Saúde

As dietas da moda têm riscos para a saúde?

15 Fevereiro, 2018

Paleo, detox, sem glúten, crudivorismo… Quantas dietas da moda conhece? A lista é longa e há opções para todos os gostos, mas será que funcionam? E que riscos podem ter para a saúde?


Alimentação e saúde: duas faces da mesma moeda

A alimentação é um dos temas quentes da atualidade. Um pouco por todo o mundo, os problemas decorrentes da prática de dietas alimentares altamente calóricas e baseadas em produtos processados estão a ganhar ênfase. Não falamos apenas da obesidade ou do excesso de peso. Falamos de diabetes, de doenças cardíacas, intestinais e até mesmo cancerígenas que estão a aumentar devido, em parte, à má alimentação mas também a vidas cada vez mais sedentárias, dentro e fora do horário de trabalho.

Na tentativa de perder peso rapidamente, ou de ter um estilo de vida “mais saudável”, muitas pessoas acabam por adotar as chamadas dietas da moda. Regimes alimentares que prometem desintoxicar o organismo, perda de peso e de gordura em pouco tempo ou apenas melhorar o estilo de vida. Mas tenha atenção, muitas carecem de fundamentação científica.

Algumas destas dietas proíbem grupos alimentares por completo, outras defendem o consumo de alimentos não cozinhados e há outras ainda que utilizam o sono. Mas até que ponto conhece as implicações de mudar radicalmente a sua alimentação? De que forma a sua saúde vai ser afetada? Antes de embarcar numa nova dieta, conheça os perigos e as vantagens de vários regimes alimentares.

Glúten free: o regime dos celíacos

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Nos últimos anos temos assistido à “demonização” de produtos como a lactose e o glúten, que levaram muitas pessoas a cortar por completo com os alimentos que os contêm. Se é verdade que existe quem seja obrigado a retirar alimentos como o pão e cereais da base da sua alimentação por serem celíacas ou sofrerem de intolerância alimentar ao glúten,  a grande maioria da população não tem motivos para o fazer.

Na realidade, não existe nenhum benefício cientificamente comprovado para a saúde de se retirar o glúten da alimentação quando não se é alérgico ou intolerante. Além disso, alimentos como o trigo, centeio ou cevada, que contém esta proteína, são fundamentais para a nutrição e bem-estar humanos.

Se acha que pode ser intolerante ou alérgico ao glúten, o melhor é falar com o seu médico ou alergologista para confirmar as suas suspeitas e para que este possa orientá-lo na dieta mais adequada. Se mesmo não sendo alérgico ou intolerante está decidido a retirar o glúten da sua alimentação, informe-se bem sobre as alternativas.

Tenha em atenção que muitos produtos glúten free não são mais saudáveis do que as suas versões tradicionais. Para tornar um produto sem glúten mais saboroso é comum compensar a sua ausência com mais gordura e /ou açúcar. Esteja atento e leia sempre os rótulos dos alimentos para confirmar se os produtos que escolhe são efetivamente os mais saudáveis.

Dietas detox: batidos e sopas apenas

As designadas dietas detox baseiam-se na ideia de que é necessário limpar o organismo e que a melhor forma para o fazer é através da ingestão de líquidos. Existem várias dietas detox, mas a variante mais conhecida implica a ingestão exclusiva de líquidos como sopas, sumos e batidos, durante dois dias. Depois dessa data é suposto fazer-se a introdução gradual de outros alimentos.

Se tem alguma dificuldade em comer vegetais e fruta, os batidos e sumos podem ser uma opção válida para aumentar o seu consumo. No entanto, lembre-se que na realidade não são os alimentos detox que vão limpar o seu corpo de toxinas, o fígado e os rins já o fazem naturalmente. Além disso, prolongar uma alimentação exclusivamente à base de líquidos vai ter implicações na sua digestão.

Dieta Paleo: sim à proteína animal, não aos hidratos de carbono

Como o próprio nome indica, a dieta paleo procura recriar a alimentação que os seres humanos tinham no paleolítico. É bom lembrar que nesta altura o fogo ainda não tinha sido descoberto e a agricultura ainda estava longe. Os humanos alimentavam-se de carne, peixe, sementes, frutos da época e ovos, portanto desta dieta estão excluídas leguminosas, laticínios, cereais e batata. Ou seja, uma dieta rica em gordura animal e quase isenta de hidratos de carbono.

Se, por um lado, uma menor ingestão de sal, açúcar, gorduras hidrogenadas e outros alimentos processados é bom para a saúde, por outro, é preciso ter em conta que o nosso organismo evoluiu muito desde há 10 mil anos e as nossas vidas não são em nada semelhantes às dos nosso antepassados do paleolítico. Já existem estudos que demonstram que uma dieta à base de proteína animal tem benefícios para quem sofre de diabetes, contudo os dados não abundam e ainda não existem estudos alargados que permitam tirar conclusões sobre os riscos a longo prazo.

Crudivorismo: alimentos ao natural

Esta dieta alimentar compõe-se de frutas, legumes, grãos e sementes germinadas, tudo sem ser cozinhado. Todos sabemos que alguns alimentos como a fruta, os legumes ou as hortaliças perdem algumas propriedades quando são cozinhados. Nomeadamente as vitaminas que são solúveis em água perdem-se quando os alimentos são cozidos. Por isso até poderão existir algumas vantagens na ingestão destes alimentos crus.

No entanto, é bom lembrar que outros nutrientes como os caratenóides libertam-se pela ação da temperatura e também que os alimentos crus podem ser mais perigosos e difíceis de digerir. Sendo uma dieta muito restritiva, é importante que quem a adota saiba quais os alimentos e as quantidades que deve ingerir para não sofrer de défices de nutrientes.

Dieta do sangue: os melhores alimentos para cada tipo sanguíneo

Desenvolvida por um médico americano, esta dieta defende o princípio de que existem alimentos que devem ser priorizados e outros que devem ser preteridos em função do grupo sanguíneo. Os alimentos estão divididos em três categorias: benéficos – que devem ser comidos diariamente -, neutros – alimentos que servem para complementar a alimentação – e prejudiciais – cujo consumo deve ser muito reduzido ou mesmo eliminado porque desequilibram o organismo. Segundo esta teoria, a ingestão de alimentos nocivos pode estar na origem de vários problemas como desaceleração do metabolismo, aumento de peso, má digestão e dores de cabeça.

Assim, quem tem sangue tipo O deve fazer uma alimentação rica em proteína animal; quem tem o sangue A, uma alimentação mais próxima da vegetariana, quem é B deve consumir laticínios e quem é AB deve ter um consumo equilibrado de todos os alimentos. No entanto, um estudo conduzido pela universidade de Toronto em 2014 não encontrou correlação entre a saúde de um indivíduo e a prática da dieta para o seu tipo sanguíneo. O que veio deitar por terra a ideia de que pessoas que partilham o mesmo tipo de sangue processam os alimentos da mesma forma.

Dieta do Jejum: horas sem comer

Esta dieta contraria todos os princípios que nos ensinam na escola e que, para já, são cientificamente aceites: comer várias vezes ao dia, menos quantidades mas regularmente, para fazer uma absorção gradual dos nutrientes. Na dieta do jejum, a ideia é passar várias horas sem fazer ingestão de alimentos. Desta forma desencadeia-se um processo fisiológico que está bem documentado: como não há ingestão de nutrientes por largas horas, o corpo metaboliza as reservas que se encontram no organismo.

Inicialmente o corpo vai utilizar a glicose guardada e quando esta se esgota, queima aos ácidos gordos armazenados. É desta forma que se perde peso. No entanto, lembre-se que este tipo de dieta tem consequências negativas várias: a pessoa pode experimentar fraqueza muscular, cansaço, alterações de humor, irritabilidade e desidratação. Persistir em jejuns prolongados pode mesmo comprometer gravemente a saúde.

Dieta do sono: dormir para emagrecer

Também conhecida como “a dieta da Bela Adormecida”, este regime recorre a períodos alargados de sono para se perder peso. À primeira vista esta dieta pode parecer perfeita, afinal todos sabemos como o sono é importante para a nossa saúde. Contudo, ninguém dorme naturalmente cerca de 20h por dia, para isso é necessário tomar sedativos. Enquanto dormem, as pessoas não sentem fome e, claro, não ingerem comida, por isso acabam por perder peso. Foi o caso de Elvis Presley, que a celebrizou.

Os especialistas alertam no entanto para os problemas que podem adevir. A sobredosagem e a dependência de sedativos são os principais problemas identificados, mas não se pode esquecer outros. O hábito de dormir demasiadas horas leva ao isolamento social e pode mesmo comprometer a saúde mental provocando depressões.

Emagrecer com saúde

Quer seja para perder peso, para procurar uma alimentação e estilo de vida mais saudáveis, ou por questões éticas, não comece uma dieta sem falar com o seu médico ou nutricionista. Alterar radicalmente a sua alimentação pode ter consequências inesperadas e, para além disso, se não for um processo bem pensado e acompanhado, passado o entusiasmo inicial, facilmente voltará aos velhos hábitos.

Lembre-se que os alimentos que funcionam com umas pessoas podem não ser os mais indicados para outras e que o mais importante mesmo é o seu bem-estar. Mais do que fazer uma dieta que vai durar apenas um determinado período de tempo, pense numa reeducação alimentar que lhe permita comer um pouco de tudo nas quantidades certas para o seu dia a dia e que vai ajudar a sentir-se sempre bem.

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