontece quando somos mais velhos. As responsabilidades profissionais e pessoais já não o permitem.

A chegada à meia-idade traz novas alterações hormonais que, aliadas a alguns problemas de saúde, vão contribuir para alterar os ritmos de sono novamente. É por esse motivo que entre os 50 e os 55 anos muitas pessoas começam a queixar-se de dificuldades para dormir. Estudos revelam que por volta desta altura a quantidade de melatonina no corpo diminui, o que faz com que o sono seja mais curto e menos profundo. Esta situação pode fazer com que não descanse o suficiente e isso não é bom. A privação do sono ou a falta de qualidade deste vai acelerar o envelhecimento e pode ter muitos efeitos negativos sobre a saúde.

O envelhecimento do corpo humano

O que liga a intolerância crescente ao frio, ao álcool e às noitadas com a idade é justamente o envelhecimento do corpo humano. A passagem do tempo desgasta as células e órgãos, problemas de saúde podem aparecer e a quantidade de determinadas enzimas e hormonas diminui. Tudo junto faz com que os tempos de resposta do organismo sejam mais demorados e os processos de recuperação mais lentos. Qualquer trauma, doença, gripe ou mesmo noite com álcool, leva mais tempo para curar porque, resumindo, o nosso corpo faz todos esses processos de forma muito mais lenta.

O ideal é aceitar a idade! Se está com frio, coloque uma camisola e umas meias a mais. Se já não aguenta ficar acordado até às 6h da manhã, deite-se às 2h! E se o álcool pesa, beba apenas um copo! O importante é estar confortável e cuidar de si!

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