Saúde

Legionella: tudo o que precisa de saber

28 Março, 2018

A melhor forma de se proteger contra a Legionella é saber do que se trata, quais os principais sintomas, os grupos de risco e como atuar em caso de doença.


Os casos de Legionella em Portugal

Os números de Legionella – também conhecida com Doença dos Legionários – têm vindo a aumentar na Europa e Portugal não é exceção. E só no início de 2018 já houve registo de vários casos de pessoas infetadas.

Devido à sua fácil disseminação e com o objetivo de travar este problema de saúde pública, a Direção-Geral de Saúde coordena o Programa de Vigilância Epidemiológica Integrada da Doença dos Legionários através do qual emitiu uma circular com as medidas a tomar em caso de surto.

Legionella: o que é?

No fundo, a Legionella trata-se de uma pneumonia que é provocada por uma bactéria que se aloja nos pulmões. E como se transmite? Não é pela ingestão de água ou através do contacto com pessoas infetadas, mas sim através da inalação pelas vias aéreas de aerossóis (gotículas de água) contaminados. E quais são os maiores pontos de disseminação? Torneiras de água quente e fria e chuveiros.

Saiba ainda que a Legionella vive em ambientes de água doce, podendo existir também em ambiente aquáticos naturais, como lagos ou rios, ou em reservatórios artificiais como sistemas de água doméstica, quente e fria, humidificadores, torres de arrefecimento de sistemas de ar condicionado, piscinas, jacuzzis, instalações termais, etc.

Quais são os principais sintomas de Legionella? 

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No início, a Legionella assemelha-se a uma simples gripe, segundo a Direção-Geral de Saúde. E bastam 2 a 10 dias (período de incubação) após a infeção para que comecem a surgir os primeiros sintomas: estamos a falar de dor de cabeça, tosse seca, febre, falta de ar, dores musculares, arrepios e diarreia. Nos casos mais graves pode provocar uma pneumonia aguda ou uma infeção grave extra pulmonar que pode ser fatal.

Quem são os grupos de risco?

Pessoas com mais de 50 anos – sendo 2 a 3 vezes mais predominante no sexo masculino do que no sexo feminino -, com doenças crónicas (diabetes, cancro, insuficiência renal, alcoolismo) ou que fumem estão em risco. Mas não só. As pessoas tornam-se mais vulneráveis à bactéria da Legionella quando já têm historial de doenças pulmonares, de doenças que comprometam a imunidade ou de patologias que impliquem fazer quimioterapia ou tomar medicação com corticóides também.

Como pode proteger-se da Legionella?

Se a bactéria da Legionella sobrevive em ambientes aquáticos contaminados deve ter em atenção a temperatura da água: deve ser inferior a 20 graus ou superior a 60 graus. Já nos termoacumuladores a temperatura da água deve estar regulada acima dos 75 graus. E lembre-se que os produtos de corrosão também ajudam a manter as águas limpas: a Legionella multiplica-se em água estagnada, com ferrugem, algas, lama e calcário.

Além disso, sobretudo os grupos de risco que vivem em zonas afetadas pela Legionella devem evitar spas, banheiras de hidromassagem, piscinas públicas, hotéis e navios de cruzeiro. A Direção-Geral de Saúde diz mesmo para evitar tomar duches e priveligiar os banhos de imersão e aconselha mergulhar os chuveiros em lixívia durante 30 minutos, uma vez por semana, por precaução.

Desconfia que tem Legionella?

Caso desconfie que sofre de Legionella, devido à presença de certos sintomas, o importante é não entrar em pânico e seguir a recomendação da Direção-Geral de Saúde à risca. Ligue para a linha Saúde 24, através do número 808 24 24 24. Só depois de devidamente aconselhado é que se deve dirigir a qualquer serviço de urgência.

Que tratamento existe?

Após o quadro clínico e os exames laboratoriais confirmarem a presença da Legionella, parte-se para o tratamento: visto tratar-se de uma bactéria – e não existir vacina – serão utilizados antibióticos como a Eritromicina, Azithromycin ou a Claritromicina para combater a doença.

A Direção-Geral de Saúde relembra que “a doença, apesar de ser grave, tem um tratamento efetivo”. No entanto, a duração do tratamento pode variar de acordo com a gravidade: a toma dos antibióticos pode ir até 10 dias mas nos casos mais grave pode mesmo estender-se a 3 semanas e proceder-se ao internamento.

Mas é possível controlar e prevenir a Legionella?

A resposta é sim. No entanto, o controlo e prevenção da Doença dos Legionários só é possível através do diagnóstico precoce em casos suspeitos e pelo tratamento/desinfeção da fonte contaminada pela bactéria, quer ao nível dos equipamentos – condutas, aparelhos de ar condicionado ou condensadores de vapor -, quer ao nível das instalações.

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