Saúde

Problemas nos rins: porque acontecem e como evitar

25 Junho, 2018

Comer de forma saudável, praticar exercício físico e beber pelo menos 1,5 litros de água por dia evita três grandes males nos rins: pedras nos rins, doença renal crónica e até mesmo cancro!


As principais funções dos rins

Fazem parte do sistema urinário, são conhecidos por terem a forma de um feijão, ser do tamanho de um punho, de cor a dar para o vermelho escuro e por estarem localizados de cada lado da coluna vertebral, acima da cintura e por detrás dos órgãos abdominais… Sabe de que órgãos estamos a falar? Se pensou em rins, pensou bem!

E sabia que desempenham funções vitais para o organismo? A verdade é que os rins são compostos por milhares de pequenos túbulos que filtram e limpam o sangue, extraem resíduos e ainda são responsáveis pela produção da urina. A urina fica armazenada numa concavidade – bacinete – situada na zona média de cada rim até que flui pelo uréter até à bexiga e é expelida pela uretra.

Fonte: CUF

Mas as funções dos rins não se ficam por aqui. Sim, os rins são também responsáveis por regular o equilíbrio acidobásico, mantendo o pH do sangue constante, por regular o volume do líquido corporal eliminando o excesso de água do organismo e ainda por manter o equilíbrio dos electrólitos – sódio, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, entre outros – no corpo, etc.

Rins: porque é tão importante beber água?

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Tratando-se os rins de órgãos produtores e excretores de urina, há algo que deve fazer para cuidar do seu bem-estar: estamos a falar de beber pelo menos 1,5 litros de água por dia porque isso diminui o risco de formação de pedras nos rins em 60%. Também ajuda muito se não fizer uma dieta rica em sal ou em proteínas. Caso contrário pode vir mesmo a sofrer de litíase renal – que é um nome complicado para dizer pedras nos rins.

Esta é uma doença muito comum no aparelho geniturinário. Tem uma incidência global que varia entre os 2% e os 3%, ficando atrás apenas das infeções urinárias e doenças da próstata. Além disso, trata-se de uma doença que afeta o dobro dos homens, em relação às mulheres, sobretudo na casa dos 30 anos. Já no caso das mulheres há dois picos de incidência, um aos 35 anos e outro aos 55 anos.

Mas o que está na causa desta doença com elevada recorrência? A influência genética é importante no caso das pedras nos rins. Contudo, é também uma doença comum em pessoas com outras doenças renais, infeções urinárias, pessoas obesas e está relacionada também com alguns tipos de doenças intestinais. E a dor é o seu maior sintoma de alarme.

De facto, a maioria dos cálculos renais não apresenta sintomas até que os cálculos se deslocam para as vias urinárias e sente uma dor intensa e incapacitante que vai desde o flanco até à virilha. Em alguns casos de cólica renal, há pessoas que têm vómitos, náuseas e sangue na urina – o cálculo pode ferir as paredes do uréter à medida que desce.

Para saber se está a sofrer de pedras nos rins, o médico irá avaliá-lo e conduzi-lo para fazer uma radiografia ou, se necessário, uma tomografia. O tratamento é bastante simples: passa por beber água – para evitar a saturação da urina – e tomar analgésicos. Normalmente os cálculos com menos de 5mm são eliminados espontaneamente em 90% dos casos, diz a CUF, mas se os sintomas perdurarem, pode ser necessário recorrer à cirurgia.

Sabia que os rins ajudam a controlar a pressão arterial?

É verdade, os rins também produzem hormonas que ajudam a controlar a pressão arterial e têm um papel fundamental na regulação da pressão sanguínea. Quando a função renal está intacta, a elevação da pressão arterial leva a que o rim aumente a excreção de sódio e água, com redução do volume sanguíneo, do retorno venoso, mantendo dessa forma a pressão sanguínea dentro dos valores normais. Mas o que acontece se há um problema com este processo?

O que é que a Hipertensão tem a ver com a Doença Renal Crónica

A hipertensão arterial é uma doença crónica relacionada com maus hábitos de vida – obesidade, consumo de sal em excesso, fumar – e caracteriza-se pelos elevados níveis de pressão sanguínea nas artérias o que faz com que o coração tenha de bombear o sangue com mais força do que é normal. Consequência? Uma delas é a Doença Renal Crónica. Aliás, a cada ano que passa há um aumento de 10% das pessoas diagnosticados com Doença Renal Crónica provocada pela hipertensão arterial, pode ler-se no Portal da Diálise.

E há dois mecanismos que explicam o aparecimento da lesão renal em pessoa com hipertensão arterial. Por um lado, a elevada pressão arterial associada à rigidez das artérias leva a um aumento da pressão nas arteríolas aferentes, o que por sua vez pode causar hiperperfusão e hiperfiltração glomerular. Como tal, perde-se o processo de auto-regulação e desenvolve-se proteinúria – perda excessiva de proteínas através da urina. Por sua vez, a glomeruloesclerose isquémica conduz ao estreitamento do lúmen e à diminuição no fluxo sanguíneo glomerular, contribuindo também para o declínio da função renal.

Mas o que é a Doença Renal Crónica, afinal? Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões irreversíveis na estrutura do rim que podem evoluir progressivamente para uremia, insuficiência renal crónica e falência renal. E bastam análises ao sangue e à urina para chegar até ao diagnóstico. Caso se confirme, terá de fazer dieta e medicação. A dieta ajuda a diminuir a concentração de ureia, fósforo, potássio e que os rins do doente não conseguem eliminar, já a medicação serve para controlar a tensão, fornecer as hormonas que os rins não são capazes de produzir e aliviar sintomas como vómitos e comichão.

O que acontece quando a função renal fica comprometida?

Se a função renal fica comprometida de tal modo que já não é possível assegurar as necessidades do organismo é preciso fazê-lo de forma mecânica. Como? Através de hemodiálise e diálise peritoneal. Estes dois procedimentos médicos permitem filtrar o sangue, evitando que as substâncias tóxicas e o excesso de líquido se acumulem no sangue.

Devido à importância da filtração e limpeza do sangue para o bom funcionamento do nosso organismo, muitos doentes têm de fazer hemodiálise ou a diálise peritoneal com regularidade, isto é, em média 3 vezes por semana. Mas há uma boa notícia: só precisa de um rim saudável para assegurar uma função renal normal.

Há 700 novos casos por ano de cancro nos rins

Estima-se que surjam em Portugal entre 600 a 700 novos casos de cancro no rim todos os anos, pode ler-se na página online da CUF. Esta é uma doença mais frequente nos homens do que nas mulheres, sendo mais frequentemente diagnosticada entre os 50 e os 70 anos. E embora a causa do cancro do rim ainda esteja por apurar, o mesmo não se pode dizer acerca dos fatores de risco! Entre os quais estão o tabagismo, a utilização inadequada de analgésicos durante vários anos, tensão arterial elevada, obesidade e, claro, antecedentes familiares de cancro de rim.

O primeiro passo para se proteger passa por reconhecer alguns dos sintomas: estamos a falar de sangue ao urinar, aparecimento de uma massa na região lombar de um dos lados, dor lombar de um dos lados que não passa, perda de apetite, perda de peso sem razão aparente – sem estar a fazer por isso -, anemia, febre e fadiga. Contudo, não nos podemos esquecer que estes sintomas não são exclusivos ao cancro do rim, podendo estar relacionados com outras doenças e até quistos benignos.

É preciso fazer análises gerais e à urina, que devem ser complementadas com ecografia, TAC ou ainda uma ressonância magnética nuclear, para se chegar ao diagnóstico de cancro no rim. Pode ser também feita uma biopsia ao rim – guiada por ecografia ou TAC – para recolher uma amostra do tecido da massa renal suspeita por imagem. A amostra seguirá para o laboratório de Anatomia Patológica, que determinará o resultado. Se o resultado se confirmar, o tratamento aplicado ao cancro do rim vai variar de acordo com o estadiamento da doença: as opções incluem cirurgia, radioterapia e terapia sistémica.

 

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