Saúde

O que acontece a quem pratica uma dieta com excesso de sal?

5 Março, 2018

Consumir sal em excesso, isto é, mais de 5 gramas por dia, aumenta o risco de aparecimento de várias doenças como hipertensão, cancro ou doenças cardiovasculares. E os portugueses consomem mais do dobro recomendado.


O que acontece ao nosso organismo quando ingerimos sal em excesso?

O sal pode ser benéfico ou prejudicial à saúde: tudo depende da quantidade ingerida. E a Sociedade Portuguesa de Hipertensão alerta que os portugueses o fazem em excesso: em média consomem 10,7 gramas por dia, isto é, mais do dobro recomendado. Como tal, o nosso corpo não retira o lado bom de componentes essenciais do sal, como o sódio e o cloro, que em doses equilibradas são indispensáveis ao bom funcionamento hídrico e eletrolítico, à contração e relaxamento muscular e à atividade do sistema nervoso.

Mas o que acontece ao nosso corpo quando fazemos uma dieta rica em sal? O consumo excessivo de sal está relacionado com o desenvolvimento de hipertensão arterial e o aumento da quantidade de cálcio que é eliminada através da urina, razões pelas quais pode aumentar o risco de uma pessoa sofrer de doenças cardiovasculares, renais ou ósseas, de acordo com Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas. Sem esquecer que está relacionado com o cancro do estômago, a retenção de líquidos e a obesidade.

E o sal em excesso também pode danificar o cérebro?

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A Organização Mundial de Saúde recomenda que se ingira no máximo 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher de chá. Mas, como já percebemos, os portugueses consomem o dobro deste valor… e isso também faz mal ao cérebro. Já há vários estudos que associam uma dieta rica em sal a doenças cerebrovasculares, AVCs e problemas nas funções cognitivas.

Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience desvendou como o sal afeta as funções cerebrais. Tudo começa com a acumulação no intestino delgado de uma classe especial de linfócitos, os Th17. Estes, por sua vez, produzem uma grande quantidade de um tipo especial de citocina – moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células – , a IL17.

E porque é isto mau para o cérebro? É que, uma vez na corrente sanguínea, a IL17 atua sobre as células endoteliais do cérebro, que ligam os vasos sanguíneos do cérebro, e reprime a produção de óxido nítrico. Sem ele, o abastecimento de sangue para o cérebro é reduzido e causa uma disfunção neuronal que leva a danos cognitivos (demência, por exemplo), explica ao Público Costantino Iadecola, professor de neurologia e cientista no centro de investigação Weill Cornell Medicine, em Nova Iorque, nos EUA.

O estudo revela também que os efeitos nocivos do sal são independentes da subida da pressão arterial. O que quer isto dizer? Que uma dieta rica em sal por si só pode danificar o cérebro – o que pode levar décadas ou anos. Mas há boas notícias: os danos nas funções cognitivas são reversíveis (pelo menos a curto prazo) se retirar o sal do prato. E já agora, ajuda muito se praticar exercício físico regularmente!

Substituir o sal por ervas aromáticas para ficar abaixo dos 5g por dia

Todos os dias consumimos produtos que contêm bastante sal, o que não facilita o ficar abaixo dos 5 gramas recomendados. No entanto, há pequenos hábitos que ajudam: ler os rótulos dos alimentos para verificar os níveis de sódio e sal, evitar refeições pré-cozinhadas, sopas instantâneas, enlatados, molhos ou caldos concentrados são alguns exemplos. E pode fazer mais. Já pensou em substituir o sal por ervas aromáticas como os coentros, louro, orégãos, salsa ou até mesmo por especiarias como o açafrão, colorau, noz-moscada e a pimenta?

Há anos que o Serviço Nacional de Saúde alerta para os riscos de consumir sal em excesso e dá algumas dicas para reduzir o seu consumo. Alguns exemplos são temperar uma sopa com menos de uma colher de chá de sal por cada 5 pessoas, não colocar o saleiro em cima da mesa, consumir regularmente hortícolas, leguminosas, fruta e cereais integrais e privilegiar os laticínios magros e as carnes de aves na dieta.

Os esforços das entidades públicas para cortar no sal em nome da saúde também passam pelas novas regras para a indústria da panificação. O objetivo é que o pão, um dos alimentos mais importantes na dieta de muitos portugueses, tenha apenas 1 grama de sal por cada 100g até ao final de 2021 – atualmente vai até às 1,4 gramas.

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