Cultura e lazer

Guia de vinhos: tudo o que precisa de saber para degustar o néctar dos deuses

29 Março, 2018

O vinho precisa mesmo de respirar? E de ser decantado? E posso guardar a garrafa de vinho depois de ser aberta? O nosso guia responde a estas questões e muitas mais sobre aquele que é considerado o néctar dos deuses.


1. Qual a principal diferente entre vinho tinto, branco e rosé?

O vinho é produzido a partir da fermentação alcoólica do sumo que se extrai das uvas amassadas. O tipo de vinho varia de acordo com a cor, a quantidade de açúcar, gás carbónico, teor de álcool e, claro, o tipo de uva. Por exemplo, o vinho tinto é feito com uvas tintas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Tempranillo, Malbec, Carmenère, Tannat e Touriga Nacional. Trata-se de um vinho mais encorpado e com pouco açúcar.

Já o vinho branco é feito com uvas brancas de tipo Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Torrontés, Pinot Grigio e diferencia-se do vinho tinto pelo seu sabor mais frutado e cor clara – porque lhe é retirada a casca da uva. Por sua vez, o vinho Rosé é feito de uvas tintas, a cujo mosto são retiradas as películas com os antocianos que dão a cor ao vinho quando atinge o tom pretendido. Falamos de uvas como Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Pinot Noir e Grenache. É aromático, fresco e muito versátil!

E o vinho verde? Ao contrário do que possa pensar, não é um tipo de vinho mas ganhou esse nome devido à região onde é produzido: Região Demarcada dos Vinhos Verdes. E, curiosamente, a região é assim chamada por causa da paisagem predominantemente verde. Assim, o vinho verde é feito de uvas colhidas no estado ideal de maturação – como acontece noutras regiões portuguesas – e vinificado da mesma forma.

2. É verdade que os vinhos precisam de respirar?

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É costume ouvir-se dizer que os vinhos precisam de respirar. Sabe porquê? O ato de arejar o vinho facilita a libertação de aromas mais pesados e mais ricos devido ao contacto com o oxigénio. O tempo que se deve dar ao vinho antes de o beber vai depender da idade, complexidade, etc. De qualquer forma, saiba que arejar o vinho é essencial para que retire o melhor da experiência de degustação a copo.

3. Posso guardar uma garrafa de vinho depois de aberta?

Um vinho depois de aberto entra em contacto com o ar e, de forma quase imediata, ocorre a oxidação, o que faz com que este néctar dos deuses perca as suas qualidades intrínsecas. Assim, pode guardar um vinho depois de aberto – sobretudo se for bom – mas não durante muito tempo! Uma dica: compre acessórios com bomba e rolha para extrair o ar numa loja especializada em vinhos e conseguirá tapar a garrafa de forma eficaz e preservar as suas qualidades.

4. É verdade que com o passar dos anos os vinhos ficam melhores?

Nem sempre, porque depende do tipo de vinho que comprou! Além disso, regra geral os vinhos são feitos para ser consumidos jovens. Há a exceção de vinhos duros e ásperos que precisam mesmo de envelhecer para conseguirmos retirar-lhes o melhor a cada gole. Nestes casos o tempo suaviza-lhes a textura, expande-lhes os aromas e os sabores e compõe-lhes a harmonia. E sim, estes vinhos ficam bem melhores com o passar dos anos.

5. É preciso decantar o vinho?

A decantação melhora a experiência de beber vinho, mas em que consiste? Trata-se de um processo que visa passar o vinho engarrafado para um recipiente – de cristal ou de vidro – conhecido como decanter. A decantação é realizada no caso dos vinhos tintos, não sendo um processo tão comum para vinhos brancos. E tem duas grandes vantagens: por um lado extrai as borras dos vinhos (especialmente dos mais envelhecidos) e por outro oxida-os, libertando os seus aromas.

Além disso a decantação é muito útil no caso de vinhos com depósito no fundo da garrafa, tintos encorpados e ainda em evolução, com taninos e acidez agressivos ou de vinhos brancos que não tiveram tempo de se tornar mais macios. Já vinhos como o Porto Vintage têm de ser decantados obrigatoriamente porque não são filtrados. Os especialistas dizem que os vinhos mais baratos dispensam este processo de decantação, mas que se o fizer parecem outros… Ora, experimente!

6. O vinho tinto tem de ser servido num copo grande?

Normalmente o vinho tinto é servido num copo grande. E há uma explicação simples para isso: os vinhos tintos com aromas mais concentrados precisam de mais espaço para os libertar. Mas isso é válido também para os vinhos brancos encorpados e de aroma intenso. Por esta razão é que estes tipos de vinhos são servidos num copo grande e de formato arredondado que se vai estreitando em direcção à abertura, de forma a concentrar os aromas.

7. As garrafas de vinho querem-se deitadas?

Sim! De facto, as garrafas de vinho devem guardar-se deitadas devido ao perigo de oxidação. Se a garrafa estiver deitada, o vinho está em contacto permanente com a rolha mantendo-a húmida e intacta, mas ao alto isso não acontece e como consequência a rolha tem tendência a secar, tornando-se assim permeável ao ar e permitindo a oxidação do vinho. E isso, claro, diminui a qualidade da cor, do aroma e do paladar.

8. O vinho tinto está para a carne como o vinho branco está para o peixe?

Ora aqui está um daqueles mitos que perdurou durante anos e anos! A verdade é que há tintos jovens que vão muito bem com um peixinho grelhado – como truta e salmão – e vinhos brancos jovens que acompanham maravilhosamente carnes brancas grelhadas. A única regra que se pode aplicar à comida e ao vinho é esta: pratos delicados pedem vinhos suaves e pratos com sabores fortes exigem vinhos personalizados.

9. Vinho tinto quer-se à temperatura ambiente?

A ideia de que o vinho tinto deve ser servido à temperatura ambiente é antiga e não tem fundamento. Aliás, o crítico gastronómico Manuel Gonçalves da Silva refere que os vinhos tintos mais leves devem ser servidos a 14 ou 15 graus e os mais encorpados a 18 ou 19 graus. Além disso, saiba que é neste intervalo que se situa a temperatura recomendada para a generalidade dos tintos, tendo em conta as características específicas de cada um e a estação do ano.

10. O vinho branco deve servir-se bem fresco?

O vinho branco deve servir-se bem fresco, mas não em demasia porque dessa forma poderá perder algumas das suas características – sobretudo se se tratar de um vinho branco mais rico. Assim, as temperaturas recomendadas, por exemplo, para um vinho branco jovem situam-se entre os 8 e os 10 graus, já os brancos velhos e/ou fermentados em madeira devem estar a uma temperatura ideal entre os 12 e os 14 graus.

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