Saúde

Para que serve o fígado?

14 Março, 2018

O fígado é o segundo maior órgão do corpo humano. Não é a grandeza da sua dimensão que impressiona, mas mais a grandeza das suas funções. Sem ele não podemos viver. Mas o que o torna tão especial?


Se o corpo humano fosse uma economia…

Imagine um setor industrial capaz de produzir bens essenciais (energia, produtos alimentares, materiais de construção), de remover a poluição do ambiente e de armazenar os tais bens essenciais para mais tarde serem utilizados numa situação de escassez ou de crise.

Se o corpo humano fosse uma economia, o fígado seria claramente esse setor industrial de ponta, altamente complexo e de importância vital para o bem-estar da sociedade.

O que é o fígado?

Talvez pela sua importância, o fígado tem uma capacidade incrível de regeneração, podendo recuperar o seu tamanho normal mesmo após ter perdido 50% do seu volume original após uma cirurgia.

Anatomicamente bem protegido pela grelha costal direita, logo abaixo do diafragma, o fígado é constituído por uma enorme massa de células (os hepatócitos) atravessada por um complexo mas organizado sistema de canais que transportam o fluxo sanguíneo e a bílis.

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O fígado é um órgão tão vascularizado que chega a receber 1,5 litros de sangue por minuto, sendo que a circulação sanguínea é feita por duas vias: pela artéria hepática (20-40%) e pela veia porta (60-80%).

Na sua essência, o fígado é uma complexa fábrica orgânica capaz de executar centenas de funções, entre as quais a transformação do alimento vindo dos intestinos em nutrientes vitais para o bom funcionamento das células, mas também a remoção de toxinas do sangue, o armazenamento de nutrientes/substâncias úteis para mais tarde serem utilizadas quando necessárias e a produção de proteínas e vitaminas essenciais para nossa saúde.

Fígado: Transformador e Gestor de nutrientes

O processo de digestão consiste na quebra dos nutrientes em moléculas cada vez menores, até ao ponto de poderem ser absorvidas pela mucosa dos intestinos e depois lançadas na circulação sanguínea e chegar desta forma a quem delas precisa: as células.

O fígado tem um papel central na digestão dos alimentos porque toda a circulação sanguínea de natureza digestiva é filtrada por este órgão. Assim, nenhum nutriente ou substância ingerida consegue chegar ao resto do organismo sem antes passar pelo fígado.

É neste processo que o fígado mostra toda a sua capacidade transformadora e de gestão de “stocks” de acordo com as necessidades do corpo.

Por exemplo, a partir das gorduras ingeridas na alimentação o fígado é capaz de produzir substâncias, como fosfolipídios ou colesterol, que são essenciais na produção das nossas células. Também é o fígado quem determina se a gordura ingerida será usada para gerar energia ou será armazenada.

Outro exemplo destas competências é a relação que o fígado tem com a glicose, fonte principal de energia das células. Quando este nutriente chega em grande quantidade ao fígado, ele liberta uma parte em direção à circulação sanguínea e armazena a outra sob a forma de glicogénio, para que esta possa ser usada como fonte de energia nos períodos de jejum ou atividade física.

Dentro da função de produtor e gestor de “stocks”, ainda há a salientar o facto de o fígado ser capaz de metabolizar e armazenar proteínas e outras substâncias muito importantes como vitaminas e ferro.

A “central de tratamento de resíduos tóxicos” do corpo humano

Assim como os nutrientes, qualquer outra substância ingerida também passará pelo fígado antes de chegar ao resto do organismo, incluindo medicamentos, drogas, toxinas ambientais e álcool.

As células do fígado são ricas numa determinada família de enzimas que têm a capacidade de metabolizar, inativar e facilitar a eliminação pelos rins de diversas substâncias.

O exemplo mais famoso deste processo de eliminação de “produtos poluentes” realizado pelo fígado é a metabolização de bebidas alcoólicas. O álcool é uma substância extremamente tóxica que, até certo ponto, pode ser consumido devido à capacidade que o fígado tem em transformá-lo numa substância muito menos tóxica e de fácil eliminação através dos rins e urina.

Quando o fígado perde esta sua capacidade de “limpeza” (doenças hepáticas), é de evitar, por completo, o álcool e determinados medicamentos com propriedades tóxicas.

As principais doenças do fígado

Se numa economia o setor industrial começar a produzir com menos qualidade bens essenciais (energia, produtos alimentares, materiais de construção), ou deixar de os armazenar para mais tarde serem utilizados numa situação de escassez ou de crise, então é natural que o bem-estar da sociedade seja posto em causa.

Com a nossa saúde passa-se o mesmo. Isto é, deteriora-se perigosamente sempre que o fígado, por exemplo, começa a desempenhar mal as suas funções de transformação/gestão de nutrientes ou de tratamento de substâncias tóxicas.

As doenças típicas do fígado são as hepatites de origem viral  (A, B, C, D, E, G) e as de origem tóxica. Ou por causa de um vírus ou por conta da ingestão excessiva de alimentos tóxicos (por exemplo, álcool), o fígado tem tendência a iniciar processos inflamatórios que diminuem as suas capacidades funcionais. O problema torna-se verdadeiramente grave quando o mau desempenho do fígado se torna crónico, podendo levar, em casos extremos, ao desenvolvimento de cirroses e cancros.

Perante a falência do fígado, o transplante é a única solução para evitar a morte. Sendo que estes processos são muito sensíveis, mesmo que bem-sucedidos a esperança média de vida da pessoa transplantada diminui significativamente.

Atenção aos sinais

Os principais sintomas associados a problemas no fígado são sentir dor ou desconforto no lado direito do abdómen superior abaixo das costelas, perder apetite ou ter sensação de enfartamento e o “amarelamento” da cor de pele (icterícia). A estes sintomas também podem estar ligar outros sinais mais genéricos como a perda de peso sem razão, náuseas, vómitos ou fadiga sem explicação.

Como cuidar do fígado

Ter um estilo de vida saudável, praticar exercício físico, alimentar-se saudavelmente, estar vacinado contra as hepatites virais e estar ciente das suas formas de contágio é muito importante para prevenir alguns dos problemas relacionados com o fígado.

No que diz respeito à dieta, esta deve ser pobre em gorduras saturadas, rica em fibras e privilegiar o peixe e as carnes magras em relação às carnes vermelhas e de porco. Para melhorar a função do fígado pode também adicionar à sua dieta alimentos ricos em vitamina E, C, selénio, ómega-3 e ginseng.

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